MONTANHISMO
Por: Elias Luiz  |  28.11.2013  •  11:06

Simone Moro revelou hoje, em uma apresentação para a imprensa na cidade alemã de Munique, alguns detalhes sobre sua expedição ao Nanga Parbat (8126m) neste inverno. O alpinista italiano é um dos maiores especialistas em primeiras escaladas invernais de 8.000 metros de altitude : escalou o Shisha Pangma (8.027m) em 2005, o Makalu (8.485m) em 2009 e também a primeira no Paquistão, o Gasherbrum II (8.034m) em 2011. Nesta ocasião, viajará acompanhado de seu compatriota Emilio Previtali e do alemão David Göttler.

Será a segunda vez que Simone Moro tentará escalar o Nanga Parbat no inverno. Há dois anos, chegou na vertente Diamir com Denis Urubko, para tentar reeditar o sucesso que alcançou os "montanha desnuda" meses antes com o primeira escalada invernal do Gasherbrum II. Nessa ocasião, o italiano e o cazaque não se sentiram cômodos na rota e com as condições meteorológicas. Eles tentaram até o mês de fevereiro, quando se deram por vencidos diante o perigo que oferecia a montanha naquela temporada. "É uma roleta russa, não é alpinismo," disse Simone Moro, que acrescentou que "Denis e eu construímos uma cordada muito forte, mas nós somos humanos, não extraterrestres".

Mais um motivo que justifica a alcunha de "montanha assassina", dada pela expedição germano-austríaca que foram os primeiros a escalar o Nanga Parbat, graças ao ataque final épico, que também incluía Karl Herrligkoffer, Peter Aschenbrenner e Hermann Buhl. O cume veio em 3 de julho de 1953, quando já haviam falecidos 31 pessoas em sucessivas tentativas.

Essa fama de montanha perigosa ganhou uma nova dimensão em junho passado, quando um grupo de terroristas talibãs invadiram o campo base da vertente Diamir, durante a noite, e mataram 11 pessoas de várias nacionalidades (Ucrânia, China, Eslováquia, Estados Unidos, Lituânia, Nepal e Paquistão). Felizmente, a grande maioria dos escaladores estrangeiros (50) estavam naquele momento em acampamentos no alto da montanha, e por isso escaparam do massacre. A segurança é, portanto, um outro elemento a ter em conta para qualquer expedição com a intenção de viajar para o Nanga Parbat e uma das razões que levou à ausência de Denis Urubko da equipe esse ano.

A corrida para o penúltimo 8.000 invernal Simone Moro, David Göttler e Emilio Previtali não estarão sozinhos no Nanga Parbat neste inverno. Só restam dois 8.000 para serem escalados no inverno, e o outro é o K2, uma montanha que tem mostrado os dentes (e tem mordido) para aqueles que tentaram ir ao cume no inverno. Por esta razão, não é surpreendente que tenha gerado uma corrida para conseguir o primeiro invernal do Nanga Parbat.

Novamente os polacos estarão de volta e serão os primeiros a chegar a montanha com Tomasz Mackiewicz e Marek Klonowski , cujo plano é viajar ao Paquistão neste mesmo domingo, 1 de dezembro. A intenção era ter três semanas para completar os preparativos finais no país, viajar até a região do Nanga Parbat e aclimatar-se convenientemente. Desta forma, estariam prontos para enfrentar a montanha com a mudança da estação. Será a quarta tentativa consecutiva invernal no Nanga Parbat e prevêem fazer a mesma rota "Schell" da vertente Rupal que haviam tentado na temporada passada.

A terceira expedição que fixou sua atenção sobre o Nanga Parbat neste inverno é ainda envolta em interrogações, embora ele carregue a credencial de um dos grandes em 8000, o alemão Ralf Dujmovits que já escalou as 14 montanhas acima de 8000m (e marido de Gerlinde Kaltenbrunner ). A notícia da sua intenção de liderar uma expedição de inverno para o Nanga Parbat surgiu do Paquistão, com a divulgação da permissão da ascensão que foi tramitada em seu nome. Mas até o momento Ralf Dujmovits não confirmou se realizará a expedição nem os detalhes, embora diz falará sobre o assunto no próximo mês de janeiro de 2014.



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