Ascensão ao Vulcão Lanín
da redação, Texto e Fotos: Tom Alves
30 de abril de 2012 - 23:10
 
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  • Subindo pela Espina de Pescado
    Subindo pela Espina de Pescado Foto: Tom Alves
  • Trecho conhecido com Camiño de Mulas
    Trecho conhecido com Camiño de Mulas" Foto: Tom Alves
  • O refúgio, a 2315 metros
    O refúgio, a 2315 metros Foto: Tom Alves
  • Uma bela vista para o lago Tromen, ao entardecer
    Uma bela vista para o lago Tromen, ao entardecer Foto: Tom Alves
  • Amanhecer do segundo dia
    Amanhecer do segundo dia Foto: Tom Alves
  • Os primeiros raios de sol colorindo a montanha
    Os primeiros raios de sol colorindo a montanha " Foto: Tom Alves
  • Ritmo cadenciado, lento e constante
    Ritmo cadenciado, lento e constante Foto: Tom Alves
  • Alguns trechos apresentavam inclinação de quase 45 graus
    Alguns trechos apresentavam inclinação de quase 45 graus Foto: Tom Alves
  • Próximos do cume
    Próximos do cume Foto: Tom Alves
  • Ataque final
    Ataque final Foto: Tom Alves
  • No cume do Lanín, mirando o Norte, porção Argentina
    No cume do Lanín, mirando o Norte, porção Argentina Foto: Tom Alves
  • Vista da porção Chilena e o vulcão Villarica, em Pucón
    Vista da porção Chilena e o vulcão Villarica, em Pucón Foto: Tom Alves
  • Início da descida
    Início da descida Foto: Tom Alves
  • Descendo 2.700m, em 7 horas
    Descendo 2.700m, em 7 horas Foto: Tom Alves
  • Adeus ao Lanín, visto da entrada do Parque Nacional Lanín
    Adeus ao Lanín, visto da entrada do Parque Nacional Lanín Foto: Tom Alves
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Subindo pela Espina de Pescado Foto: Tom Alves

 

Visitar a bela San Martin de Los Andes, na Patagônia Argentina, além de trekkings e trilhas de bicicleta, me propiciou a realização de um desejo antigo: a ascensão ao cume do famoso Lanín, vulcão situado na fronteira desse país com o Chile.

Aproveitando uma super favorável janela de tempo, na fria madrugada do dia 14 de março, saímos eu, o fotógrafo Luiz Cruz e nosso guia, Benjamín Poggi, da cidade de San Martin em direção à portaria do Parque Nacional Lanín. A rota traçada era a face norte do vulcão, onde alcançaríamos o ponto mais alto da montanha (3.776 mts) em 2 dias, sendo uma pernoite em refúgio, situado a 2.315 mts.

Logo nas primeiras horas de luz desse dia já iniciávamos a caminhada, num dia realmente belo. Céu azul, praticamente sem nuvens. Era tudo o que pedíamos.

A trilha começa praticamente plana, cruzando um pequeno bosque de lengas, árvores típicas da região. Daqui pra frente, nem mais uma árvore e o cenário muda para uma constante caminhada sobre rochas e/ou gelo.

A trilha do primeiro dia apresenta um desnível de aproximadamente 1.200 metros, que vencemos em cerca de 5 horas de extenuante caminhada. O relevo inclina-se bastante a partir do trecho conhecido como Espina de Pescado, um longo trecho caminhando no estreito cume de uma moraina, até que se toma outra trilha à direita, o Camiño de Mulas, repleto de rochas sobrepostas, muitas delas soltas, tornando ainda mais difícil a dura ascensão.

Chegando ao abrigo, uma boa pausa para almoço, descanso e algumas horas de sono, pois o dia seguinte nos demandaria muita energia.

Às 2 da manhã já estávamos de pé, sob um frio absurdo. Após um rápido lanche, em poucos minutos recomeçávamos nossa Via Crucis. Por volta de 2.600 metros de altitude atingimos definitivamente a linha de gelo e paramos para fixar os grampões em nossas botas. Neste momento já sentíamos calor em virtude da árdua subida. Apesar do cansaço, o simples fato de saber que estávamos cada vez mais próximos de nosso objetivo nos deixava tranquilos. Somando-se a isso, a noite era linda, completamente estrelada e sem ventos. Definitivamente as condições climáticas andavam a nosso favor.

Montanha acima, a progressão se tornava cada vez mais extrema e por isso era necessário economizar energia. Caminhando num ritmo lento e constante, pontuado por nosso experiente e calmo guia, seguíamos silenciosos, num zigue-zague sem fim. Por horas subimos ouvindo somente o repetitivo e compassado ruído de nossa marcha e dos grampões penetrando a neve. De tempos em tempos, Benjamín se voltava para nós e perguntava: “Chicos, cómo están? Bien?” Respondíamos “si, muy bien”, mesmo sabendo que isso não era bem verdade.

O dia amanhecia e beirávamos os 3 mil metros de altitude. Meus músculos iam se acostumando com a caminhada, o fator emocional também ajudava bastante. Por alguns momentos pensei que não seria tão difícil alcançar o cume. Ledo engano. Apesar de não estarmos tão altos e eu já ter experiência em altitudes muito superiores, um problema muito conhecido e temido pelos montanhistas aos poucos começou a incomodar. O mal da altitude. Tanto que os últimos 300 metros foram vencidos na base da raça, pois meu corpo se tornava cada vez mais fraco e a cabeça queria explodir de dor. Felizmente, tudo deu certo e aproximadamente 7 horas após nossa partida desde o refúgio, alcançamos os 3.776 metros de altitude do Lanín. Por vários minutos me mantive sentado, recobrando energias. Sem fotos, sem palavras. Acredito que cheguei, pela primeira vez, bem próximo de meu limite físico.

Um pouco mais descansado, pude desfrutar do local. A vista dali é magnífica, pudemos mirar vários vulcões, como o Villarica e o Quetrupillán, além de muitos lagos, como o Tromen e o quase impronunciável Huechulafquen.

Nosso caminho de descida, como já esperado, não foi nada fácil. Baixamos aproximadamente 2.700 metros nesse mesmo dia, até o estacionamento de veículos. Um verdadeiro martírio para quaisquer joelhos.

Apesar de todo o esforço e cansaço, a sensação não poderia ser outra ao término dessa jornada: a de missão cumprida!
Gostaria de agradecer a todos aqueles que me apoiaram nesse objetivo, como a Secretaria Municipal de Turismo de San Martin de Los Andes, a operadora Andestrack e nosso grande guia Benjamín Poggi, na logística e viabilização dessa ascenção, e a Liofoods, no fornecimento de alimentação liofilizada de primeiríssima.