Extremos
 
COLUNISTA WALDEMAR NICLEVICZ
 
Nevado Verônica (5.750m). Primeira escalada na Expedição Império do Sol
 
Texto: Waldemar Niclevicz
3 de junho de 2014 - 14:30
 
  • Foto: Nathan Heald
    Waldemar Niclevicz chegando ao cume do Veronica, penúltimo esticão da escalada. Foto: Nathan Heald
  • Foto: Waldemar Niclevicz
    Nathan Heald na parte superior da escalada do Veronica, ao amanhecer." Foto: Waldemar Niclevicz
  • Foto: Nathan Heald
    Waldemar Niclevicz no cume do Nevado Veronica (5.750m), com o Nevado Salcantay (6.271m) ao fundo." Foto: Nathan Heald
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Waldemar Niclevicz chegando ao cume do Veronica, penúltimo esticão da escalada. Foto: Waldemar Niclevicz

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No dia 29 de junho, às 8h30, cheguei no topo do Nevado Verônica (5.750m), a primeira montanha enfrentada na Expedição Império do Sol, do Projeto Mundo Andino, que está sendo desenvolvida nos arredores de Cusco, Peru.

O Nevado Verônica é a montanha mais alta da Cordilheira de Urubamba. Está situado a noroeste de Ollantaytambo, no Vale Sagrado dos Incas. Era chamada originalmente de Waynawillca (Jovem Sagrada) e teve grande importância cerimonial, sendo um dos Apus (montanha sagrada) protetor da agricultura. No entanto, em 1536, Manco Inca ao ser derrotado pelos espanhóis deixou Cusco para refugiar-se em Vilcabamba, onde fundou o império independente do mesmo nome. Durante a sua retirada atravessou o Passo de Málaga (4.300m), no lado nordeste do Waynawillca que, desde então, teve seu nome alterado para Wakaywillque (lágrima sagrada), em memória da tristeza do povo Inca pela perda do seu império.

A primeira ascensão do Nevado Verônica foi feita em 1956 pelo francês Lionel Terray, conquistador do Fitz Roy e do Annapurna, junto com dois geólogos holandeses. A rota que realizei com Nathan Heald, americano que vive em Cusco, seguiu por vários trechos a rota dos conquistadores, pela face nordeste da montanha. Também nos acompanharam na escalada dois peruanos, Macário e Efraim. Embora enfrentamos muita neve na montanha, o que prejudicou a proteção nos trechos verticais, o tempo estava ótimo e nos permitiu concluir a escalada em apenas quatro dias.

A região de Cusco é marcada pelas cordilheiras de Urubamba, Vincanota e Vilcabamba, onde montanhas imponentes raramente são escaladas, em razão do seu isolamento e dificuldade técnica. Nathan Heald está morando em Cusco desde 2012 e está realizando um belo trabalho de exploração dessas montanhas, colaborando para a formação de novos guias e para o desenvolvimento do alpinismo peruano. Para conhecer melhor o seu trabalho visite o site www.skyhighandes.com.

Machu Picchu continua deslumbrante e Cusco se prepara para o Corpus Christi e para a Festa do Sol, que atraem neste mês de junho milhares de turistas para a antiga Capital dos Incas. Eu seguirei com o Nathan rumo a novas montanhas e em breve espero ter boas novidades.

Super abraço,

Waldemar Niclevicz