Orizaba, a montanha mais alta do México
Texto: Milton Marques
22 de outubro de 2013 - 10:27
 
 
 
  • Foto: Milton Marques
    Henrique e Erick a caminho do Cume. Foto: Milton Marques
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    Orizaba visto desda estrada de acesso." Foto: Milton Marques
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    Refúgio Piedra Grande." Foto: Milton Marques
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    Nascer do sol no glaciar" Foto: Milton Marques
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    Henrique e Erick caminhando no Glaciar." Foto: Milton Marques
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    As cores da manhã." Foto: Milton Marques
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    A distância parecem dois ponto no glaciar. " Foto: Milton Marques
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    Henrique e Erick na borda da Cratera. " Foto: Milton Marques
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    Bordas da Cratera do Orizaba.e" Foto: Milton Marques
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    Bordas da Cratera do Orizaba. " Foto: Milton Marques
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    Vista do Cume." Foto: Milton Marques
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    Milton e Erick no cume do Orizaba (5.670m) " Foto: Milton Marques
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    Descida do cume rumo ao vale. " Foto: Milton Marques
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    Vista do Glaciar. " Foto: Milton Marques
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Henrique e Erick a caminho do Cume. Foto: Milton Marques

 

Cheguei ao aeroporto da Cidade do México em uma tarde de outubro de 2011. Tinha combinado de encontrar com alguns amigos da Outward Bound México que juntos íamos trabalhar dias depois em um curso. Teríamos três dias antes do trabalho para nos deslocar até o Orizaba, tentar subir no seu cume e voltar para o Valle do Bravo onde está a escola e local de nosso trabalho.

O Pico do Orizaba é um vulcão extinto localizado nos limites territoriais dos estados de Puebla e Vera Cruz. Com 5.670 metros sobre o nível do mar é o vulcão e a montanha mais alta do México e a terceira montanha, mas alta da America do norte só superada pelo Monte Mckinley no Alaska e o Monte Logan no Canadá. Em sua parte superior, existe uma cratera de 470 metros de diâmetro e 300 de profundidade a qual forma a chaminé principal do vulcão e seu cume esta localizada em um dos lábios da cratera mais alto. Esta montanha também conta com um glaciar permanente de mais de 1km de comprimento.

Saímos durante a noite do DF (Distrito Federal) sentido a cidade de Vera Cruz. Passamos por vários povoados até chegarmos a Tlachichuca, este é o ultimo povoado ou civilização antes de entrar no bosque que está na base da montanha. Neste lugar fizemos uma parada técnica para comprar algumas coisas para comer no jantar e café da manhã na próxima madrugada.

Deixamos atrás Tlachichuca e nos dirigimos a um bosque de pinos, muito bonito apesar de ser uma área de reflorestamento. Seguimos subindo por uma estrada de terra em mal estado. Apesar de estarmos em um veiculo 4x4 o caminho se mostra difícil, mas no final, conseguimos superá-lo. Chegamos a um vale onde pudemos de longe ver o Pico do Orizaba completo e em uns minutos mais estamos no refúgio Piedra Grande.

O refúgio é bem grande, creio que cabem mais de 50 pessoas e também há bastante espaço para cozinhar. É cômodo chegar até o refúgio em carro, da à possibilidade de levar o que quiser para cozinhar e não ter que encontrar espaço na mochila para colocar as coisas. Na verdade não estou acostumado com essas mordomias e quando estávamos lá me lembrei de um monte de coisas que poderia ter trazido para comer.

Estávamos sozinhos no refúgio só apareceu um grupo de turista que vinha conhecer o refúgio e depois foram embora.
Henrique e Erick saíram para aclimatar fazendo uma caminhada a base do glaciar da montanha e aproveitaram para fazer algumas práticas de técnicas de detenção de queda no glaciar.

Eu vinha de uma noite mal dormida no avião e de estar viajando muito as últimas semanas. Acabava de voltar do Cotopaxi (5.897m) e Chimborazo (6.268m) no Equador estava mais que aclimatado só necessitava de uma boa noite de sono. Só acordei porque estava com fome, aproveitei para sair um pouco, tirar algumas fotos e ver como estava o clima. Como a noite ia ser curta voltei para minha siesta para carregar as baterias para o dia seguinte.

Meu relógio tocou as 4 h, nos vestimos, preparamos o equipo, comemos algo e as 5 h saímos do refúgio rumo ao cume.
A noite estava clara, graças a lua que estava quase cheia, pudemos caminha um bom tempo sem as lanternas. O clima estava perfeito, não havia vento e não fazia tanto frio.

A primeira parte do caminho é feita seguindo as ruínas de um antigo aqueduto que serve de caminho até que se termina e começa um terreno de pedra com alguns manchões de neve ou gelo no qual podemos cruzar sem os crampons.

Ao chegar a um labirinto de pedras notei que subíamos bem rápido. Henrique e Erick se adiantaram, eu subia, mas tranqüilo fazendo algumas fotos um pouco mais atrás. A partir deste ponto tudo estava coberto de neve, parecia que fazia pouco tempo que havia caído. O melhor é que a neve não estava congelada, e com isso não tivemos que colocar os crampons neste trecho, permitindo manter nosso ritmo de ascensão.

O sarcófago é uma barriga grande na base onde se inicia o glaciar. Nesta parte da montanha o terreno ficou mais inclinado e a temperatura baixou muito. Paramos e colocamos os crampons e nossos equipamentos técnicos. Estávamos a 5.000m resolvemos aproveitar a parada e comer alguma coisa calórica (chocolate, frutas secas) para repor um pouco as forças antes de encarar o glaciar.

As condições do gelo do glaciar eram boas e apesar do frio e a altura, tínhamos um bom ritmo. O dia estava nascendo e eu aproveitei para tirar muitas fotos sabia que este momento de luz perfeita nunca se repetiria. Isso acontece muito na montanha, se perder o momento perdeu a imagem. As pessoas me parabenizam pelas fotos que tiro em minhas expedições, mas não imaginam a dificuldade que é fazer uma boa foto na montanha quando está muito frio ou quando há muito vento.
Atravessamos uma região de greta que estavam tapada, logo após isso a montanha mudou, o gelo se converteu em algo muito mais duro. Mas depois de quatros horas de subida, finalmente chegamos a borda da cratera. Quando cheguei, Henrique e Erick já estavam sentados e se hidratando e renovando as forças.

Agora faltava bem pouco, se notava as bordas da cratera que levava ao cume. Descansamos uns minutos ali, admirando a vista do vale, onde estava o refúgio e boa parte do glaciar por onde subimos.

Aos poucos fomos subindo em direção ao cume, a luz e a vista era perfeita e aproveitei para fazer mais fotos.
Ao chegarmos ao cume, a vista de 360 graus era impressionante, não havia nada mais alto ao nosso redor, estamos parados no ponto mais alto do México (5.650m).

Podia ver várias das montanhas mais altas do México, meus amigos iam identificando cada uma delas: Cofre de Perote, La Malinche, El Izta, El Popo entre outros e aos meus pés a enorme cratera do Orizaba.

Depois de muitas fotos e de cumprimentar meus amigos, decidimos começar a descida para não ficar muito tarde e ainda neste dia seguir em direção ao Valle Del Bravo. Também é importante recordar que o cume é só metade do caminho de uma montanha. E que a maioria dos acidentes acontece na decida. Eu mesmo tinha vivido esta situação há um ano e meio atrás, quando em uma travessia de esqui pelo Cerro Tronador, quebrei a perna em um trecho de descida onde falta muito pouco para estar em local seguro.

Nossa descida foi tranquila, o glaciar tinha uma luz incrível, durante todo o caminho parei para fazer fotos. Com o clima bom pode-se ver o refúgio em quase todo o trecho de descida. Isso é bom para poder controlar seu ritmo de descida.

O lugar é incrível, totalmente recomendável para quem está de viagem marcada para o México. Voltamos ao refúgio, guardamos nossas coisas, e satisfeitos, orgulhosos por ter subido a montanha mais alta do México, fomos trabalhar.