Extremos
 
COLUNISTA CARLOS SANTALENA
 
Reflexão
 
texto: Carlos Santalena
16 de março de 2016 - 07:30
 
Carlos Santalena com montanhistas e amigos na Pedra do Baú.
 
 
  Carlos Santalena  

É de primordial importância para a vida do ser humano que antes de morrer faça uma grande aventura ou um mergulho no desconhecido, o tipo de experiência que lhe faz perder algumas máscaras sociais e entrar de cabeça no mundo da natureza e da essência do ser humano, encontrando assim equilíbrio e tranquilidade para saber selecionar a quantidade de informações que domina o atual panorama social e saber estabelecer o autocontrole.

A Montanha é um templo onde costumamos praticar nosso agradecimento por toda nossa vida, onde costumamos tomar consciência de nossa existência, de nosso tamanho perante a natureza e não um estádio onde costumamos competir entre si, torcer desesperadamente, como na vida cotidiana de trabalho em nossas grandes cidades. O homem se torna um ser completo quando aprende a utilizar-se conscientemente de seu corpo físico, mental e espiritual.

Quando subimos uma montanha em qualquer lugar mostramos a nós mesmos o quanto podemos ser fortes, o quanto podemos ter disciplina e principalmente o quanto podemos realizar coisas que a principio pareciam impossíveis.

Observando este cenário, a escalada se torna uma acessível válvula de escape e uma excelente ferramenta de motivação, desapego, admiração e autocontrole, onde com a possibilidade de explorar lugares muito próximos e dentro do nosso próprio país, podemos encontrar atividades e opções de riqueza natural incomparável e montanhas com possibilidades e qualidade rochosa comparada aos melhores points de escalada do mundo.

Certa vez estava escalando na Pedra do Baú no município de São Bento do Sapucaí e ao chegar ao cume me deparei com alguns turistas que subiam pela via ferrata de acesso, naquele momento, eu e meus amigos estávamos contemplando um pôr do sol alaranjado e certamente um dos mais belos que já pude apreciar, parecia que o céu pegava fogo e ao cair da noite transformava o laranja em roxo trazendo momentos de extrema conexão com a natureza, neste exato momento estes 2 turistas olham para nós e dizem:

— Nossa que legal tudo isso e vocês costumam fazer escalada sempre?
— Sim sempre que posso estou em montanhas vivendo estes belos momentos.
— Poxa vida muito legal este estilo de vida, mas pena que no Brasil não temos montanhas.

Olhamos para eles indignados como sem entender como que poderiam dizer aquilo diante de um pôr do sol tão belo e ainda por cima no cume de uma montanha e no Brasil. 

Escalar a Pedra do Baú um monumento natural em São Bento do Sapucaí, Subir o Capim Amarelo na Serra Fina ou escalar o Monte Everest, lhe trará o mesmo beneficio físico, mental e emocional, mas para absorver tudo isso devemos estar abertos para tal experiência pois senão continuaremos pensando que não subimos uma montanha mesmo estando sentado em seu topo.

Deixo como dica que estejam sempre abertos mentalmente e preparados fisicamente para terem a possibilidade de explorar todas as experiências que a vida e natureza possa lhe proporcionar, muitas vezes nosso sonho está mais perto do que agente imagina ou mesmo já estamos até vivendo ele, mas nem mesmo estamos tomando consciência.

Estando abertos estaremos vivendo o presente de forma tão intensa que nem mesmo o “cume” passará a ser sinônimo de sucesso e realização, uma vez que este não é um troféu para nosso ego e representa geralmente uma parcela mínima dentro de uma grande expedição ou dentro de uma grande viagem, como por exemplo a expedição ao Aconcágua onde mesmo em termos de números passamos 19 dias entre trekking de aproximação e aclimatação, 9 horas subindo no dia de cume e apenas 30 minutos no ponto mais alto da montanha.

Conheça, explore e busque o desconhecido e ele brindará sua vida de momentos únicos, e assim você saberá escutar suas próprias vontades e saberá selecionar os maiores entres os seus grandes sonhos.

Namastê
Carlos Santalena

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