Cabeça de Boi. Conheça essa vila aos pés da Serra do Espinhaço!
da redação, Texto e Fotos: Tom Alves
23 de agosto de 2013 - 20:10
 
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  • Foto: Tom Alves
    Por do Sol na vila Foto: Tom Alves
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    Em volta dessa praça se distribui o lugarejo. " Foto: Tom Alves
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    Ao amanhecer, o sol doura as montanhas." Foto: Tom Alves
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    Cachoeira do Entancado. " Foto: Tom Alves
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    Psicobloc na Cachoeira das Maçãs. " Foto: Tom Alves
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    Córrego do Entancado." Foto: Tom Alves
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    Praias de rio e águas perfeitas para o banho." Foto: Tom Alves
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    Rio Preto do Itambé." Foto: Tom Alves
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    Seu Agostinho e sua viola." Foto: Tom Alves
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    Cachoeira dos Borges." Foto: Tom Alves
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    Vista da Serra do Lobo, na chegada da cidade" Foto: Tom Alves
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Por do Sol na vila. Foto: Tom Alves

 

“Uma praça, uma capela e algumas casinhas ao redor.
Envoltas por montanhas e povo acolhedor,
verdadeiros tesouros de Minas.”


Dirija-se a Minas Gerais, município Itambé do Mato Dentro. Siga mais 9 km por uma estrada de chão batido que eu diria, cenográfica. Você chegará numa praça, com sua igrejinha e algumas casas ao redor. A venda, os bares, o campinho de futebol. No horizonte, por todos os lados, serras com nome de bicho ou de planta, donde escorrem cachoeiras a se perder a conta. Esse é o povoado Santana do Rio Preto, mais conhecido como Cabeça de Boi.

As serras referidas são: a do Lobo, da Cabeça de Boi, do Palmital e a do Cipó. Sim, a famosa Serra do Cipó. Porém por sua face leste, vertente que drena para a bacia do Rio Doce, bem menos conhecida que a oposta. Mas de comparável beleza.

No povoado, algo como 100 moradores. Mais um lugar em que o tempo parece andar devagar, se alongando nos dedos de prosa na praça, assuntando se o cafezinho e a broa de fubá da Dona Fátima do seu Zé Agostinho já estão à mesa, ou se as saborosas bananas verdes fritas da Geralda, a do Vicente, ainda não foram devoradas pelo Otávio, o filho caçula. Interior é assim. Em Minas e acho que em todo canto. O nome da esposa quase sempre vem atrelado ao do marido. Como a Dona Maria do Seu Zé Dolina, a Conceição do Seu Neném e por aí vai.

E essa calmaria toda só muda um pouco nos feriadões, onde pessoas da capital e cidades próximas, em busca de contato com natureza e relaxamento, procuram uma casa de aluguel ou pousada por lá. Mas felizmente, nada que comprometa o clima e a energia boa da vila.

E o que exatamente esses turistas podem curtir durante o dia na região? Caminhadas diversas, em uma área de cerrado e muitas matas ciliares, trilhas de btt (bicicletas todo terreno, porque mountain bike é termo pra gringo, ora bolas!), banhos de rios, como no das Posses, do Peixe, do Entancado e Preto do Itambé, dezenas de incríveis cachoeiras, tudo muito bem preservado, pois grande parte desses ditos locais se encontra na APA (Área de Preservação Ambiental) Morro da Pedreira, funcionando como região de amortecimento do Parque Nacional da Serra do Cipó.

Ao cair da tarde e caminhar da noite, novos espetáculos, agora na vila. Os últimos raios de sol refletindo nas serras e nuvens circundantes formam nos dias claros uma cena mágica. Recomendo até que se faça isso sentado num banco da praça. A vista é panorâmica. E de frente para a Pedra da Jacuba, onde já à noitinha, luzes avermelhadas podem ser vistas tentando vencer a serra. Certamente resquícios de iluminação de alguma cidade não muito distante. O resultado é incrível.

Depois corra para o restaurante do Vicente, pergunte pela janta. É claro que ele irá dizer que você chegou tarde, provavelmente ficará sem comida, mas verá se ainda sobrou algo nas panelas. O suspense é todo charme. Rapidamente Geralda entra em cena, põe mais lenha no fogão, pica a couve tão fininha como só ela sabe, prepara na hora a salada e com aquele sorriso matuto, Vicente lhe diz: deu sorte, moço. Você não tem jeito mesmo!

Esse é o Vicente, sujeito que à primeira vista pode parecer de pouco papo, ou mal humorado, mas conheça-o melhor, verá que é justamente o contrário. Um piadista de marca maior. Só tome cuidado com as pimentas que ele jura serem fraquiiiinhas!

Antes de dormir, confira o movimento no bar do Seu Zé Agostinho. Se der um pouco de sorte, ele irá tocar na viola elétrica modas caipiras, encantando a todos que as ouvem. Só não insista. No interior, tudo tem seu tempo, sua hora certa de acontecer, naturalmente.

E após a sessão musical, puxe papo, ouça com muita atenção as tímidas, mas sábias palavras, sempre naquele tom calmo e voz baixa. A simpatia, serenidade e simplicidade desse senhor representam pra mim a mais bela essência do povo sertanejo.

Todas as vezes que me despeço da vila, volto pensando: “Cabeça de Boi é mesmo um lugar muito especial”. E olha que conheço tantos lugares impressionantes...

Por tudo isso relatado, digo que meus dias vividos lá são sempre eternos.
Fico por aqui, deixo essa frase do mestre Guimarães Rosa.

"Penso que chega um momento na vida da gente em que
o único dever é lutar ferozmente por introduzir no topo
de cada dia, o máximo da eternidade..."


Inté a próxima,
Tom