Impressões dos Vulcões do Equador
da redação, Waldemar Niclevicz
4 de fevereiro de 2014 - 9:40
 
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  • Foto: Silvia Niclevicz
    Waldemar Niclevicz em frente ao El Altar (5.319m). Foto: Silvia Niclevicz
  • Foto: Waldemar Niclevicz
    O Cotopaxi visto ao amanhecer desde o Illiniza Norte. " Foto: Waldemar Niclevicz
  • Foto: Waldemar Niclevicz
    Zorro, raposa andina, entre senecios no Illiniza." Foto: Waldemar Niclevicz
  • Foto: Waldemar Niclevicz
    Amanhecer durante a escalada do Illiniza Sul (5.326m)." Foto: Waldemar Niclevicz
  • Foto: Waldemar Niclevicz
    O Sangay (5.230m) visto do El Altar. " Foto: Waldemar Niclevicz
  • Foto: Waldemar Niclevicz
    Venado de cola blanca no El Altar. " Foto: Waldemar Niclevicz
  • Foto: Waldemar Niclevicz
    O Chimborazo (6.310m) visto do El Altar. " Foto: Waldemar Niclevicz
  • Foto: Waldemar Niclevicz
    Escalando o Illiniza Norte (5.116m). " Foto: Waldemar Niclevicz
  • Foto: Waldemar Niclevicz
    Escalando o Cotopaxi (5.897m). " Foto: Waldemar Niclevicz
  • Foto: Waldemar Niclevicz
    Cruzando penitentes a caminho do cume do Chimborazo. " Foto: Waldemar Niclevicz
  • Foto: Waldemar Niclevicz
    Amanhecer durante a escalada do Chimborazo. " Foto: Waldemar Niclevicz
  • Foto: José Luiz
    Waldemar Niclevicz no topo do Chimborazo. " Foto: José Luiz
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Amanhecer durante a escalada do Illiniza Norte (5.116m). Ao fundo o Cotopaxi. Foto: Silvia Niclevicz

 

Vulcões entre os mais espetaculares do mundo, marcados pelo forte cheiro de enxofre e pela iminência de uma repentina erupção. Lindas escaladas, cachoeiras, rafting, tirolesas, boas pedaladas e confortáveis pousadas, muitas delas com agradáveis termas e rios de águas cristalinas ao seu lado. Estou falando do Equador, local que escolhi para iniciar o ano.

A Expedição Vulcões do Equador durou um mês, quando escalei seis das onze montanhas que gostaria. Não consegui atingir todos os meus objetivos em razão do clima instável, incomum para esta época do ano, com chuvas praticamente diárias, realmente uma pena. Terei que voltar ao Equador, até conhecer profundamente as suas montanhas, para cumprir a minha expectativa em relação ao Projeto Mundo Andino, que é traçar um perfil tanto físico quanto humano de toda a Cordilheira dos Andes.

Os Andes representam a maior espinha dorsal de montanhas do mundo, são mais de 7 mil quilômetros de extensão, além de um sem fim de ramificações que se desdobram em cordilheira menores, onde a natureza mantém o seu caráter selvagem nos encantando com a sua beleza. Quanto mais eu conheço os Andes, mais tenho desejo de conhecer!

No Equador eu estive a primeira vez em 1989, e notar as mudanças que sofreram as montanhas nesses 25 anos me causou uma grande nostalgia, estão sufocadas pela presença humana, em um dos países mais densamente povoados. Sua grande particularidade é ter um território montanhoso cortado pela Linha do Equador. Da “avenida dos vulcões”, que beira os 6 mil metros de altitude e corta de norte a sul o país, as encostas dos Andes despencam em direção ao Oceano Pacífico e a Floresta Amazônica, numa sucessão de pisos ecológicos, originando uma das maiores biodiversidades da Terra. Riqueza imensurável que o Equador está perdendo, devido a ocupação indiscriminada das suas montanhas que foram completamente desflorestadas, onde rios assoreados lutam contra a poluição sofrendo o risco de secarem, em razão do aquecimento global que rapidamente vai consumindo o glaciar dos vulcões.

A própria natureza está colaborando para causar um certo desequilíbrio na bela paisagem andina do Equador. O Vulcão Tungurahua (5.023m), situado a 80Km ao sul de Quito, está em erupção desde 1999. Quando fui de Riobamaba até Baños, por uma precária estrada de terra, fiquei impressionado com a quantidade de “lahar” (rochas e lama) que está descendo de suas encostas, toneladas desse sedimento cobrem estradas e soterram a região ao oeste do vulcão.

As últimas erupções do Tungurahua são do tipo “explosiva”, a lava, por ser muito densa, não chega a se derramar e impede a liberação gradativa dos gases que, aprisionados, causam fortes explosões, levantando colunas de vapor e cinzas de vários quilômetros de altura. As cinzas levadas pelo vento chegam ao alto de outras montanhas, ao se depositarem sobre os glaciares absorvem o calor do sol e causam o seu rápido derretimento. É exatamente o que está acontecendo com o Chimborazo (6.310m), a maior montanha do Equador.

Quando eu escalei o Chimborazo a primeira vez, em 1989, o tamanho dos seus glaciares era sensivelmente maior. Segundo estudos, 33% da superfície dos 18 glaciares do Chimborazo desapareceram nos últimos 30 anos. As cinzas vulcânicas emanadas pelo Tungurahua estão provocando a formação de campos de “penitentes” (pequenas torres de gelo) no topo da montanha. Há 25 anos, para ir do Cume Veintemilla (6.267m) ao cume Whymper ou Equador (6.310m), bastava percorrer uma encosta lisa de neve, atualmente penitentes com mais de 3 metros de altura dificultam o caminho.

Agora volto ao ritmo agitado das palestras, que estão garantindo a continuidade do Projeto Mundo Andino. Semana que vem estarei em São Paulo, também para retomar os trabalhos da edição do meu novo livro, que trará as mais belas fotos de toda a minha carreira de alpinista, e, com certeza, será lançado oficialmente no segundo semestre de 2014.

Vejam nas fotos desta atualização como foram as escaladas do Cotopaxi e do Chimborazo, além das outras montanhas que desfrutei no Equador neste início de ano.

Que 2014 seja mais um ano especial em sua vida!
Que cada montanha escalada nos traga novas amizades e a sabedoria necessária para tornar o mundo um lugar melhor para todos!


Super abraço,

Waldemar Niclevicz
www.niclevicz.com.br