Existe um fenômeno bastante conhecido no mundo empresarial, científico e institucional chamado síndrome do não inventado aqui (Not Invented Here Syndrome). Ele descreve a resistência de pessoas e organizações em adotar soluções desenvolvidas por outros, mesmo quando essas soluções já demonstraram sua eficiência. Em vez de aproveitar o conhecimento acumulado, prefere-se criar um sistema próprio, muitas vezes repetindo erros que outros já cometeram e superaram.
É exatamente essa reflexão que me vem à cabeça quando observo o modelo de sinalização adotado pela Rede Brasileira de Trilhas. Depois de percorrer milhares de quilômetros por trilhas de longa distância em diferentes países, considero difícil compreender por que o Brasil decidiu desenvolver um sistema tão particular, quando poderia ter aproveitado décadas de experiência internacional.
A curva de aprendizagem faz parte de qualquer processo de desenvolvimento, mas existe uma diferença fundamental entre aprender com os próprios erros e aprender também com os erros dos outros. Na psicologia, esse princípio está relacionado à aprendizagem vicária (Vicarious Learning), conceito associado aos estudos do psicólogo Albert Bandura, segundo o qual podemos adquirir conhecimentos observando as experiências e as consequências das ações de outras pessoas. Quando uma solução já foi testada, aperfeiçoada e consolidada durante décadas, ignorar esse conhecimento significa desperdiçar tempo, recursos financeiros e oportunidades de evitar erros que outros já cometeram.
É com base nessa experiência que apresento, a seguir, minha proposta para a sinalização de trilhas no Brasil, inspirada em alguns dos sistemas mais consolidados do mundo. A intenção não é simplesmente copiar modelos estrangeiros, mas aproveitar o conhecimento acumulado ao longo de décadas, adaptando as melhores soluções à realidade brasileira. Afinal, não precisamos começar do zero quando outros países já percorreram boa parte desse caminho. Afinal, a longo prazo, fazer o certo custa menos do que fazer o errado.
Uma linguagem comum para orientar quem caminha
O primeiro erro a corrigir é separar a identidade visual da trilha com a sinalização do percurso. O logotipo identifica e promove uma trilha, expressando sua história e suas características. A sinalização tem outra responsabilidade: orientar quem caminha. Cada trilha pode ter sua própria marca, mas as placas e as marcações devem seguir uma linguagem comum, compreendida em qualquer região do país.
Sinalizar uma trilha é acompanhar o caminhante do início ao fim: indicar a direção nas bifurcações, confirmar o caminho entre os cruzamentos e comunicar as mudanças de terreno. Mas é também necessário introduzir algo que ainda falta ao sistema brasileiro: três categorias de sinalização, diferenciadas por cores, que permitam reconhecer imediatamente quando o percurso passa de um caminho convencional para uma trilha de montanha ou para um trecho técnico. Essa distinção não serve apenas para classificar o terreno. Ela oferece ao próprio caminhante um alerta visual sobre as exigências do percurso, permitindo avaliar sua experiência, seu preparo e seus equipamentos antes de prosseguir. Uma mudança de sinalização pode ser justamente o aviso necessário para reconsiderar a decisão de continuar ou de começar uma trilha. O esquema abaixo apresenta essa linguagem em um percurso que começa por caminhos, segue por trilhas de montanha e alcança trechos técnicos. As cores deixam de ser apenas elementos de orientação e passam a comunicar informações importantes para a segurança de quem caminha.
Proposta de sinalização · Brasil
Do caminho à trilha técnica
Um mesmo percurso pode começar por caminhos fáceis, seguir por trilhas de montanha e alcançar trechos técnicos. O esquema apresenta as três categorias de sinalização propostas para o Brasil, inspiradas no modelo suíço.
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LEITURA DO ESQUEMA
Três categorias no mesmo percurso
Na proposta brasileira, o traçado começa em um caminho sinalizado em amarelo (A–B), passa por uma trilha de montanha (B–C) e continua por uma trilha técnica (C–D–E). As setas superiores ilustram as placas em cada mudança de categoria.
CaminhosFaixa amarela
A primeira categoria é destinada aos caminhos, especialmente às rotas de longa distância que percorrem estradas rurais, vilarejos, áreas agrícolas, antigas vias de ligação entre comunidades e trilhas de baixa dificuldade técnica. No Brasil, essa classificação abrange principalmente os caminhos de peregrinação, como o Caminho da Fé e o Caminho do Sol, mas não se restringe às rotas religiosas. Qualquer percurso que utilize estradas de terra, caminhos tradicionais e trilhas acessíveis, sem exigir habilidades específicas de montanhismo, deve receber essa sinalização, como o Caminho de Cora Coralina, Caminhos da Baleia Franca e outros. É importante distinguir a dificuldade técnica do esforço físico: um caminho pode ter centenas de quilômetros, subidas cansativas e exigir vários dias de caminhada sem deixar de pertencer à categoria amarela. Entretanto, trechos isolados que apresentem dificuldades superiores devem receber a classificação correspondente.
A marcação deve ser uma faixa amarela horizontal de aproximadamente 15 centímetros de comprimento por 6 centímetros de altura, aplicada com pincel largo diretamente em árvores, pedras, estacas e postes. Uma única pincelada é suficiente, sem a necessidade de estêncil ou de um desenho geométrico perfeito. Essa simplicidade permite reproduzir a marcação rapidamente, com baixo custo e pouca interferência visual na paisagem. Em estradas rurais e áreas habitadas, as faixas podem ser aplicadas em mourões de cercas, postes e outros suportes existentes, sempre com a autorização necessária. Nas bifurcações, placas direcionais devem indicar o destino e o sentido correto, enquanto a faixa amarela serve principalmente para confirmar que o caminhante permanece no percurso.
Quando o caminho dispõe de mais orçamento e estrutura de manutenção, a confirmação do percurso também pode ser feita com pequenas placas em formato de losango amarelo, como nas marcações intermediárias suíças. Nesta proposta, elas são uma alternativa à faixa pintada nos trechos da categoria amarela, especialmente em postes e estacas com instalação autorizada. As peças devem resistir ao tempo, ter fixação adequada e seguir um padrão de tamanho e cor em toda a rota. O losango confirma a continuidade do caminho; não substitui as placas direcionais nas bifurcações. A escolha entre pintura e plaquinha deve considerar o suporte disponível, o custo de implantação e a capacidade de conservar e repor a sinalização.
O formato horizontal acompanha as placas suíças de confirmação. Nesta proposta, a versão com texto recebe a palavra Caminho, coerente com o nome da categoria amarela. As duas versões têm a mesma função: confirmar a continuidade do percurso.
Adaptação ilustrativa para o Brasil, sem escala. Referência: Schweizer Wanderwege.A frequência das marcações depende das características do terreno. Em caminhos evidentes, uma confirmação a cada dez minutos de caminhada é uma referência inicial, seguindo o princípio utilizado na Suíça. Entretanto, nas bifurcações, mudanças de direção e locais onde houver possibilidade de dúvida, a sinalização deve ser reforçada imediatamente, com outra marca visível logo depois da mudança de direção. A pintura deve estar voltada para quem caminha, preferencialmente na altura dos olhos e, sempre que possível, visível a pelo menos 20 metros. A conservação exige vistorias periódicas para identificar marcas desbotadas, encobertas pela vegetação ou comprometidas pelo crescimento das árvores.
Trilhas de montanhaBranco–vermelho–branco
A segunda categoria é destinada às trilhas e travessias de montanha, com subidas e descidas acentuadas, terrenos irregulares, pedras soltas, cristas e passagens que exigem equilíbrio e experiência em caminhadas de montanha, mas que não necessitam de técnicas de escalada ou equipamentos de proteção para sua progressão normal. Travessias como a Serra Fina, na Serra da Mantiqueira, e Lapinha–Tabuleiro, na Serra do Espinhaço, reúnem terrenos característicos dessa categoria. A aplicação da sinalização branco–vermelho–branco exige avaliação prévia de cada trecho. São percursos fisicamente exigentes, mas isso não significa que sejam necessariamente técnicos. A classificação deve considerar as características reais de cada segmento, e não apenas o nome da montanha ou a dificuldade física da travessia.
A pintura deve ser formada por três faixas horizontais sobrepostas, branca, vermelha e branca, aplicadas com pincel largo, mantendo as marcas próximas e sem espaços entre elas. As extremidades devem conservar as irregularidades naturais da pincelada, enquanto as faixas brancas aumentam o contraste do vermelho sobre superfícies escuras, como troncos e rochas. A marcação deve ser utilizada principalmente em árvores, pedras e suportes existentes ao longo do percurso. Em terrenos rochosos, a pintura deve ser aplicada preferencialmente nas faces laterais das pedras, evitando superfícies de passagem ou que possam sofrer desgaste acelerado pelo pisoteio.
A distribuição das marcas deve acompanhar a dificuldade de orientação. Em trilhas bem definidas, as confirmações podem seguir intervalos semelhantes aos da categoria amarela. Entretanto, em campos de altitude, lajes de pedra, cristas e locais frequentemente encobertos pela neblina, as marcações devem permanecer dentro do campo de visão do caminhante, permitindo identificar a continuidade do percurso sem precisar procurar a próxima marca. A passagem de uma categoria para outra deve ser indicada por placas nos pontos de transição. Uma travessia classificada como vermelha também pode conter pequenos segmentos azuis, caso apresente obstáculos que justifiquem uma classificação técnica superior.
Trilhas técnicasBranco–azul–branco
A terceira categoria é reservada às trilhas que apresentam passagens expostas, trechos rochosos de maior dificuldade, necessidade de utilizar as mãos para progredir e obstáculos que exigem habilidades específicas de montanhismo. No Brasil, a avaliação dessa categoria deve considerar, por exemplo, os trechos mais exigentes da subida ao Pico Paraná, especialmente as passagens equipadas com grampos e cordas, e os acessos ao cume do Pico das Agulhas Negras, no Parque Nacional do Itatiaia. Neste último caso, algumas vias envolvem escalaminhada e lances de escalada com corda, exigindo procedimentos de segurança que ultrapassam uma caminhada convencional. A dificuldade técnica e a exposição do terreno determinam a categoria azul, independentemente da altitude. Nem toda trilha de montanha precisa ser azul, assim como nem todo trecho técnico está necessariamente em alta montanha.
A sinalização segue o mesmo princípio da categoria anterior, substituindo o vermelho pelo azul: três faixas horizontais, branca, azul e branca, pintadas com pincel largo e ligeira sobreposição entre as cores. A aplicação deve ser feita em superfícies estáveis e visíveis, evitando locais onde a pintura possa causar danos ambientais, comprometer características naturais ou interferir em rotas de escalada. Nos trechos de rocha exposta, as marcas devem orientar o caminhante pelo trajeto previamente definido, sem estimular atalhos ou a abertura de novas passagens. Onde a pintura não for apropriada, devem ser utilizados outros recursos de orientação autorizados pela administração da área.
Diferentemente das duas categorias anteriores, a distância entre as marcações deve ser determinada principalmente pela visibilidade e pela complexidade da progressão, e não por um intervalo de tempo. Em trechos onde o caminho desaparece entre blocos de pedra ou muda constantemente de direção, a próxima marca deve ser identificável a partir da anterior, sempre que as condições permitirem. Antes do início da seção técnica, placas devem informar os riscos, as dificuldades e a eventual necessidade de equipamentos específicos. A sinalização azul não substitui experiência, orientação, equipamentos de segurança ou acompanhamento especializado quando necessário. Sua função é identificar o tipo de terreno e orientar o percurso, não garantir que a passagem seja segura para qualquer pessoa.
A dificuldade vai além das cores
As três cores identificam categorias de terreno, mas não descrevem, sozinhas, toda a dificuldade de uma trilha. A proposta brasileira precisa combinar essa linguagem simples com informações sobre exigência técnica, distância, desnível e duração. Uma caminhada longa pode exigir grande esforço físico sem apresentar passagens técnicas; um percurso curto pode exigir habilidades específicas e envolver muita exposição.
A escala do Clube Alpino Suíço (SAC), de T1 a T6, ajuda a compreender essa progressão. Ela aparece aqui como referência para a discussão, e não como uma classificação brasileira já estabelecida.
Caminhos bem definidos
Terreno geralmente simples, com orientação fácil. A duração e as condições da caminhada também exigem atenção.
Terreno de montanha
Inclinações e irregularidades exigem equilíbrio; pode haver exposição a quedas.
Passagens mais exigentes
Trechos expostos e rochosos. As mãos podem ajudar no equilíbrio; pode haver cabos ou correntes.
Terreno técnico
Caminho nem sempre evidente, exposição e passagens de escalada simples. Exige experiência e boa orientação.
Grande exigência técnica
Frequentemente sem trilha, com escalada e exposição significativa. Exige experiência sólida em terrenos técnicos.
Percurso extremamente exigente
Geralmente sem trilha ou marcação, com orientação complexa, grande exposição e passagens prolongadas de escalada de grau II.
As cores ilustram associações habituais, com sobreposição entre os níveis; não são uma equivalência fixa. Em T6, a ausência de marcação é comum. Descrições resumidas a partir da escala SAC · revisão de 2023.
Dificuldade técnica, esforço físico e risco precisam ser avaliados em conjunto. A classificação considera condições favoráveis: chuva, neblina ou rocha molhada podem mudar radicalmente uma passagem. Nos níveis mais exigentes, a exposição e a dificuldade de proteção tornam as consequências de uma queda especialmente graves. Por isso, a informação ao caminhante deve ir além da cor: indicar as características do percurso, os obstáculos e as condições relevantes para a decisão de seguir. Nenhuma marcação é garantia de segurança.
A tinta também faz parte da sinalização
Uma marcação precisa continuar visível depois da chuva, do sol e da umidade. Por isso, as marcas permanentes devem ser aplicadas com pincel, evitando o uso de spray. O pincel permite controlar a aplicação e reduzir a dispersão de tinta. O manual suíço de sinalização também desaconselha o spray, apontando sua baixa durabilidade nesse uso. A escolha deve reduzir a necessidade de repintura e facilitar a manutenção.
Para o Brasil, defendo como referência tintas à base de resina acrílica em dispersão aquosa, próprias para uso externo, com boa aderência, cobertura e resistência à chuva e à radiação solar. A especificação deve considerar as diferenças entre árvores, rochas, madeira e outros suportes, com validação em testes de campo. A aplicação deve respeitar as instruções do fabricante, sobre superfícies limpas e secas, sem ferir a casca das árvores nem utilizar produtos incompatíveis com o ambiente natural. A homologação deve avaliar o desempenho, não a marca comercial, permitindo produtos de diferentes fabricantes que atendam aos mesmos critérios técnicos e ambientais.
As cores também devem seguir um padrão nacional. Nesta proposta, as referências são as do sistema suíço: amarelo RAL 1007, vermelho RAL 3020, azul RAL 5015 e branco RAL 9016. A conferência deve ser feita com uma cartela RAL física, pois as amostras na tela são apenas aproximações. Além da cor, o padrão deve definir composição, aderência, resistência ao tempo e método de aplicação, com inspeções e repintura quando necessário. Padronizar a sinalização é garantir que suas marcas mantenham a mesma aparência e qualidade ao longo dos anos.
- AmareloCaminhos e placas de caminhos e montanhaRAL 1007
- VermelhoFaixa central das marcas de montanhaRAL 3020
- AzulTrilhas técnicas: marcas e corpo das placasRAL 5015
- BrancoFaixas de contraste e letras das placas azuisRAL 9016
Referência: manual suíço · aplicação, p. 46 e cores e materiais, p. 48.
Placas direcionais: orientação padronizada em todo o Brasil
Além das marcações pintadas, proponho placas direcionais seguindo o padrão de cores suíço, instaladas em bifurcações, cruzamentos e pontos estratégicos para indicar destinos, tempos estimados de caminhada e a direção a seguir. Nos caminhos, as placas devem ser amarelas, com letras pretas e ponta amarela. Nas trilhas de montanha, devem manter o fundo amarelo e as letras pretas, com ponta branco–vermelho–branco. Já as trilhas técnicas devem ter placas de corpo azul, letras brancas e ponta branco–azul–branco. A mudança de fundo torna essa categoria visualmente distinta, como ocorre nas trilhas alpinas suíças.
As placas devem ser fabricadas preferencialmente em alumínio, com acabamento resistente às intempéries e fixação em postes metálicos ou suportes adequados. Formato, dimensões, tipografia e organização das informações devem seguir um padrão nacional. Os destinos devem aparecer do mais próximo ao mais distante, acompanhados de tempos estimados de caminhada, sem pausas, em vez de apenas distâncias em quilômetros. O cálculo desses tempos deve seguir um método comum, considerando o percurso e o desnível. Números de rotas nacionais ou regionais podem complementar a placa, desde que preservada a legibilidade.
Quem aprender a interpretar uma placa na Serra da Mantiqueira deve reconhecer o mesmo padrão na Chapada Diamantina, na Serra do Mar ou nos Aparados da Serra. Essa continuidade é o que transforma sinais isolados em um sistema de orientação. As pinturas confirmam o caminho, as placas indicam para onde seguir e as cores informam as características do terreno. Três funções complementares, organizadas em uma linguagem comum para todo o Brasil.
Uma placa, três categorias
Escolha a categoria e o sentido da seta. Você também pode editar os destinos e os tempos de caminhada.
Personalize os destinos e os tempos
Modelo conceitual, com destinos e tempos ilustrativos. A linha horizontal indica percursos que se separam mais adiante. Cores e tipografia são aproximações digitais.
Uma identidade para cada trilha, um escudo para todo o Brasil
Depois de definir como orientar o caminhante, é preciso tratar da identidade visual de cada trilha. Minha proposta é substituir as pegadas por marcas próprias, unidas por um elemento comum: o formato de escudo. Seu interior é livre para representar a fauna, a flora, as paisagens, a história e a cultura de cada região. A sinalização segue um padrão nacional, enquanto os escudos dão personalidade aos percursos e permitem reconhecer a rede brasileira como um conjunto.
Essa mudança também abre novas possibilidades de divulgação e valorização das trilhas. Uma marca forte pode se transformar em camisetas, bonés, emblemas bordados, adesivos, broches, canecas e pôsteres, gerando receitas para associações, comunidades e empreendedores locais. Os escudos podem se tornar objetos de coleção, como lembranças de cada travessia realizada. A sinalização orienta no terreno, enquanto a identidade visual promove cada destino.
Os escudos abaixo são apenas estudos conceituais, criados para ilustrar esse padrão, e não propostas definitivas de identidade visual. As marcas oficiais devem ser desenvolvidas por agências e profissionais especializados em design, com projetos exclusivos para cada trilha, respeitando o formato estabelecido. Um único padrão de sinalização para todo o Brasil, milhares de escudos diferentes para contar as histórias de nossas trilhas.
Diferentes caminhos, identidades próprias e padrão visual
Considerações
As propostas apresentadas neste artigo são apenas o início de uma discussão mais ampla sobre o que o Brasil precisa rever, aperfeiçoar e implementar para ter um sistema de sinalização de trilhas eficiente, seguro e duradouro. Outros aspectos técnicos, operacionais e administrativos exigem aprofundamento, e os artigos relacionados abaixo ampliam esse debate.
Nenhuma dessas mudanças precisa acontecer de uma só vez. O primeiro passo poderia ser a implantação de um projeto-piloto em uma trilha brasileira, com a participação de trekkers experientes, montanhistas, gestores ambientais e profissionais especializados em sinalização. Testar as três categorias, avaliar os materiais, acompanhar os custos e ouvir os próprios caminhantes permitiria identificar problemas e aperfeiçoar o modelo antes de sua expansão para outras regiões do país.
Mas uma questão fundamental deve acompanhar todo esse processo: a transparência na gestão dos recursos públicos. A rede precisa de um Painel da Transparência, disponível na internet, que permita a qualquer cidadão acompanhar investimentos, contratos, despesas, custos de implantação e manutenção, além do andamento dos projetos. Uma rede nacional de trilhas deve ser bem sinalizada e bem administrada, com responsabilidade, fiscalização e prestação de contas à sociedade.
O Brasil não precisa reinventar tudo. Precisa reconhecer o que já funciona em outros países, adaptar as melhores soluções à nossa realidade e, principalmente, ter a disposição de aprender com quem já percorreu esse caminho.





