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Chris Sharma
Foto: Corey Rich |
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Cena do filme King Lines
Foto: Corey Rich |
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Veja a sequência de imagens em um GIF animado de Chris Sharma
Foto: Corey Rich |
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Cena do filme "King Lines" rodado no Mediterrâneo, com Chris Sharma
Foto: Corey Rich |
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Na escalada profissional, onde o talento se esvai rápido e fácil, uma década é muito tempo. Tornozelos torcem. Ombros se deslocam. Dedos calcificam. E aqueles raros talentos que não sucumbem a inevitáveis lesões sob grande pressão mental.
Escolher desafios nos limites de seu físico e mente significa constante exposição a realidade de falha. O Esforço arrebenta muitos, separando os charlatões de dedos fortes dos escaladores. Acima disso tudo reina Chris Sharma, 26, um atleta dotado com uma incomparável forca física e tenacidade mental, dominando a escalada esportiva e boulder mundial nos últimos doze anos.
Julho último, seis anos depois de sua histórica ascensão da “Realization” - a primeira via 5.15a (12a) do mundo - Sharma retornou a Ceuse para dar mais um pega em outra via monstro, “Three Degreess of Separation” , encadenada em 23 de julho último. Este 11c segue desenfreadamente uma seqüência de serie de micro-regletes, vários dinâmicos e um super bote que um escalador francês declarou "c'est moderne.". Para alguém que ficou na estrada na última década, a viagem a Ceuse foi como uma espécie de volta para casa. Amigo Íntimo de David Graham, o qual se tornou o primeiro americano a repetir a “Realization”, em 30 de julho, estava lá, assim como o escalador Ethan Pringle (que se tornou o terceiro americano a encadenar a “Realization”)
Enquanto isso, o fotógrafo Corey Rich, cujo imagens enfeitam a página desta entrevista, vem para documentar a ascensão de Sharma, enquanto o cineasta Josh Lowell captou em seu último filme lançado “King Lines”. ( O filme estreou em agosto em salas lotadas, com aplausos entusiasmados, em Salt Lake City). E no último ano, Lowell e Peter Mortimer introduziram Sharma ao público leigo dos EUA quando o canal de televisão NBC colocou no ar seu filme de uma hora em Es Pontas, um ‘deep-water solo’ em uma ilha rochosa de Mallorca. Com tanta exposição na mídia, manter um estilo de vida ‘low-profile’ fica próximo do impossível para Sharma, e o anonimato será difícil de manter.
O filme “King Lines” de Lowell é uma vitrine de Chris Sharma. Uma gigante parede de rocha acinzentada esculpida por águas azuis, Sharma escala usando monodedos e agarras que dificilmente passaria por monodedos para muitos de nós, e da vários botes em buracos distantes. Há algo de gracioso e bárbaro na escalada de Chris Sharma. Ele junta a felicidade de uma criança brincando com uma ferocidade que deixa seus colegas e o resto de nós inspirados para procurar escalar melhor e mais longe.
Os últimos 12 meses talvez tenham sido os mais produtivos de sua carreira. Ele encadenou a via “La Rambla Direct’s”(12a), sendo o segundo a encadená-la, encadenou ‘a vista’ um 10c em Rodellar, e colocou um marco em Es Pontas. Cada via serve de parâmetro para a próxima. Mesmo se auto denominando “velho” em escalada esportiva, Sharma ainda pensa que ainda não atingiu todo o seu potencial.
“É somente achar uma linha que me motive”, declarou o fala mansa Sharma. “Não sou o tipo de cara que treina, fazendo algo agora para que daqui a 3 meses eu seja forte o suficiente para entrar em uma via. Eu apenas vou lá, tento uma linha um milhão de vezes. O treinamento ocorre na própria via”. Este tipo de investida demanda um estilo de vida nômade, com destinos ditados pela temperatura e pela estações do ano. Entre vôos transatlânticos, ele vive com uma pequena mochila por dias e dorme com seu saco de dormir na casa dos amigos.
“Pode parecer um clichê, mas no caso de Chris, sua casa tem sido a estrada”, diz o fotógrafo e amigo Rich. “Ele não se importa onde dorme. O que come. Ele não tem regime de treinamento específico. Isto certamente não é a norma para atletas profissionais. é realmente incrível que ele consiga sustentar tudo isso.”
Na última década, estamos assistindo Sharma crescer com preferência dentro do não disputado título de rei da escalda. É uma regra que as vezes pareça estranho para sua índole humilde. Este outono, ele planeja se mudar para Mallorca para estar perto dos famosos locais de escalada em calcário da Europa e da futurista ‘deep water solo’ sobre as águas mediterrâneas.
Nós encontramos com Sharma o tempo suficiente para perguntar a ele sobre a vida com fama, a linha tênue entre possível e impossível, e seu esforço para encontrar o equilíbrio interno na viagem sem fim.
Como foi a viagem para Ceuse no último verão?
Nós queríamos filmar um pouco mais para o “King Lines”. Nós estávamos sentados tentando encontrar um lugar para ir. Era verão então é muito difícil encontrar temperaturas amenas ou lugar para escalar vias esportivas difíceis, mas em Ceuse é a melhor época do ano. Eu sabia que lá existia alguns projetos. Eu disse para Josh e Corey. Tentei nestas vias seis anos atrás. Era uma via que Arnaud Petit tinha aberto, me lembro de ter tentado. É que tinha um bote gigantesco nela.
Quando eu escalei naquela época, eu vi uma linha de onde a ‘direct’ começava. Petit tinha meio que atravessado em um bote na linha de buracos, logo a direita e depois a esquerda. Se você for tocando para cima pega uma linda nesta face e então termina com botes. Então eu fui lá e grampeei toda a linha e comecei a tentar. Ao chegar lá eu não tinha nenhuma expectativa. Somente queria tentar algumas vias em uma parede realmente espetacular. E tornou-se uma bonita via clássica. Os movimentos são simplesmente incríveis. E única; então poucas rotas tem movimentação de botes e mesmo assim a escalada é clássica.
Seis anos atras você mandou a “Realization”. A mesma equipe estava lá para filmar. Foi legal voltar com a mesma equipe?
Nos estávamos lá com Dave e o Ethan Pringle. Estávamos todos lá. Foi ótimo.
Você encontrou alguma outra coisa enquanto você estava lá?
Sim, eu grampeei outra linha a esquerda da ‘Realization’. É difícil. Alias é bem difícil - realmente difícil para mim no momento.
Por quanto tempo você está na estrada?
Por volta de 10 anos.
Você alguma vez diz que tem de ir para casa?
Eu tenho um quarto em Santa Cruz, mas somente estou lá uma vez por uma semana a cada 3 meses. O meu estilo de vida é isso. Você tem de gostar enquanto é deste jeito. Um dia eu vou dar uma acalmada.
Qualquer pessoa que gasta muito tempo na estrada tem de se manter simples. Qual é o conteúdo de sua mochila?
Eu tenho um carro na Europa com todas as minhas coisas dentro, e um carro aqui com as mesmas coisas. Então eu tenho corda, costuras, cadeirinha e algumas roupas. Eu posso somente colocar na minha mochila algo para um dia quando eu vôo para a Europa. Tenho de estacionar meu carro na casa de amigos. Muitas vezes fico voando entre aeroportos e hotéis, e tenho sempre uma mochila simples para um dia. Ah, e uma escova de dente.
Você alguma vez acha difícil manter o entusiasmo para viajar? Perde o psico?
Para mim é definitivamente isso. Tenho fases que estou mais motivado do que outras. É natural. Não acho que eu possa estar motivado o tempo todo - é somente parte do meu estilo de vida. Tenho feito isso por tanto tempo que eu já me acostumei. E difícil as vezes, mas é só o que sei.
Tenho um monte de amigos ao redor do mundo. Quando estou em um lugar, fico na casa de um amigo. A parte mais difícil é quando você esta no aeroporto ou durante a viagem. Quando você esta viajando em um avião por um dia, ou um ônibus, ou quando você dorme em 5 lugares diferentes em cinco dias, toma conta de você, com certeza. É bom chegar em um lugar e descansar um pouquinho. Isto é totalmente dependente da temperatura, da época do ano, é onde o próximo projeto esta.
Você chega a planejar para onde irá viajar?
Este ano, vou estar nos Estados Unidos até outubro e então estou indo para escalar e viver na Espanha por um tempo. Vou fazer uma base lá. Tenho viajado sem parar por tanto tempo que estou sentindo falta de ter uma casa e parar um pouquinho. Para mim, é sempre um problema estar em Santa Cruz, onde moro, porque lá não tem nenhum local de escalada. Adoro estar lá por causa do clima, do mar, mas não tem nada de escalada. Para mim, Mallorca é um local perfeito porque tenho o mar e muitos locais com potencial de escalada. Estando na Europa em geral, é apenas o lugar central do mundo. Tantas culturas. Todos os tipos de linguagens sendo faladas. Você está no meio disso tudo. Planejo ficar mais tempo lá pelos próximos anos. Continuar viajando sim, mas acho que preciso de ter uma casa fixa. Incomoda você não ter uma casa. Eu estou fazendo isto por 10 anos, é hora de tentar alguma coisa nova.
Então será Mallorca sua casa?
Sim. Eu estive lá por 11 vezes. E realmente me sinto em casa.
Quais são as partes boas de viajar para escalar que você anda sempre fazendo?
Estar em um lugar novo. Conhecer pessoas novas de lugares do exterior. Falar novas línguas. Ir me aventurar e ser espontâneo. Você nunca sabe o que vai acontecer. Você conhece alguém e acaba ficando na casa dele. E escalar em lugares exóticos. Explorar o mundo.
Quantas ‘king lines’ você encontrou pelo mundo? Você acha que é alguma coisa que faz você continuar indo em frente?
Há um número infinito de ‘king lines’. Assim como há um número infinitos de rocha pelo mudo afora. Uma ‘king line’ simboliza uma coisa para mim. Para outros pode ser diferente. É algo muito inspirador. Para mim, tenho a oportunidade de explorar o mundo em nível global e encontrar linhas que me inspirem. Outras pessoas não tem a oportunidade de viajar, mas elas encontram suas linhas em seu local de escalada. É uma linha que chama você a ela. Talvez não seja tão bonita como em Ceuse, mas é uma linha que motiva você a se tornar um escalador melhor. Para mim e algo que leva minha escalada a um nível superior e a linha ser bonita. É o mesmo mentalmente para qualquer um, eu acho. Provavelmente tenho um padrão alto porque tive a felicidade de passar a minha vida nos melhores lugares de escalada do mundo.
Mas, lembro de começar quando era garoto em Castle Rock. Apenas explorava e encontrava o melhor problema do mundo.
Obviamente você passou algum tempo em Ceuse ao longo dos anos . O que faz este lugar tão especial? Por que você continua voltando?
É uma escalada espetacular - um calcário incrível com agarras nele. Tem um bom acesso. É simplesmente uma experiência total de hiking e escalada. Eu simplesmente me sinto saudável e em forma. O local de escalada em si tem incríveis raias azuis e é basicamente no topo da montanha. La existem linhas que são praticamente possíveis e também há todas aquelas vias clássicas de 9 grau a 12. E ainda tem um potencial futurista para projetos difíceis.
Você lembra qual problema?
Não, eu quis dizer sobre a atitude. Eu estava em um monte de diferentes problemas de boulder. Todo dia eu ia explorar e encontrar algo novo. E a experiência de explorar. Encontrar uma linha e fazer acontecer.
Estou curioso - você tem uma paixão por explorar. E uma busca interna para descobrir algo dentro de você?
Certamente : você tenta um projeto por meses e no fim requer uma quantidade de determinação e foco. Você tenta algo que é muito acima do seu nível e requer uma quantidade de dedicação. Nestas situações, é quando me sinto o melhor. Me sinto como se eu vivesse o propósito da minha vida. Se tenho um projeto que realmente me motiva, tudo está perfeitamente claro. Não há confusão sobre o que eu deveria fazer. Tudo é obvio. Estou aqui tentando este projeto, é o que estou aqui para fazer. Preciso encontrar coisas que me empurre mentalmente e fisicamente ao meu limite máximo. Estes projetos são realmente psicológicos. Há muita coisa a se aprender durante esta jornada.
Quando você não tem uma linha como os seu desejo, você acha difícil imaginar o que tem de supostamente ser ou onde supostamente está?
Para mim , definitivamente é difícil. Tenho sempre seguido estes projetos ao redor do mundo. Eles me mantém centrados e determinado. De outra maneira estaria somente voando ao redor do mundo. Não tenho nada para me ancorar. Quando tenho um projeto, é uma ancora. Me dá foco. Quando termino um projeto difícil, fico estático no começo. Então, depois de tudo, depois que a excitação se vai, então não sei mais o que fazer, me sinto meio que perdido.
Tenho amigos que foram para a universidade. Eles explicam a mesma sensação para mim. Eles ficaram a vida inteira estudando, e de repente saem de lá, eles podem fazer qualquer coisa, mas não sabem o que querem. Para mim, eu estou sempre voando, sempre tentando descobrir onde eu supostamente deveria estar. É legal ter estes projetos. Tudo fica tão claro. Não há perguntas.
O que seria alguma ‘king line’ para a antiga geração? O que será uma ‘king line’ para a próxima geração e o que realmente inspirou você?
As vias que me inspiraram... ‘Just do It’ em Smith Rock, era uma ‘King Line’ com certeza. Era uma linha grande, difícil e bonita. ‘Necessary Evil’ em Virgin River. ‘Super Tweak’. Estas são todas ‘king lines’. Em termos de problemas de boulder, ‘Midnight Lightning’, ‘thriller’, ‘the force’ . Estas são todas muito inspiradoras. Elas são linhas grandes, highball. São problemas valiosisimos de boulder.
Mais de uma década atrás, quando você entrou em cena, um monte de escaladores da geração antiga foram um pouco críticos. Eles disseram que sua movimentação de pés era ruim, e você não tinha nenhum regime de treinamento. Olhando para trás nestes artigos, a única coisa que fica claro é que tinha um monte de inveja. Estes escritores e escaladores viram que você era um talento de escalada muito especial. Mentalmente e fisicamente você era uma grande promessa em potencial. Na época você tinha 14 , 15 anos já projetando um grande futuro. Como adolescente você alguma vez sentiu alguma pressão?
Eu nunca senti pressão. Escalada sempre foi apenas diversão. É um jogo. Escalar é a expressão de ser alegre. Quando eu me sinto inspirado, sinto que qualquer coisa é possível. Farei o que seja para escalar. Se não estou no psico, não vou nem me preocupar. É duro para mim me disciplinar se não tenho nenhum projeto. Nunca treinei. É sempre uma questão de encontrar uma linha inspiradora, entrar e tentar um milhão de vezes. O treinamento somente ocorre na via. É realmente duro para mim treinar agora, para que eu possa ficar forte em uma via em dois meses. Quero ir direto para a via e tentar e tentar um milhão de vezes.
Nunca senti nenhuma pressão de viver todo o potencial até recentemente. Nunca levo a escalada muito seriamente. Até recentemente, nunca pensei sobre alguma coisa assim. Quando você é forte, você nunca pensa no dia que não será mais forte. Sinto que ainda tenho muito potencial. Estou com 26 anos agora e começo a perceber que o tempo e finito. Estou mais motivado agora para elevar o meu nível pessoal de escalada. Para consolidar meu potencial como escalador. Em toda escalada procuro aprender uma valiosa lição que recebo e combino com outras vias. Posso evoluir assim para encontrar o meu próximo projeto. É um infinito aprendizado e análise de vias. Não é somente subir sem parar. Isto não resolve nada. Chegará a um ponto onde eu não estarei mais apto a escalar as vias mais difíceis do mundo.
Boone Speed e Ron Kauk, eles elevaram o nível da escalada dos EUA. Eles encadenaram vários 10 e 11 graus e definiram o que era possível. Vi isso e me fez pensar que era possível. Isto que é difícil sobre primeiras cadenas, e você não esta totalmente certo de que pode ser feito. Você tem que ter uma visão e fazer. Então agora, eu estou tentando colocar o nível o mais alto que eu posso, para que a próxima geração possa se basear nisso. Então eles podem assim definir novos limites. É sobre isso que escalada envolve.
Desde que você começou a perceber que seu tempo é finito, você esta começando a se achar velho com 26 anos?
Sim, fico mais destruído que eu costumava ficar. Tenho de me aquecer melhor do que era acostumado, mas honestamente ainda sinto que estou melhorando. Não sei ao certo o quanto forte estou hoje do que há 8 anos atrás. Provavelmente era mais forte, mas não tinha a mesma experiência. Muitos acham é escalada é somente o físico, mas para mim é realmente mental. Motivação é a parte mais importante. Ou igualmente importante quanto resistência e força. Estar apto a ser focado, dizer que e o que quero fazer, e fazer acontecer. É fácil voar pelos lugares e tentar um monte de vias que já foram feitas e se divertir e ainda assim não estar focado.
Você está se tornando um veterano?
Eu não sei, mas com certeza na competição no ‘trade show’, aqueles garotos eram provavelmente muito melhores que eu em várias coisas, mas por exemplo no quarto boulder ,que terminei e eles não, era muito técnico - era muito mais técnico, estranho, um estilo de escalada em rocha no que eu sou bom. Ainda tenho muito chão pela frente antes de eu me tornar um veterano. Tenho mais a aprender.
Tiger Woods, Michael Jordan, ou Kelley Slater. Todos eles são pessoas que mudaram seus esportes, que definiram o que era possível. Você tem o mesmo tipo de força interior incrível dentro do seu esporte. Todos eles tinham aquele instinto assassino. Um desejo indominável. Quando você esta amarrado a uma corda, é evidente que a mesma coisa acontece. Tipicamente, você está realmente relaxado, mas quando você põe uma cadeirinha você se torna o macho alfa. O que muda?
Eu não sei. Apenas escalo. E gosto. Quando estou motivado é como... Eu não sei. É difícil de explicar. Definitivamente mudo, minha personalidade muda.
Quando você entra em vias fortes, você tem que tentar com vontade. Não há vias fáceis. Você tem que dar tudo o que tem. Você tem que se torna todo animalesco. Quando você está super bombado, deve gritar como um urso. Lembro de ver Boone Speed gritando quando subias as vias. Isto tem um efeito em mim. É como nas artes marciais. Quando Bruce Lee desfere um soco, ele tem de dar o melhor de si. Haahhh!! (simulando um grunhido de karate). Como isto. Quando você está em um movimento difícil, esta é a energia extra que você gera. O ar explode de você.
Depois de ‘Realization’, você não quis fazer mais nada. Você escreveu que considerava que desistiria de escalar. Se você não estivesse escalando, o que você estaria fazendo?
Na época, quando eu escrevi o artigo, estava intensamente focado em filosofia e meditação oriental. Estava contemplando este tipo de conhecimento. Ficava imaginando em que ponto estava. Escalar uma rocha - o que tem de especial nisso: Não havia experimentado um monte de outras coisas na minha vida. Parte de mim queria experimentar outra coisa. Tentar outras coisas.
Para mim agora, sinto que a escalada é parte de quem eu sou. É meu meio de vida. Minha maneira de expressar eu mesmo. Minha maneira de estar no mundo. No passado, questionei isso muito. Agora é óbvio. Este é quem eu sou. Isto é o que eu faço. Estou muito mais ciente disso agora. Penso em quanto sortudo sou por estar patrocinado por todas estas companias e na realidade a comunidade escaladora que sustenta estas companias. Me sinto sortudo por ser sustentado por todos que vivem esta vida, viajar ao redor do mundo e tentar elevar o padrão de escalada. Eu me sinto muito confiante em meu caminho por esta vida, mas no passado, sim, quando eu escalei a ‘realization’ foi um grande momento. Tive de trabalhar muito duro para aquilo e senti que não era grande coisa. Atualmente escalar é uma coisa sem fim. Sempre há uma maneira de envolver a escalada. Sempre haverá algo mais difícil.
Em algum ponto a escalada se torna muito dura? Em algum ponto se torna impossível?
Bem, pegue a via que eu acabei de grampear em Ceuse, ela eu digo que é bem difícil. Há seis movimentos que são deste jeito. Eu posso dizer que são muito difíceis para mim, mas eu posso segurar em todas as agarras, então teoricamente se consigo segurar nas agarras, eu deveria ser apto a me movimentar. É possível. Mas não para mim, mas a ‘Realization’ foi grampeada 15 anos antes de eu encadenar , e é possível. Talvez em 15 anos, algum garoto irá olhar a via e encadenar. Este será o próximo nível. Quem sabe um 13a. Eu não sei.
Basicamente, este é o limite. Você pode ao menos segurar nas agarras. Há agarras suficientes para segurar. Se é um V14 para outro V14 e para outro V14 é possível. É apenas uma questão de tempo de alguém encadenar. Talvez não na minha época.
Esta linha em Ceuse capturou sua atenção. Você esta pensando nela?
Não muito. Eu estou mais focado no projeto que eu tenho em Clark Mountain.
Este projeto tem um nome?
Ainda não.
Já faz seis anos da sua primeira ascensão da ‘Realization’. E apenas agora foi visto uma segunda e terceira ascensão por americanos, por Dave Graham e Ethan Pringle. Muitos dos melhores escaladores do mundo tentaram suas outras vias. Ethan Pringle tentou ‘Es Pontas’ e disse que pode conseguir fazer um dia. Por que você pensa nisso como um legado - a distância entre você e o resto dos melhores escaladores do mundo?
Todo mundo tem seu próprio ponto de evolução. Fui sortudo de começar cedo. Eu não sei. Apenas olho para as linhas que me inspiram. Não estou pensando nisso. Há muitos bons escaladores aparecendo por ai. Este garoto Adam Ondra é muito forte. David Lama. Há muitas pessoas que estão aparecendo no esporte agora que irão fazer muitas coisas iradas.
É sempre sobre inspiração. Achar a famosa linha.
Mais do que qualquer ou escalador, já escreveream e filmaram você. O que você faz para manter o interesse dentro da sua cabeça?
Como eu disse antes, apenas me sinto abençoado por ser patrocinado pela comunidade escaladora. Por estar em posição de elevar os padrões em nível global. Estou convivendo com a estranheza de ser bem conhecido nos círculos de escalada. No passado, havia algo que me amedrontava, que me sufocava, mas afora estou aceitando isso. É parte de minha vida, minha maneira de participar da sociedade. Somente estou tentando fazer o que me motiva. Me sinto bem em partilhar minhas experiências através dos filmes que faço.
Você se sente como uma estrela de rock em certo ponto?
Eu realmente não posso reclamar. Vivo uma vida formidável, não que seja perfeita, mas sou realmente sortudo.
E sobre as garotas espanholas?
(risos) Ah. Eu não sei cara... Sem comentários.
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