Com que roupa eu vou?
da redação, Text: Antônio Calvo
29 de outubro de 2012 - 8:40
 
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  • Arte: Mike Clelland
    Calçados Arte: Mike Clelland
  • Arte: Mike Clelland
    Vestuário" Arte: Mike Clelland
  • Arte: Mike Clelland
    Perneiras" Arte: Mike Clelland
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    Gorro" Arte: Mike Clelland
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    Camiseta " Arte: Mike Clelland
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Calçados Arte: Mike Clelland

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Em uma trilha ou travessia mais pop, é possível flagrar os trekkers desfilando looks dos mais casuais aos supertecnológicos e especializados. Cada vez mais populares no Brasil, as marcas outdoor nacionais e gringas esbanjam sofisticação nas vitrines. Resta saber o que realmente é essencial, o que é funcional, seguro e confortável, e o que é só estilo ou status.

Apesar das atividades na natureza não exigirem equipamentos muito sofisticados, em uma expedição, encontramos de tudo. Desde os mais equipados, com o lançamento tecnológico de uma capa de chuva e botas de última geração, até os trekkers mais casuais com camiseta de algodão, jeans e tênis. Tudo depende do gosto, estilo e de quão a sério você leva as suas atividades ao ar livre. O fato é que existem diversas maneiras de fazer a mesma coisa. O Everest, por exemplo, foi escalado pela primeira vez com corda de cânhamo e roupas de lã e couro.

De qualquer forma, se você costuma se lançar em expedições na natureza com frequência, vale pesquisar um pouco sobre os vestuários mais funcionais para evitar alguns erros básicos. Não existe sistema perfeito, o que funciona para mim pode não servir para você e vice-versa, mas sempre dá pra aprender com algumas dicas mais estratégicas.

Vestuário
Nas atividades ao ar livre, é muito mais eficiente utilizar diversas camadas de roupas do que de- pender de apenas um “serve-para-tudo”. Esse sistema garante mais flexibilidade no que vestir, quando vestir e nas suas respectivas combinações. Vamos entender um pouco dos tecidos que dividi, basicamente, em quatro categorias:

Algodão: deixe-o em casa! O algodão é um tecido hidrofílico, ou seja, adora água e quando fica molhado perde a capacidade de isolamento; além disso, demora muito para secar.
De qualquer forma, é interessante levar uma camiseta de algodão apenas para usá-la como pijama, porque o conforto dos sintéticos não chega aos pés do “toque” do algodão.
Sintético: são diversos materiais e tecnologias que podem ser separadas em duas principais categorias: isolamento – do frio e da água - e segunda pele. Em isolamento você encontrará diversos materiais, do fleece: aquecer, ao goretex: repelir água. A segunda pele deve ser usada em contato com o corpo, pois, além de aquecer, “puxa” a umidade da pele, transportando-a para fora do tecido e, assim, mantem você seco. A maior vantagem dos sintéticos é que eles secam muito rápido. Suas principais desvantagens são o preço elevado e o fato que cheiram muito mal depois de alguns dias de uso!
Lã: uma fibra natural que nunca sai de moda. Mantém suas qualidades mesmo quando molhada. O lado ruim é que demora muito para secar e tende a ser mais pesada que os sintéticos. Porém, algumas marcas oferecem ótimos produtos como segunda pele e meias de lã, um luxo!
Down (pena de ganso): o melhor custo-benefício quando avaliamos peso x eficiência. O down é extremamente durável e um excelente isolante quando não está molhado. Ao molhar, as penas colapsam e perdem totalmente sua qualidade, além de demorar uma eternidade para secar. Seu preço também é alto.

O que levar
A escolha das roupas depende do lugar e da época do ano que irá viajar. Um sistema de três a quatro camadas de roupas deve ser o suficiente para a maioria das viagens. Eu, normalmente, levo uma segunda pele, um ou dois casacos – um sintético de fleece e/ou um down – e um corta-vento, além de uma capa de chuva e a camiseta do dia a dia. Estes dois últimos não contam como camada, pois sempre os terei em minha mochila.

Se viajo no verão tropical, quando as chuvas são frequentes, deixo o down em casa e saio com um fleece mais grosso, uma primeira pele mais fina e o corta-vento. No inverno mais seco, escolho um fleece fino para fazer par com o down, uma primeira pela mais grossa e o corta-vento. Com isso, consigo experimentar maneiras diferentes de vestir. Posso usar apenas a segunda pele se estiver muito quente à noite. Se começar a ventar, visto o corta-vento. Faz frio? Então coloco o fleece entre a segunda pele e o corta-vento. Noite muito úmida com todo aquele sereno? Por cima de tudo ainda visto a capa de chuva. E assim vai. Outro ponto é entender que perdemos muito calor pelas extremidades do corpo como cabeça, mãos e pés. Basta protegê-los com um gorro, luva e meias quentes para você se sentir melhor.

Nos pés

Meias
Para os pés, eu costumo levar em torno de três pares de meia em cada viagem. O par mais grosso e quente serve apenas para dormir. Só coloco-o quando vou deitar e troco assim que acordo. Desta maneira, eu garanto que sempre terei um par de meia quente, limpo e seco para dormir. Com os outros dois pares eu faço um revezamento, pois eles podem molhar com a chuva ou serem lavados em longas viagens. A escolha dos tecidos segue os mesmos princípios das roupas. Eu tenho meias sintéticas finas que são ótimas para serem usadas como segunda pele, pares de meias sintéticas grossas e uns dois pares de lã.

Calçados
A escolha do calçado adequado é outro fator muito importante, provavelmente o mais importante de todos. Os pés são o seu melhor equipamento na caminhada e podem ser comparados aos pneus de um carro, mas com um grande diferencial: se furar, não carregamos estepe! Estou acostumado com botas tradicionais e pesadas, mas conheço profissionais que só usam tênis próprio para caminhada que podem ser uma ótima alternativa, mais leve e confortável. A melhor dica é levar dois pares de calçados, uma bota e um tênis, porque, ao chegar ao acampamento, você poderá trocar um pelo outro dando um merecido descanso aos seus pés - aproveite para secar os pés com talco antisséptico. E tem mais, você ainda tem a possibilidade de trocá-los durante o dia se um deles estiver incomodando.

A primeira coisa que você deve ter em mente é experimentar o calçado no momento da compra com a meia que provavelmente irá utilizar; a segunda é nunca usar um calçado novo logo após comprá-lo na loja para uma longa caminhada. Ele precisa de tempo para “amaciar” e ganhar o formato dos seus pés. Use-o na cidade ou em pequenas caminhadas para sentir como funciona. É nesta hora que você deve fazer os testes das meias para descobrir quais levar.

Acessórios

Polainas

O uso de polainas ou perneiras pode prevenir picadas de animais peçonhentos como cobras e ajudar a manter a sujeira fora dos calçados.

Bastão
Utilizar um cajado, ou um ou dois bastões de caminhada, pode ser útil para distribuir melhor o peso da mochila, tirando a tensão dos joelhos e melhorando o balanço. O ângulo formado pelo seu cotovelo ao segurar o bastão deve ser de 90º. Ajuste a altura do bastão em subidas e descidas para manter esse ângulo corretamente.

Lanternas
As headlamps, com uma ou duas lâmpadas e pilhas de reserva, estão sendo usadas cada vez mais pelos aventureiros e são sinônimo de praticidade e segurança, já que você pode ficar com as mãos livres. Há muitas marcas e modelos. Os ideais são os que aliam resistência e confiabilidade. Podem ser de um foco ou dois, dependendo do modo de utilização e da quantidade de horas necessárias.

Menos é mais
Ser simples e minimalista é o mais importante quando vou trabalhar ou passear numa trilha perto de casa. Simples significa aproveitar as roupas e equipamentos que tenho em casa, sem precisar comprar tudo novo, ou adquirir os últimos lançamentos tecnológicos. A alegria da vida ao ar livre está nos momentos vividos lá e não nos produtos que compramos e usamos. Quanto ao minimalismo, você conhece o Go Light? Então espere pela próxima edição! Boas aventuras.

 


Antônio Calvo
www.armazemaventura.com.br