MONTANHISMO
Por: Nick Paumgarten  |  14.11.2014  •  17:41

Ueli Steck, o alpinista conhecido como a Máquina Suíça, esteve em Nova York na semana passada para dar uma palestra no Explorers Club. Mas ele nunca sabe o que fazer em uma grande cidade. Não há montanhas para escalar. As pessoas treinam em porões, levantam pesos em academia.

Ele tinha acabado de passar dois meses no Tibet. Ele e sua esposa, que vive próximo de Interlaken, na Suíça, tinha ido lá para escalar o Shishapangma (8027m), a 14ª montanha mais alta do mundo, para ele isso era o seu período de férias e assim se juntou a outros alpinistas. A pouco menos de 300 metros do cume, três deles foram atingidos por uma avalanche. Dois morreram.

Em sua primeira manhã em Nova York, Steck conseguiu encontrar o que ele chamou de um "bom exercício”: a maratona. Ele não treina desde agosto, e terminou a prova em três horas e nove minutos. Um resultado não muito bom para o alpinista mais rápido do mundo (uma vez que ele escalou a Face Norte do Eiger, tradicionalmente um assunto de dois dias, e ele fez em duas horas e quarenta e sete minutos), mas ele sente que não tem mais nada para provar. Uma exceção recente seria o seu recorde de vinte e oito horas de escalada solo da face sul do Annapurna, talvez o teste mais traiçoeiro do Himalaia. “Eu enfrentei um risco muito grande”, disse ele na semana passada. “Eu estava aceitando morrer lá em cima”. Ele escalou durante a noite, trocando de luva da mão direita para esquerda (uma avalanche varreu a sua luva esquerda para longe).

Apesar da intensão de Steck em diminuir um pouco o ritmo (a sua palestra no Explorers Club era para falar de auto-admoestação: “Slow down and stay alive” - "Desacelere e permaneça vivo”) isso não impediu-o de elaborar ambiciosas expedições, o que ele chama de “projetos”. E assim, como ele enfrentou ventos contrários na Maratona do Brooklyn no domingo, ele avistou, a oeste, a nova torre brilhante na ponta de Manhattan, o One Word Trade Center: pico mais alto da linha do horizonte. Dois dias depois, um futuro inquilino do edifício sugeriu a Steck que os dois subissem até o topo dela, a fim de reivindicar a primeira subida. Tomados em conjunto, a maratona e o cume do One World Trade Center seria um feito sem precedentes, uma analogia urbana para a combinação da chamada Travessia do Lhotse ao Everest, uma façanha que Steck cobiça. “Este é um bom projeto”, disse Steck. O futuro inquilino disse que ainda depende de uma licença do governo do Nepal.

No dia da subida, Steck e o inquilino reuniram-se com o terceiro membro da “expedição”, Jordan Barowitz, um segurança que lhes foi atribuído pelo proprietário do edifício. Barowitz havia um rádio, e disse: “no caso de algo acontecer”. Steck tem 38 anos, é leve e com longas pernas. Ele estava de jeans, uma jaqueta leve e tênis. Quando ele fez a curva em Vesey Street e teve a primeira vista do edifício de perto ele engasgou: “Puta que pariu!”

Ele fez uma piada sugerindo fazer uma rota pela parte externa de vidro. (Ele nunca tinha ouvido falar de George Willig, ou Philippe Petit). O programa do dia envolveu uma rota mais convencional, com corrimões fixos e posicionamento de pés estabelecidos; isto é, escadas. A trilha partiu do porão. Steck enfiou a jaqueta em uma mochila, disparou o cronômetro em seu relógio com altímetro, e partiu na liderança. Ele concordou em manter um ritmo que era passível dos seus companheiros, e assim o trio se arrastava andares acima, uma degrau de cada vez. O tráfego na escada, como no Everest, foi surpreendentemente pesado, com grupos de trabalhadores da construção civil que desciam um andar ou dois. A equipe fez uma pausa para beber água no trigésimo oitavo andar (talvez um bom lugar para um acampamento base avançado). Passado do 44º andar, já não havia mais trabalhadores. “O região do ar rarefeito”, disse Barowitz.

“Bonita, mas a rota é chata”, disse Steck depois de um tempo. “Pelo menos eles poderiam mudar as cores”.

Depois de 32 minutos e 19 segundos, Ueli Steck e sua equipe chegaram ao 104º andar. Era um espaço com janelas mecânicas. O dono do prédio havia decretado que a não estava permitido o acesso ao telhado. Havia um guarda de segurança bloqueando a porta, que dava a ele.

“Nós encontramos o Yeti”, disse Steck.

A “expedição desceu de elevador, parando no 63º andar para apreciar a vista: o Midtown Massif, a Jersey City Alps e o Dumbo Cwn. “Este foi um bom projeto”, disse Steck.

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