Expedição Handgrinos
Por Evandro Bonocchi e Graziela Teixeira
27 de outubro de 2013 - 21:50
 
 
 
 
  • Foto: Graziela Teixeira
    Expedição Handgrinos no Caminho de Santiago Foto: Graziela Teixeira
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    Expedição Handgrinos no Caminho de Santiago " Foto: Graziela Teixeira
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    Expedição Handgrinos no Caminho de Santiago " Foto: Graziela Teixeira
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Expedição Handgrinos no Caminho de Santiago Foto: Graziela Teixeira

 

Somos os Handgrinos, expressão que criamos para substituir a palavra "peregrino" fazendo a junção desta com a palavra hand (mão). É através delas (as mãos) que os paraplégicos Evandro Bonocchi (38) e Josimar Sena da Silva (29) puderam fazer história como os primeiros cadeirantes brasileiros a cruzarem o Caminho de Santiago com suas handbikes, acompanhados por uma equipe de apoio formada pelos bikers: André Silva, Leandro Bonocchi, Luis Pimentel, Miltinho Miranda e Graziela Teixeira como biker e fotógrafa. O significado da palavra IRMÃO foi vivenciado em todo o trajeto, não apenas no sentido da irmandade que foi criada entre os sete “handgrinos”, mas também literalmente a maneira como os cadeirantes fizeram o caminho: IRMÃOS = IR + MÃOS (IR COM AS MÃOS).
Tendo o Evandro experiência em corridas de handbike (nacionais e internacionais como as de Nova York e Miami), assim como corridas de aventura, ele afirma: "nada se compara a um dia seguindo o Caminho de Santiago. A superação é a todo momento". 

Foram 18 dias encarando grandes desafios e percorrendo em média 30 km por dia; cada um carregando sua mochila sendo que Evandro e Josimar ainda puxavam suas cadeiras de rodas mais suas mochilas chegando a um peso total de 34 kg.

Iniciamos a viagem no dia 29 de agosto saindo do aeroporto de Guarulhos com destino a Pamplona, Espanha. Planejamos iniciar nossa peregrinação, ou melhor - "HANDgrinação" pelo Caminho de Santiago no dia 31 de agosto em Roncesvalles, cidade a cerca de 40 km de Pamplona. Mas para a nossa surpresa, a handbike do Josimar foi destruída e três outras bicicletas extraviadas pela companhia aérea. Por sorte, uma fundação de Madri (Fundación Tambíen - que promove o bem estar à Pessoa com Deficiência através do esporte), se sensibilizou com o ocorrido e, aos 45' do segundo tempo, nos emprestou uma handbike, “evitando” o retorno antecipado do Josimar ao Brasil.
Tivemos que alterar todo o planejamento de mais de 10 meses, inclusive a rota, kilometragem a percorrer diariamente, gastos extras com hotéis, transporte e dinheiro.
Com 4 dias de atraso partimos de Puente la Reina a caminho de Santiago de Compostela.

Foram dias incríveis com paisagens maravilhosas e grandes aprendizados. Vimos coisas que jamais sonhamos. Com uma equipe tão heterogênea como esta da primeira Expedição Handgrinos, pudemos compreender mais sobre as diferenças não só físicas, mas as de personalidade, de crenças e valores e a maneira de cada um encarar as dificuldades.
Para muitos o Caminho é que é mágico, mas as pessoas que encontramos pelo caminho é que fazem a magia acontecer.

Quando imaginávamos ser impossível, o Caminho nos presenteava com algum peregrino que, às vezes sem perceber, motivava o outro com a frase (que por lá é universal): "BUEN CAMINO!"

Os Handgrinos fazem questão de ressaltar o mérito dos quatro bikers que acompanharam os dois cadeirantes: André, Leandro (irmão do Evandro), Miltinho e Pimentel, que por muitos quilômetros suas pernas tiveram que ajudar os braços do Evandro e Josimar; e da nossa fotógrafa Graziela que, ao final de cada etapa, nos enchia os olhos com belas imagens.

Um momento especial foi quando conseguimos alcançar a Cruz de Ferro, conhecida como o teto do Caminho, com seus 1505 metros de altitude. É costume deixar no pé dessa cruz uma pedra ou algo que queira deixar para trás ou homenagear. Ali tivemos a oportunidade de prestar uma homenagem ao nosso saudoso amigo e irmão Clodoaldo Luciano - um promissor para-atleta que nos deixou no início do ano, vencido por uma doença fatal. Foi inesquecível!

Logo após a emocionante parada na Cruz de ferro, descemos até Manjarín onde recebemos a benção do Thomáz - o último cavalheiro Templário.
Em Ponferrada visitamos um Castelo Templário e ao subirmos sua rampa, o contraste entre a construção medieval e as handbikes chamou a atenção de todos que estavam por ali.

Pelo facebook passamos a receber mensagens de apoio dos amigos do Brasil e isso nos deu mais forças para seguirmos em frente, rumo a etapa crucial - a subida do O Cebreiro.

Certamente foi o momento mais difícil - atingir essa pequena e antiga aldeia de origem Celta. Foram mais de 6 horas de subida para chegarmos a 1300 metros. Nos instalamos em um albergue municipal excelente e adaptado para cadeirantes. Passamos a noite confraternizando com peregrinos de outros países e pudemos desfrutar um pouco mais da energia incrível desse lugar.

Depois de 15 dias pedalando e mais de 450 km de uma experiência que jamais esqueceremos, chegamos a Santiago de Compostela. Nossa entrada na praça da catedral foi emocionante! Um misto de dever cumprido, de sonho realizado e da sensação de que um ciclo que se encerra para que outro recomece. E ao som de uma gaita de folie, nos abraçamos, choramos e por mais de uma hora ninguém arredava pé...

No dia seguinte, voltamos à Catedral para assistirmos a missa dos peregrinos. Recebemos a benção e o abraço de Santiago para voltarmos ao Brasil mais fortes do que nunca!

Agradecemos aos nossos patrocinadores Blaspint, Construtora Araújo Simão, Nipcable, Panomara e Vemex, que acreditaram nesse sonho e só assim pudemos transformá-lo em realidade.

Ultreia Handgrinos!!