+  BLOG DO MANOEL MORGADO
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Um merecido descanso
 
 
 

Caminho pela praia e sinto o sol e o vento no corpo. Sinto-me bem fisicamente. Há quanto tempo não tenho isso. Antes apenas o vento gelado e a permanente sensação de cansaço. O mar agitado pelo vento constante causa pequenas marolas, mas de uma cor linda. Não tenho pressa. Sinto a sensação deliciosa da areia em meus pés. Amo a vida e o que a vida já me ofereceu, me oferece e me oferecerá.

 
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Há um mês estava no topo do mundo, no cume do Monte Everest e agora estou na Ilhabela e as duas experiências são deliciosas. Vejo as casas maravilhosas de frente ao mar e fico feliz pelas pessoas que podem ter este pequeno pedaço de paraíso, mas não as invejo. Apesar de estar rodando o mundo pelos últimos 21 anos ainda não quero ter raízes. Tenho algo muito mais precioso do que casas na praia. Tenho a liberdade de estar onde quero. Quando desci do Everest planejava ir para as montanhas do Irã, mas no último minuto decidi vir para o Brasil e aprender kite surf. Essa flexibilidade me encanta, pois com isso posso seguir meu coração. Estava sozinho e iria fazer uma viagem exploratória, mas não estava no astral de viajar sozinho por um país novo. Vim então para o Brasil. Kite surf é uma das coisas que tenho de aprender para a travessia da Antártida e Ilhabela é um dos melhores lugares para isso. Fico aqui por 10 dias e sigo então para Jeriquaquara, outro lugar incrível para a prática deste esporte. Sempre que vi kite sendo praticado pensei que seria muito divertido fazer, mas até poucos dias atrás não pensava que um dia faria. E aqui estou...

Estas últimas semanas foram de emoções muito intensas, boas e más. A chegada no cume do Everest, depois a chegada da Andrea ao cume e nossa descida a Lukla e de lá a Katmandu. E daí um grande treino de impermanência e aceitação. Depois de quatro lindos anos de companheirismo, amor e amizade chegou o momento de eu e a Andrea seguirmos caminhos diferentes. Eu quero seguir em minha vida de montanhas e viagens e a Andrea sente que chegou o momento de seguir sua vida profissional e escolheu ficar de maneira mais permanente na Guatemala onde tendo se tornado a primeira mulher centro americana a escalar o Everest e tendo feito um longo e bem feito trabalho de divulgação de seu projeto agora colhe os frutos com muita atenção da mídia, convites para palestras motivacionais e até sendo recebida pelo presidente da república. Ela também continuará com sua carreira de montanhista tendo como próximo projeto concluir os Sete Cumes tendo feito já cinco deles. A despedida foi muito sofrida, mas sabemos que é o melhor para os dois.

São Paulo, como sempre, foi cansativo e delicioso ao mesmo tempo. Como venho com pouca frequência, a cada visita tenho mil coisas para fazer, mil pessoas que quero ver. Desta vez ainda mais. Com o sucesso do Everest muitos amigos queriam me ver, me abraçar e ouvir minhas histórias e com isso jantei com inúmeras pessoas nestes dias. Além disso, tenho 6 grupos nos próximos meses e precisava dedicar um pouco de atenção a organização deles. Mas, após dez dias estava na hora de diminuir o ritmo e ter as minhas merecidas férias. Indicado por um amigo, conheci o Pedro, dono da escola de vela BL3 e da deliciosa Pousada Armação dos Ventos na praia da Armação na Ilhabela onde fui recebido por ele com muito carinho. O lugar é maravilhoso e escrevo agora de na varanda do bungalow de frente para o mar. Ah, o tempero da vida é a variedade de belezas que este planeta oferece.

Agora tenho de acostumar-me novamente a estar sem uma companheira para dividir as coisas lindas que a vida oferece. Mas, sei que cada experiência nova traz aprendizados e a cada porta que se fecha novas se abrem. Deste relacionamento só tenho boas recordações e experiências intensas compartilhadas. A Andrea continuará guiando algumas viagens para a Morgado Expedições e tenho mais do que certeza de que continuaremos para sempre os grandes amigos que fomos nestes quatro anos.

Acordo após um sono reparador cercado de um silêncio absoluto. Abro as portas do bungalow e me deparo com o lindo mar. Saio para correr pela rua de terra cheia de subidas e descidas e sinto meu corpo aos poucos se recuperando do Everest. Já ganhei um pouco de peso dos 8 kg que perdi na escalada e sinto meus músculos voltando. Mas os ventos não aparecem durante todo o dia e minha primeira aula de kite tem que ser adiada mais um dia.

No decorrer dos dias nesta semana leio, durmo muito, caminho pela praia e tenho minhas primeiras aulas de kite surf. O vento é inconstante e não muito forte e dia sim dia não ele não aparece. Mas, nos três dias que venta, saio para experimentar este delicioso novo esporte. No primeiro dia basicamente fico na água aprendendo a controlar a pipa ainda sem a prancha. Colocá-la em cima de mim onde ela fica parada e daí descê-la para os lados onde ela te puxa. O dia está nublado e a água gelada e acabo a aula tiritando, mas feliz com o que aprendi. Na próxima aula começo a usar a prancha e o resultado é uma sequência espetacular de tombos e alguns poucos míseros segundos de ficar de pé. No sábado, em minha terceira aula, finalmente consigo sair da água e experimento pela primeira vez a deliciosa sensação de deslizar rapidamente pela água puxado pelo vento. Mas, esses segundos de prazer são seguidos por mais grandes tombos. Na última vez que tento finalmente consigo me levantar o tempo suficiente para ver onde estou indo, corrigir a postura, driblar as marolas e realmente curtir e ter uma pequena idéia do que deve ser ter controle sobre o kite. Pronto, já viciei e quero mais, mas isso só vai acontecer em Jeriquaquara dentro de uns dias onde venta todos os dias constantemente.

Deixo a Ilhabela descansado e tendo aprendido um esporte muito interessante, mas também sentindo-me um pouco sozinho dos dias da semana que passei aqui sem outra companhia que eu mesmo. Mais uma vez reaprender a difícil arte de estar bem consigo mesmo.

 
 
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Guia e Alpinista
 
 
Dividir minhas experiências com as pessoas!

- Este é o objetivo destes artigos e foi uma das motivações que me levou, 13 anos atrás, a começar a guiar pessoas em lugares que amo, para entrar em contato com culturas que admiro e realizar atividades que fazem com que enfrentemos desafios e ampliemos nossos limites. Sempre procurei direcionar minha carreira profissional para que estivesse em harmonia com o estilo de vida que almejo.

Para mim trabalho e prazer se combinam de forma quase indestingüível. Isso me permite viajar doze meses por ano, seis meses guiando grupos pelo mundo, principalmente na Ásia e o restante do ano viajando pelos lugares dos meus sonhos. Então, se assim como eu você é um viajante habitual ou apaixonado por relatos de viagens, poderá encontrar aqui informações, impressões, dicas, bibliografia e videografia, sobre os lugares por onde viajo.

Venha comigo explorar alguns dos mais fantásticos destinos deste planeta!
 
 
 

2009
Cho Oyu (China) com 8.201 metros