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Estrada Real ganha passaporte e guia turístico virtual
 
Texto: IER
20 de maio de 2014 - 9:46
 
Estrada Real passa a contar com passaporte no estilo do Caminho do Sol e Caminho de Santiago de Compostela.
 

Passaporte
O Instituto Estrada Real, de Minas Gerais, (IER) lançou no início deste mês o projeto Passaporte Estrada Real. Idealizado pelo IER nos mesmos moldes de trajetos conhecidos, como o "Caminho da Fé" (SP) e o "Caminho de Santiago de Compostela", o projeto-piloto foi iniciado no último dia 5 de maio.

O passaporte consiste em um caderno com formato similar ao documento utilizado em viagens internacionais e será entregue ao turista nos postos de coleta específicos, após o seu cadastro online. Com isso feito, basta que o viajante comece sua viagem a pé, de carro, a cavalo ou de bicicleta e receba os carimbos para obter seu certificado gratuitamente.

Guia turístico virtual
O site do Instituto Estrada Real (IER) passa a contar com um Sistema de Informações Turísticas Georreferenciado. Trata-se de um guia virtual completo e indispensável para quem vai visitar o histórico caminho turístico. Nele, o turista encontra atrações históricas e naturais, hospedagens e restaurantes das cidades que integram o destino turístico, como Ouro Preto, Tiradentes, Mariana, Paraty e mais dezenas de municípios. Em cada ponto catalogado há uma foto e descrição para apresentar o local.

O Sitgeo oferece um verdadeiro tour digital pela Estrada Real. Com ele, o turista pode conhecer melhor os lugares que vai visitar e planejar a viagem com segurança. O Sistema vem em uma interface amigável, da plataforma mais conhecida da internet, o Google Maps. O software aplica as informações turísticas na plataforma permitindo ao usuário gerar automaticamente seu itinerário personalizado, para uso gratuito, em frações de segundo. O usuário também pode fazer o upload de sua própria trilha para o Sitgeo, facilitando o registro e o compartilhamento do seu roteiro de viagem.

Para o responsável pelo projeto, o analista de sistemas do Instituto Estrada Real, Carlos Cavalcanti, a importância do SitGeo se dá pelo fato de ser disponibilizado ao usuário uma ferramenta que dê praticidade a vida do turista. “Toda viagem começa pela pesquisa na internet. Portanto, uma ferramenta que agregue todas as informações possíveis sobre um ponto turístico, além de sua visualização em mapa, facilita demais o planejamento da viagem. Influenciando também na escolha de seu destino, rota etc. É uma plataforma que permite ao viajante descobrir a Estrada Real, mesmo antes de sair de casa. É claro que nada tira a emoção da viagem em si, mas o turista conta com um guia virtual poderoso em suas mãos,” enfatiza.

Algumas ferramentas do Sitgeo

Explore as atrações: faz buscas pontuais nas cidades, explorando atrações naturais

e históricas, hospedagens e restaurantes.

Planeje seu roteiro: o turista cadastrado pode armazenar seu roteiro personalizado da sua viagem e compartilhá-lo com amigos. Ele pode mostrar o planejamento diário com informações sobre o trajeto e lugares escolhidos – número de dias da viagem, cidades a serem visitadas x dias, atrações escolhidas (com certeza, talvez, não vou), onde comer, onde ficar.

Após concluir o planejamento, o usuário pode salvar o roteiro em PDF e compartilhá-lo nas redes sociais, enviá-lo por e-mail e armazená-lo em sua área de usuário. Outra função disponível (Cadastre e compartilhe suas trilhas), pode-se cadastrar o perfil no sistema e criar sua área restrita. Nela, será possível armazenar suas trilhas, compartilhá-las com amigos, adicionar trilhas de outros usuários e tornar disponível o download das linhas de navegação para o GPS.

ESTRADA REAL

A Estrada Real é formada por quatro caminhos. Abertos oficialmente pela Coroa Portuguesa, estes caminhos ligam as antigas regiões das minas e das pedras preciosas, no interior do estado de Minas Gerais, ao litoral do Rio de Janeiro, passando ainda por São Paulo.

· Caminho Velho

Do mar às minas, soma 630 quilômetros. Saindo de Paraty, no litoral fluminense, passa pela Serra da Mantiqueira, pelo Circuito das Águas, por antigas vilas transformadas em cidades de médio porte e grande potencial turístico. A parada final é em Ouro Preto, ponto central da Estrada Real.

O Caminho Velho foi a primeira via aberta oficialmente pela Coroa Portuguesa para o tráfego entre o litoral fluminense e a região mineradora. A notícia da riqueza das minas fez com que fosse decretado como legal somente o Caminho Velho, instituindo crime de lesa-majestade quem adentrasse o interior do país sem passar pelos registros de fiscalização e controle.

· Caminho Novo

Os 515 quilômetros do Caminho Novo são os mais jovens da Estrada Real. Sua criação ocorreu em 1698, mas foi entre 1722 e 1725 que a rota estava finalmente definida. De Ouro Preto ao Rio de Janeiro, liga Minas Gerais ao mar da capital fluminense. Hoje, repleto de atrativos turísticos, guarda dezenas de vestígios da época mineradora, um verdadeiro convite para o viajante.

Aberto para ser alternativa ao Caminho Velho, devido às necessidades de recebimento de mais trabalhadores e equipamentos e do escoamento da crescente produção de ouro e diamantes, , o Caminho Novo guarda para os turistas uma série de elementos da época das bandeiras e das primeiras explorações do território. São túneis, chafarizes e fazendas, alguns hoje transformados em confortáveis meios de hospedagem, que resgatam construções e costumes dos séculos XVIII e XIX.

A Inconfidência Mineira é a principal marca histórica de uma série de municípios do Caminho Novo. As dificuldades, lutas e ideais defendidos pelos inconfidentes estão até hoje marcadas em locais como Conselheiro Lafaiete e Ouro Branco, em Minas Gerais, e Inconfidência, distrito de Paraíba do Sul, no estado do Rio de Janeiro, que guarda o Museu de Tiradentes.

· Caminho dos Diamantes

O Caminho dos Diamantes tem cerca de 350 quilômetros e liga Diamantina a Ouro Preto. Passou a ter grande importância a partir de 1729, quando as pedras preciosas de Diamantina ganharam destaque nas economias brasileira e portuguesa.

Além da história de seus municípios, da cultura latente e da gastronomia típica, o Caminho dos Diamantes destaca-se pela beleza natural. Abriga o Parque Nacional da Serra do Cipó – trecho da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço – e suas cachoeiras, paredões e serras que permitem atividades como canoagem, rafting, moutain bike, cavalgadas, escaladas e, claro, boas viagens de carro por estradas de terra, entre pequenas cidades e vilarejos, ricos em fauna e flora.

Seu entorno conta ainda com outras sete unidades de conservação. São os Parques Estaduais do Rio Preto, de Biribiri, do Itambé, da Serra da Candonga, da Serra do Rola-Moça e do Itacolomi, além do Parque Nacional das Sempre-Vivas. A paisagem do Cerrado, que marca toda a região, mescla vegetação de campos de altitude com zonas de transição para Mata Atlântica.

Próximo ao Caminho dos Diamantes, no município de Confins, está o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, importante elo entre cidades do sudeste brasileiro com diversas regiões do mundo.

· Caminho de Sabarabuçu

O Caminho de Sabarabuçu foi criado como uma rota alternativa entre o Caminho dos Diamantes e a cidade de Ouro Preto. Seus 160 quilômetros conectam os distritos de Cocais (Barão de Cocais) e de Glaura (Ouro Preto).

A curta distância é suficiente para abrigar lugares com muita história para contar. Há cerca de trezentos anos, as serras íngremes do trecho, cortadas por cursos d’água como o rio das Velhas, eram vistas como verdadeiros tesouros, onde seria possível achar ouro e outros metais preciosos. Essa crença devia-se ao brilho que a atual Serra da Piedade (antigo Pico de Sabarabuçu) tem. O que os bandeirantes imaginavam ser ouro é, na verdade, o minério de ferro do topo da montanha, que reflete a luz do sol.

O caminho segue margeando o rio das Velhas e tem a Serra da Piedade, do alto dos seus 1.762 metros, como um dos atrativos. Além da mítica história da serra que reluz, servia também como referência de localização para a chegada nas minas a partir de Raposos, Sabará e Caeté.