Terminou a busca pelos alpinistas Daniele Nardi e Tom Ballard, que estavam desaparecidos no Nanga Parbat desde 24 de fevereiro.
A equipe de resgate foi liderada pelo basco Alex Txikon, junto aos espanhóis Felix Criado e Ignacio De Zuloaga transportados do K2 com helicópteros e os paquistaneses Ali Sadpara e Rahmat Ullah Baig, além de um médico, Dr. Josep Sanchis.
Foram dias intensos de buscas. Os helicópteros, no entanto, graças aos esforços do Embaixador italiano, Stefano Pontecorvo em Islamabad, continuaram a voar mesmo após o Paquistão fechar seu espaço aéreo devido o aumento das tensões com a Índia sobre a região de Kashmir.
De acordo com as últimas observações feitas com o telescópio e com base nas inspeções realizadas no Mummery por Alex Txikon e sua equipe, os corpos dos dois alpinistas estão localizados um pouco acima do acampamento 3 do Nanga Parbat, a cerca de 5.900 metros.
Dada a posição, cada missão neste momento seria uma tarefa extremamente perigosa. Na área entre C2 e C3, o risco de avalanche é muito alto. Infelizmente, é muito difícil recuperar os corpos antes da próxima temporada de inverno.
Nardi, italiano, 42 anos, de Sezze, província de Latina no Lazio, tinha um filho de seis meses, Mattia. Ele já havia escalado cinco montanhas acima de oito mil metros, como diz em sua biografia “o primeiro italiano a nascer abaixo do Po a ter escalado Everest e K2”, escalou também o Broad Peak, Nanga Parbat, Shisha Pangma e esta foi a sua quinta expedição no Nanga Parbat. A montanha, de certa forma pelo esporão Mummery, tornou-se uma idéia fixa e um sonho “impossível” de Nardi, seguido em duas tentativas anteriores em 2013 e 2015, criticado e descrito como impossível segundo os maiores nomes do Alpinismo. Nardi também foi reconhecido como Embaixador dos Direitos Humanos, apoiou projetos de solidariedade no Nepal e no Paquistão. Juntamente com a Associação de Arte e Cultura para os Direitos Humanos, promoveu a campanha da Juventude Mundial com o objetivo de divulgar os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos para os jovens de todo o mundo.
Ballard, inglês, 30 anos, um montanhista experiente, em 2015, tornou-se o primeiro a escalar todas as seis faces norte dos Alpes em uma única temporada de inverno. A sua morte atingiu particularmente o Reino Unido, por ser filho da alpinista inglesa Alison Hargreaves, a primeira mulher a escalar o Everest sozinha. Alison escalou o Eiger quando estava grávida de seis meses de Ballard, morreu aos 33 anos quando desceu do cume do K2.
Importante destacar a questão diplomática, em situação de emergência de um compatriota no estrangeiro uma das primeiras pessoas a agir é o embaixador, neste caso o Sr. Pontecorvo, Embaixador italiano no Paquistão, que inclusive esteve com Daniele em dezembro, e o descreve como um jovem apaixonado, que se ilumina quando fala sobre montanhas, querido e apreciado no Paquistão, onde fez muito o bem. Nos últimos dias o Embaixador teve de gerir uma situação diplomática difícil onde o montanhismo se mistura com a situação política delicada criada após a derrubada de duas aeronaves indianas pelo exército paquistanês. Uma faísca de uma guerra que exigia uma super dose de trabalho diplomático para liberar os helicópteros que permitiu iniciar o trabalho de busca.
O Nanga Parbat é a nona montanha mais alta do mundo. Assim como o Annapurna e K2, há um alto grau de risco para aqueles que tentam o cume. Por sua história dramática e taxa de mortalidade, cerca de 30%, é chamada de "a montanha assassina”.
Foi escalado com sucesso apenas duas vezes no inverno: a primeira em 2016 pelo italiano Simone Moro e sua equipe, e no ano passado por dois montanhistas, o polonês Tomek Mackiewicz, que morreu na descida, e a francesa Elizabeth Revol, viva graças aos esforços de uma equipe de resgate composta por alpinistas experientes e aclimatados, transportados do K2 com helicópteros. No caso de Daniele Nardi e Tom Ballard, a tentativa foi repetida, mas infelizmente não havia mais nada a fazer.
Segue abaixo o comunicado oficial da família de Nardi e o report completo do Alex Txikon sobre a busca.
“Estamos devastamos por informar que a busca por Daniele e Tom terminou. Uma parte deles permanecerá para sempre no Nanga Parbat. A dor é forte; diante de fatos objetivos e, depois de fazer todo o possível para a busca, devemos aceitar o que aconteceu.
Agradecemos a Alex, Ali, Rahmat e toda a equipe de resgate, às autoridades paquistanesas e italianas, aos jornalistas, aos patrocinadores, a todos os amigos que demonstraram tanta colaboração e generosidade.
A família se lembra de Tom como um amigo competente e corajoso de Daniele. Nossos pensamentos vão para ele.
Daniele continuará sendo marido, pai, filho, irmão e amigo, perdido por um ideal que, desde o início, aceitamos, respeitamos e compartilhamos. Gostamos de lembrar como você realmente é: amante da vida e das aventuras, escrupuloso, corajoso, leal, atento aos detalhes e sempre presente em momentos de necessidade.
Mas acima de tudo, gostamos de lembrar de suas palavras: “Eu gostaria de ser lembrado como um cara que tentou fazer algo incrível, impossível, mas que não desistiu e se eu não retornar a mensagem que vem ao meu filho é esta: não pare, não desista, ocupe-se porque o mundo precisa de pessoas melhores para fazer da paz uma realidade e não apenas uma idéia… vale a pena fazer.”
família de Nardi
Namastê
Roberta Abdanur





