Extremos
 
O EDITOR ELIAS LUIZ
 
Diários de Viagem
texto: Elias Luiz
24 de março de 2009 - 0:01
 

"É normal que a gente se lembre de todos os roteiros que fizemos em determinada viagem, mas os detalhes são os diários que guardam... "
 
  Elias Luiz  

Por muitos e muitos anos procurei o diário de viagem ideal para um mochileiro. Cheguei a utilizar alguns que comprei em lojas de varejos e livrarias, mas sempre estiveram longe do que eu achava ideal. Há de se deixar registrado que sou chato com os mínimos detalhes e um bom diário de viagem era a minha obsessão. Cheguei a criar um, ficou até melhor que os outros, mas ainda não era o ideal.

Um diário de viagem pode ter entre 100 á 160 páginas, tem que ter um tamanho pequeno para não virar um estorvo na viagem e sempre estar em fácil acesso na mochila ou no bolso. Tem que ser resistente e bonito, pois ele não é apenas para a sua viagem e sim para a vida toda. É normal que a gente se lembre de todos os roteiros que fizemos em determinada viagem, mas os detalhes, são os diários que guardam e recordá-los pelo simples prazer ou em busca de informações para um artigo ou uma palestra, facilita a sua vida.

Em minha primeira viagem pela Patagônia, avistei um senhor fazendo anotações em seu diário e era exatamente o estilo que eu sempre sonhara. Cheguei a fazer uma foto para que na volta ao Brasil pudesse procurar um igual. Isso foi em 2004, mas apesar de estar sempre procurando, nunca encontrei o tal diário de viagem.
Somente em 2008 quando estava na Livraria Cultura, encontrei ele na prateleira.

E depois de 4 anos estava ali em minhas mãos o famosíssimo Moleskine. Aclamado em toda Europa e Estados Unidos, com uma bagagem histórica espetacular, sendo utilizado desde Vicent Van Gogh, Pablo Picasso, Ernest Hemingway, Bruce Chatwin entre outros. Existe nos mais variados formatos e estilos que vão de livros musicais (pautado), quadriculado, folha especial para pintura, com roteiro de cidades, pautado simples, sem pauta, no estilo bloco de notas de jornalista entre outros. Uma cultura dos diários de viagens da qual eu nunca ouvira falar, mas que tanto procurava.

Outro detalhe interessante dessa história é que em 2006 quando estava fazendo a travessia entre o San Pedro de Atacama até Uyuni - a travessia de 3 dias - e conheci o simpático londrino James, e durante a viagem familiarizei seu grupo com o mundo da fotografia, dando dicas e fazendo saídas fotográficas noturnas, onde eles adoraram conhecer a técnica de light paint. No último dia de viagem da travessia, James por gratidão me presenteou com um caderno de anotações, tamanho grande, com capa crua, um caderno muito bonito que sempre guardei para utilizar em uma ocasião especial, pois só de olhar dava para se notar que não era algo qualquer.

Mas, somente após conhecer o Moleskine em 2008, fui notar que ele de certa forma seguia o mesmo estilo, e assim que voltei da Livraria Cultura e cheguei em casa, fui verificar a marca desse caderno que James me dera, e realmente era um Moleskine. Fazia 2 anos que eu tinha um Moleskine em casa e não sabia.

Agora no início de março de 2009 estive durante 4 dias percorrendo as trilhas da Chapada dos Veadeiros, fazendo uma matéria para a revista Aventura & Ação - de abril. Levei o meu Moleskine e o meu iPod Touch, e digo que a experiência de utilizar o iPod como diário de viagem foi fantástica. Ele está para o diário de viagem como a máquina digital para a fotografia. Antes tinha-se um trabalho imenso para revelar e digitalizar as fotos, quando chegou a digital, a maioria foi contra, mas hoje além da ótima qualidade ela é muito mais prática para uma publicação do que jamais imaginaríamos.

Com o iPod Touch acontece o mesmo, ao tirar o iPod / iPgone no meio de uma trilha, todos olham espantados, julgando você como um nerd ou algo parecido. Julgamentos parecidos foram feitos com a fotografia digital. O interessante nas anotações do iPod Touch é que ele, como a fotografia, já está como digital, quando você for sentar para escrever a matéria, pode fazer direto no iPod, ou pode enviar por email para o seu computador e lá editar no Word ou Pages, assim você já tem parte do texto digital e só precisa fazer algumas modificações, do contrário, se fosse no Moleskine, você teria que reescrever todas as suas anotações. Vê-se ai um bom ganho de tempo. Algo que a fotografia digital nos proporcionou. Será essa uma nova revolução ou apenas a mania de um fotógrafo aventureiro?

7 anos depois

Agora estamos junho de 2016, sete anos depois que escrevi esse artigo. Mesmo com a popularização dos iPhones, iPads, mesmo com toda a facilidade da era digital, ainda continuo utilizando o meu bom e velho Moleskine.


boas aventuras,
Elias Luiz

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