AVENTURA & AÇÃO   172 - Patagônia Chilena
Texto: Camila Natalino Fróis - Fotos: Jonatha Junge e Tom Alves
26 de fevereiro de 2013 - 13:40
 
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    O Vale Francês Foto: Divulgação
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    Torres del Paine" Foto: Jonatha Junge
  • Foto: Camila Fróis
    Mirador Las Torres" Foto: Camila Fróis
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    Los Cuernos" Foto: Divulgação
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    Torres del Paine" Foto: Tom Alves
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    Cabañas Los Cuernos Hot Tub" Foto: Divulgação
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    Restaurante do Refúgio Los Cuernos" Foto: Divulgação
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    Glaciar Grey" Foto: Lisete Florenzano
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    Torres del Paine" Foto: Divulgação
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    Cabañas Los Cuernos " Foto: Divulgação
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O Vale Francês Foto: Aventura&Ação 172

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EDIÇÃO 172 - Essa matéria e muitas outras você encontra na revista Aventura&Ação, edição 172, que já está nas bancas. Garanta a sua.  
   

É difícil falar da Patagônia sem se render aos clichês. Os picos nevados dos Andes cortam o céu de um azul intenso, os lagos verde esmeralda se espalham por todos os lados, as geleiras são de um branco profundo e os horizontes gigantescos. Tudo conspira para que a primeira vista já impressione. Essa que é uma das regiões mais isoladas do planeta, começa ao sul de Buenos Aires e se estende até a Terra do Fogo, conhecida como o fim do mundo. Do lado oeste, a Patagônia é emoldurada pela Cordilheira dos Andes e a leste pelo Oceano Atlântico, um grande berçário marinho. Por toda parte o que se vê é história, vida e cenários deslumbrantes. Do lado chileno, desponta uma faixa de floresta densa e selvagem, margeando toda a costa do Pacífico Sul. Há muito tempo esses cenários de natureza soberba, erma e inexplorada atraem um público aventureiro, interessado em encarar longas caminhadas, cavalgar pelas montanhas, arriscar um trekking no gelo, ou remar pelas águas cristalinas dos fiordes. Hoje, além dessas ótimas possibilidades, o destino oferece muito conforto, hospedagens de alto padrão, gastronomia requintada e exclusividade para quem quer apenas relaxar aos pés de uma montanha, se hospedar em um hotel diante de um lago de degelo ou tomar café da manhã em um deck cercado por mata nativa. É por essas e outras que o “trekking W” de Torres del Paine no principal parque da Patagônia chilena foi considerado o melhor do mundo por uma publicação especializada. Para conferir o motivo de tanta celebridade, desembarcamos no Parque Nacional Torres del Paine e trouxemos para você o relato sobre o que a Patagônia sul tem de melhor.

Torres del Paine

Assim como qualquer destino de natureza exclusiva, soberba e preservada o Parque de Torres é protegido pelas longas distâncias dos centros urbanos mais cosmopolitas. Por isso, se você quer pisar nessas terras selvagens, experimentar o seu silêncio, sentir a força do vento e do frio e ainda flagrar a sua belíssima fauna à vontade pelos bosques da região, prepare-se para uma longa jornada. Depois de desembarcar em Santiago, você pode voar até Punta Arenas (que exibe um importante porto sobre o Estreito de Magalhães), e depois até Puerto Montt, onde vai precisar de um traslado de 250 km até a graciosa Puerto Natales. A estância turística de casinhas de madeira colorida também se localiza a nível do mar, às margens do canal Señoret e de frente para a Cordilheira dos Andes. Apesar do entorno majestoso, a maioria esmagadora dos viajantes que chega a Puerto Natales, segue com alguma ansiedade direto para o celebrado Parque Torres del Paine.

Durante os 115 km do caminho a ser percorrido de de carro, impossível tirar os olhos daqueles cenários desconcertantes, prenúncio de boas aventuras. A região se descortina como uma mistura completa de ambientes naturais, onde se destacam as montanhas – como o Cerro Paine, de mais de três mil metros e as emblemáticas torres de granito e os Cuernos del Paine. Toda a cordilheira foi formada ao longo das últimas eras glaciais, que esculpiram uma cadeia de picos independente dos Andes, rodeada de vales, rios e lagos de degelo com águas em matizes de azul, verde e cinza, além de geleiras azuladas, como a Grey, que faz parte do Campo de Gelo Patagônico Sul.

Ao todo, o Parque, que é provavelmente o mais belo do Chile, ocupa uma área que supera 240 mil hectares. Em seus limites protege ainda graciosos bosques de lengas que dançam ao embalo dos ventos de até 100 km/h, surpreendendo os caminhantes mais desprevinidos.

Por isso, se você pretende se lançar nas caminhadas mais longass por ali, prepare-se para encarar frio, vento, neve, chuva e sol no mesmo dia, além de uma topografia irregular. Ainda assim, não há motivos para preocupações. As trilhas são bem sinalizadas, em boa parte planas e contam com ótima infraestrutura no caminho. E mais, além dos visuais incomparáveis, há operadoras bastante preparadas que podem facilitar, e muito, a sua vida por ali. A Fantastico Sur, por exemplo, opera desde trilhas mais curtas até as tradicionalíssimas travessias pela unidade de conservação. Para quem tem pouco tempo no Parque, é possível conhecer os caminhos mais interessantes como a trilha à Base das Torres pelo Valle do Rio Ascensio, o trekking pelo Vale do Francés – com prévia navegação pelo Lago Pehoé, e a rota que leva ao Vale da Geleira Grey.

O W da questão

Já que você chegou nessas terras extremas, porém, uma dica é reservar tempo suficiente para o menu principal: o trekking W (76km, 4 ou 5 dias) que liga alguns dos principais cartões-postais do Parque através de uma trilha de nível médio e beleza exuberante. Nesse caso, a Fantástico Sur conta com o apoio da do Hotel Las Torres e de sua rede prória de refúgios de montanha. São eles que garantem aquele banho quente no final de um dia de caminhada, seguido da degustação de um bom vinho na companhia de seus novos amigos do mundo, que celebram a vida ao ar livre nos mais diversos idiomas durante os furtivos jantares.

Para quem opta pelo pacote completo da Fantástico Sur, desfruta ainda do expertise de um guia especialista em Patagônia e os traslados de carro ou catamarã necessários. Nesse caso, você só precisa se preocupar em manter o pique para caminhar por quarto dias inteiros entre estepes, bosques, lagos e montanhas, algumas incluindo a vista de geleiras pra lá de imponentes. Outra boa notícia é que em Torres você pode andar sem pressa, ou quase passear, desfrutando de cada detalhe do caminho, já que os dias são longos – com luz natural até 10 horas da noite no verão - ou seja, dá para acordar mais tarde e caminhar até sete ou oito horas tranquilamente, sem ter que apertar o passo. Apesar do grande volume de turistas com suas mohilas coloridas que cruzamos todo o tempo na trilha, o silêncio impera, iterrompido pelas rajadas de vento ou o som de alguma cascata como o Salto Grande. Entremeando as formações rochosas sobrevoadas pelos condores, estão vales, pradarias de vegetação baixa e florestas andinas, por onde passeam bandos de guanacos, raposas e veados. Um cenário no mínimo singular para alguns dias de natureza pura.

Pé na trilha

A nossa recepção no Parque foi no setor Las Torres, onde há a opção de hospedagem no Hotel Las Torres que ostenta acomodações com vista para as montanhas, gastronomia impecável e salões luxuosos, ou um descolado refúgio de montanha (o refúgio central), com quartos coletivos e um ótimo atendimento, boa comida e drinks tradicionais.

Depois da noite de descanso, o primeiro dia de trilha nos leva até a base das populares torres que dão nome ao Parque. A ladeira final é íngreme, mas a expectativa de vencê-la é maior. Além disso, durante toda o caminho cruzamos com grupos de turistas dos mais diferentes países e idades, incluindo muitos trekkers, especialmente europeus, sexagenários, que impõem um ritmo forte (e até constrangedor no meu caso) na caminhada.

Nesse dia, o tempo estava instável. Pegamos sol e depois uma pancadinha de chuva. No meio do caminho, fizemos uma parada estratégica no Refúgio Chileno para um bom chimarrão. O nosso guia Patrick nos garantiu que naquele horário o tempo estava fechado nas Torres e era melhor esperar. Dito e feito, tomamos mais alguns chás para aquecer o corpo e quando seguimos “viagem” no caminho encontramos várias pessoas voltando frustradas com o tempo extremamente nublado lá em cima. Seguindo a trilha, passamos pelo bosque milenar de lengas e ainda chegamos a pegar uns graciosos flocos no caminho, mas, à medida que fomos chegando à base das Torres, o sol foi se abrindo e quando alcançamos o mirante, a 700 metros de altura, era só alegria: o céu azul tinha iluminado aquele visual cinematográfico: as três torres de granito que irrompem por mais de mil metros, exibindo na sua base um incrível lago fruto do derretimento constante de um glaciar que desce por entre as rochas. Ao fundo, avista-se ainda o Cerro Nido de Condor e o Glacial Torres, compondo um cenário digno de dezenas de clicks.
No segundo dia, nos hospedamos no charmoso hotel Las Torres e partimos rumos ao Acampamento Los Cuernos, em uma caminhada de nível médio no entorno do Maciço Paine.  Após 30 minutos de caminhada se encontra o “atalho” que lhe leva ao Refúgio Los Cuernos. O trekking durante todo o percurso tem uma espetacular vista do Lago Nordenskjöld. Após quatro ou cinco horas de caminhada, avistamos o setor Los Cuernos, que exibe um dos refúgios mais aconchegantes do circuito.  A ordem é aproveitar o clima, relaxer e renovar as energias. Para isso nada melhor do que a vista do refúgio com suas paredes de vidro para as montanhas e o lago Nordenskjod, que é frequentemente fustigado por violentas rajadas de vento, formando indescritíveis danças de spray d'água.

Amanhecemos no dia seguinte, com um péssimo tempo logo nas primeiras horas do dia e quase não tinhamos coragem de deixar o nosso refúgio quentinho perfeito para apreciar a névoa e a chuva lá fora. Ainda assim, saimos, andamos alguns metros e quase voltamos pela falta de visibilidade que poderia tornar a caminhada um esforço sem recompensas. Como estávamos ali a trabalho, porém, não tínhamos opção. Continuamos debaixo d'água, mesmo com um integrante do grupo com o pé machucado, para cumprir o cronograma. Mal sabíamos o que nos esperava. As primeiras horas do percurso incluem a passagem por uma linda praia no gelado Lago Nordenskjöld até se chegar no “Acampamento Italiano”, onde o guarda-parque nos recebeu com chá quente capaz de reerguer a moral de qualquer caminhante. Dali, a subida se inicia pelo Vale do Rio do Francês até que chega-se ao Mirante do Glacial Francês e em seguida ao Acamento Britânico. Dali, há um trecho inclinado, mas curto até o Mirante do Vale do Francês. A vista do Glacial Francês com o Paines Grande e o Cerro Catedral de fundo é simplesmente inacreditável. A força da natureza se revela em sua forma mais primiiva e faz jus ao espetáculo que promove com pompa. Ali, o vento é mais inclemente que o normal e muitas vezes é impossível se manter em pé. Se resistir ao vento e ao frio e passar um tempo por ali, porém, invariavelmente vai ouvir estrondos testemunhando blocos de gelo se desprendendo da geleira. Uma daquelas experiências que se pode chamar de intensas e renovadoras. Fizemos a trilha de volta para o acampamento Los Cuernos molhados, com frio, mas felizes da vida por não termos cometido o baita despautério que teria sido desistir daquele dia incrível de trekking.

No último dia de caminhada, voltamos para o setor Las Torres, já que, por conta do incêndio que atingiu a região (ver box), não era possível concluir o percurso original e seguir até o Refúgio Gray. Ainda assim, no nosso quinto dia em Torres, partimos para lá de carro, para conferir o visual da emblemática geleira Grey, circundada por lagos de degelo com águas em matizes de azul, verde e cinza. Além das trilhas no entorno desse monumento natural, o Parque oferece a possibilidade de se navegar pelo Lago Gray, entre muitos icebergs flutuantes formas e cores alucinantes. Mais do que as paisagens extravagantes, porém, a convivência com os viajantes de toda parte do planeta, o aconchego dos refúgios de montanha, as matizes de rosa que colorem as motanhas de manhã apreciadas do quarto do hotel Las Torres e a possibilidade de tomar um café elegante enquanto se aprecia a brincadeira das raposas lá fora tornam esse roteiro algo fascinante, que todo trekker tem que experimentar um dia na vida, ao menos uma vez.

 


O Circuito O

Uma opção mais selvagem possui cerca de 105 km de caminhada. Este roteiro é especial por proporcionar uma aventura mais intensa em Torres del Paine, onde você fará a volta completa no Circuito Paine. Você apreciará a paisagem indescritível da região, pernoitando em acampamentos durante o percurso, uma aventura completa. As trilhas são alternadas entre subidas e descidas, em alguns trechos o caminho é úmido e com bastante pedras e além disso você mesmo carregará sua mochila cargueira. Durante o trekking as pernoites são em acampamento e você terá infra-estrutura: guias, estrutura de acampamento, alimentação. Leve sua vontade de caminhar e espírito de aventura!

Operadora
Fantástico Sur - A operadora oferece uma estrutura perfeita para quem quer explorar o que o Parque Torres del Paine tem de melhor, seja em trilhas mais curtas rumo aos principais cartões postais, ou no clássico trekking W. A operação completa inclui traslados, um guia experiente, lanches de trilha, acomodações em charmosos e aconchegantes refúgios ou campings bastante estruturados. www.fantasticosur.com

Hotel Las Torres
Construído em madeira, com estilo rústico e charmoso, localiza-se no coração do Parque Torres del Paine. www.lastorres.com