Caminho dos Diamantes, Estrada Real
da redação: Aman Morbeck
16 de maio de 2012 - 23:00
 
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  • Foto: Amandina Morbeck
    Ao longo do caminho, os marcos ajudam na orientação do visitante, como esse à direita. Foto: Amandina Morbeck
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    Em Diamantina, os bikers se preparam para dar início ao pedal. " Foto: Amandina Morbeck
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    Bicame de pedra, antigo aqueduto feito por escravos. " Foto: Amandina Morbeck
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    Algumas partes do Caminho dos Diamantes têm estradas como essa. " Foto: Amandina Morbeck
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    Em muitos trechos, o "movimento" na estrada vem da circulação de animais. " Foto: Amandina Morbeck
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    Socorro na hora certa para consertar a bike e seguir em frente. " Foto: Amandina Morbeck
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    Trecho entre Diamantina e São Gonçalo do Rio das Pedras. " Foto: Amandina Morbeck
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    Torre da igreja do Santuário do Caraça nas primeiras horas da manhã. " Foto: Amandina Morbeck
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    Igreja matriz de Nossa Senhora do Rosário no distrito de Cocais. " Foto: Amandina Morbeck
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    Paisagens como essa fazem parte do Caminho dos Diamantes. " Foto: Amandina Morbeck
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    Igreja da pequena São Gonçalo do Rio das Pedras. " Foto: Amandina Morbeck
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    A chegada a Tapera tem uma das paisagens mais bonitas do trajeto. " Foto: Amandina Morbeck
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Ao longo do caminho, os marcos ajudam na orientação do visitante, como esse à direita. Foto: Amandina Morbeck

 

O dia amanheceu com céu nublado em Diamantina, uma das belas cidades históricas mineiras onde havíamos chegado na noite anterior depois de deixar Belo Horizonte. Dali, começaria o projeto FAMBIKE - Caminho dos Diamantes nessa importante porção da Estrada Real, que deveria ser finalizado em Ouro Preto.

Estávamos ali, ciclistas e profissionais da mídia de vários Estados, a convite do Instituto Estrada Real, entidade sem fins lucrativos com sede em Belo Horizonte, criada em 1999 pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Ele é responsável pela manutenção e pela divulgação dos quatro caminhos que fazem parte da Estrada Real (Velho, Novo, dos Diamantes e dos Sabarabuçu). O intuito era apresentar o potencial turístico do Caminho dos Diamantes para cicloturismo - e também para off-road, cavalgada e caminhada.

Minas Gerais é famosa por suas paisagens, geralmente um mar de montanhas, e por seu relevo composto por subidas e descidas, com poucas áreas planas. E não foi diferente no Caminho dos Diamantes, que abriga o Parque Nacional da Serra do Cipó, trecho da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço. De seus 350 km, 200 km foram vencidos no pedal - e o restante em traslados em veículo por causa do tempo restrito para realização de todo o trajeto.

Nosso grupo, formado por 14 pessoas (sendo 9 ciclistas), começou a aventura partindo do centro histórico de Diamantina logo após o café da manhã e passou, ao longo dos cinco dias, por São Gonçalo do Rio das Pedras, Milho Verde, Serro, Alvorada de Minas, Itapanhoacanga, Tapera, Conceição do Mato Dentro, Morro do Pilar, Itambé do Mato Dentro, Cocais, Santa Bárbara, Brumal, Catas Altas, Caraça, Morro da Água Quente, Santa Rita Durão e Mariana, até finalizar na Praça Tiradentes em Ouro Preto.

Eu deveria pedalar também, mas acabei optando por seguir no carro de apoio para ter mais oportunidades para fotografar, filmar e coletar informações para compartilhar depois.

O Caminho dos Diamantes, como os outros que fazem parte da Estrada Real, tem marcos de cimento enterrados a cada 2 km para guiar o visitante. Na estrada ou na cidade, é preciso observar o lado em que ele estiver enterrado, que indica a direção para onde se deve virar ou seguir (direita, esquerda ou em frente).

Ao longo dele, o viajante se vê cercado por árvores, por belas paisagens, por fazendas, por montanhas ou por vegetação rasteira, mas em alguns trechos também por marcas deixadas por mineradoras - mas felizmente a área preservada é bem maior.

Há pouca sombra pelo caminho e o sol, mesmo na época mais recomendada para a realização desse percurso - de maio a agosto, ou seja, no inverno -, não dá moleza. Quem costuma viajar sozinho pode realizar o trajeto sem problemas, mas pessoalmente sempre sugiro que se tenha companhia para atividades como essa.

Por onde passamos nesses cinco dias, principalmente nos pequenos vilarejos, fomos bem recebidos pelas pessoas, curiosas para saber quem éramos, de onde vínhamos e por que estávamos ali. Além das cidades históricas de maior destaque, como Diamantina, Serro e Santa Bárbara, mesmo nas menores há igreja(s), monumento(s) ou pequenos museus que valem a pena ser visitados, como o do Tropeiro em Ipoema e o Fernando Toco em Cocais. E tem também cachoeiras e pinturas rupestres, como a Pedra Pintada também em Cocais.

O Santuário do Caraça, localizado na bela Serra do Caraça, faz parte dos atrativos da Estrada Real e lá dormimos uma noite, quando tivemos a oportunidade de admirar aquele patrimônio maravilhoso, cuja construção começou por volta de 1770. Ao redor do complexo principal (igreja, dormitórios, cozinha, restaurante, recepção e biblioteca) existe uma vegetação intocada que abriga nascentes, cachoeiras e trilhas. Uma das atrações ali, além do ambiente natural e do significado histórico, é assistir às visitas noturnas de lobos-guarás que vêm em busca de comida - e tivemos a oportunidade de vê-los naquela noite.

Outro local incrível é a Serra da Piedade, a 1750 m de altitude, no município de Caeté. Do seu topo, onde se encontram um restaurante panorâmico e a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, se tem 360 graus de vista, avistando-se até Belo Horizonte.

Adorei ter conhecido essa parte de Minas Gerais trilhando um caminho com tantas histórias. Andar por ele e interagir com as pessoas que foram convidadas para o projeto projeto e também com aquelas que encontramos ao longo dele foi realmente especial. Conheci também um pouco do artesanato, experimentei comidas típicas e doces, visitei belezas naturais, museus e construções históricas e voltei com uma vontade enorme de voltar com mais tempo e também de conhecer os outros caminhos.

Por isso o recomendo a você. Fazer turismo de forma responsável é uma forma de contribuirmos para a preservação histórica e também para o desenvolvimento sustentável dos lugares pelos quais passamos. Conheça mais do nosso país. Há muito o que ser visto e vivenciado.




Mais informações sobre o Caminho dos Diamantes
- Importante a partir de 1729 para escoar as pedras preciosas exploradas em Diamantina;
- Há sete unidades de conservação em seu entorno (parques estaduais do Rio Preto, de Biribiri, do Itambé, da Serra da Candonga, da Serra do Rola-Moça e do Itacolomi, além do Parque Nacional das Sempre-Vivas;
- 74% de seus 350 km é em estrada de terra, geralmente com pouco trânsito (à exceção das áreas que concentram mineradora);
- A parte asfaltada requer atenção por não ter acostamento;
- Por questão de segurança, minha recomendação é que o viajante evite pedalar, dirigir, caminhar ou cavalgar por ele durante a noite;
- Em quase todo o percurso há cobertura da operadora Oi; nas cidades, meu Vivo 3G funcionou perfeitamente;
- O Instituto Estrada Real disponibiliza planilhas em seu site para a realização desse trajeto - www.estradareal.tur.br/caminho-diamantes.


Apoio durante o percurso
O apoio durante todo o trajeto foi feito em 4x4 pela Nerea, empresa que atua no atendimento pré-hospitalar em eventos e tem sede em Belo Horizonte. No veículo estava inclusive uma enfermeira. Felizmente, ninguém precisou ser atendido, mas ter esse serviço em todo o percurso trouxe mais tranquilidade para todo o grupo.