Extremos
 
A UIAA é contra estruturas fixas na rota do Everest
 
da Redação: Elias Luiz - Fonte: Desnivel
12 de novembro de 2014 - 9:43
 
 
Em amarelo a simulação das escadas fixas de aço no Escalão Hillary, um dos pontos mais difícies da escalada do Everest.
Arte: Elias Luiz - Foto: Divulgação
 

A Assembléia Geral da UIAA concluiu com uma declaração, ser contra as estruturas permanentes no Everest, os sherpas queriam instalar escadas no Escalão Hillary na rota normal da face sul do Everest.

Antes do início da temporada de escaladas do Everest deste ano, que acabaria prematuramente e tragicamente por causa da avalanche que tirou a vida de 16 sherpas na cascata de gelo, as autoridades nepalesas fizeram várias iniciativas públicas para tentar resolver alguns dos problemas do Everest. Um dos mais controversos foi o anúncio de que os Sherpas poderiam instalar escadas no Escalão Hillary, para evitar as aglomerações de montanhistas no ponto mais crítico da rota normal, na face sul, localizada a cerca de 8.760 metros acima do nível do mar.

A Federação Internacional de Montanhismo e Escalada (UIAA) divulgou uma declaração em sua Assembléia Geral, realizada no mês passado em Flagstaff (Arizona, EUA). As diferentes federações e membros do organismo internacional votaram contra a construção de estruturas permanentes para ajudar a quem quer escalar os 8.848 metros do Everest.

Em comunicado a UIAA informa a sua posição que constata que "um número crescente de pessoas do mundo todo continuam tentando escalar o Everest, a montanha mais alta do mundo, e os acidentes na montanha, muitas vezes resultando em muitas mortes tanto de alpinistas como de sherpas que os guiam, levantaram uma atenção urgente sobre o problema dos congestionamentos".

A continuação, deste comunicado prossegue dizendo que "o governo do Nepal recentemente levantou a ideia da instalação de escadas de aço e cordas fixas no Escalão Hillary para reduzir o congestionamento da rota até o cume. O Escalão Hillary é um impressionante muro de rocha de 12 metros situado a 8.760m e o desafio final antes do cume".

O texto aprovado pelas federações ligadas a UIAA é o seguinte:

Como um dos pontos de referência icônica no mundo, o Everest pertence a toda a humanidade. Portanto, a escalada desta magnífica montanha deve ser reservado para aqueles que adquirem a capacidade e as experiências necessárias de atingir o ponto mais alto do mundo.

Portanto, a UIAA não apoia a adição de estruturas permanentes nas rotas de escalada, já que isso tiraria o valor a escalada, acaba com o sentido de aventura e incentivaria o abuso deste lugar sagrado chamado Monte Everest.

De qualquer forma, o presidente da UIAA, Frits Vrijlandt reconhece que a decisão final sobre a possibilidade de instalar estruturas permanentes perto do cume do Everest, é do governo do Nepal. "O Everest é um Patrimônio da Humanidade e é, portanto, universalmente importante, não só para o povo do Nepal, mas para todo mundo", disse Vrijlandt, acrescentando que "a declaração da UIAA representa o ponto de vista dos alpinistas e montanhistas de todo o mundo que sentem um forte amor e respeito pela montanha mais alta do mundo, e eles esperam que o governo nepalês leve isso em consideração ".


Manoel Morgado deu a sua opinião ao Extremos sobre este caso das escadas fixas.

"Olá amigos! temos uma situação que não vai mudar e que traz muitos riscos para os que escalam o Everest, que é o grande número de escaladores na montanha. O Nepal tem como uma de suas únicas fontes de renda o turismo e o turismo de montanha em especial. As permissões de escalada são uma fonte importantíssima para este que é o décimo quarto mais pobre país do mundo. Então, não importa quantos escaladores se inscrevam para escalar o Everest, eles irão escalar. Isso gera um problema de segurança para todos já que o grande afunilamento da rota é o Escalão Hillary. Eu mesmo fiquei uma hora lá esperando para poder descer após ter chegado no cume. Por si só este escalão não é um problema na escalada, ninguém chega lá e desiste pois não consegue escalar esta parte. Ela é apenas lenta, pois subir seus 10 ou 12 metros de altura naquela altitude demora e só pode passar uma pessoa de cada vez. No Everest existem dezenas de escadas e elas sempre existiram, desde os tempos do Hillary (que alias usou oxigênio desde 6000 metros com grande satisfação, como ele mesmo relata em sua autobiografia). A cascata de gelo só pode ser superada com o uso de escadas sobre as cravasses e ninguém reclama disso. Na face norte do Everest há décadas que existem duas escadas fixas para se superar obstáculos como o do escalão Hillary. Na montanha inteira existem cordas fixas do campo base ao cume e também sempre foi assim. Então, me desculpem quem está indignado com isso, mas colocar duas escadas que acelerem a passagem dos escaladores por este obstáculo que como disse antes não impede ninguém de chegar ao cume e sim apenas atrasa a todos, para mim é uma medida sábia que pode melhorar um problema que veio para ficar que é o número excessivo de pessoas na montanha. Com ou sem escada, com ou sem oxigênio, o Everest é uma montanha dificílima de ser escalada, não por ser técnica já que ela não é, mas sim por sua extrema altitude. As escadas não vão fazer com que ninguém que não fosse chegar possa atingir o cume e não vão fazer a vida de ninguém mais fácil, apenas vão diminuir os congestionamentos que podem ser fatais no caso de uma mudança de tempo...E, claro, quem não quiser usá-las pode sempre escalar este pequeno trecho em rocha. E para quem quiser usá-las diminuirá o risco sem tirar uma fração da felicidade que é estar no topo do mundo! Abraços a todos e que todos possam continuar curtindo as montanhas, altas ou baixas, com ou sem oxigênio, com ou sem guias, com ou sem cordas fixas, como se sentirem competentes ou capazes. O que é importa é estar lá!!!"

_Manoel Morgado, direto da Tailândia