Esse relato abaixo é de uma tia do Bernardo Collares. Dia 2 de junho de 2013, ela se encontrou casualmente com o Minc e não resistiu à tentação de lavar sua alma. Abraços, Heliane Collares
Estava na exposição do Sebastião Salgado no Jardim Botânico quando, ao passar pela foto da montanha Fitz Roy na Patagônia Argentina, vi o Carlos Minc. Aí, me permiti falar o que estava há tempos me sufocando: a falta de atenção, de amparo e vontade no acidente em que perdeu a vida meu sobrinho Bernardo Collares .
Abordei-o dizendo que ali no Fitz Roy estava meu sobrinho. Ele perguntou: Está passeando? Eu respondi: Não. Está lá por falta de alguém que pudesse socorrê-lo, pela falta das autoridades que nada fizeram para tentar salvar a sua vida.
Continuei contando que o sr. André Ilha me ligou no dia seguinte dizendo que um helicóptero da Polícia Civil teria sido preparado para o resgate (por ser o melhor para esses casos e que eu não precisaria continuar com os contatos com a Aeronáutica), a pedido do Minc que já entrara em contato com a presidente Dilma. Ela levaria o caso à presidente da Argentina e à autoridade que daria a ordem para o resgate. Mas ele pediu que eu não falasse com ninguém porque deveria ficar em segredo para melhor ser resolvido. Ele daria apoio à Kika.
Eu, ACREDITANDO EM SUAS PALAVRAS, nada falei, nem com minha família. E continuei dizendo que esse é o único arrependimento que tenho na vida, e não falei para ninguém porque quando eu prometo eu cumpro.
No final do dia, tentei falar com o sr. André Ilha para saber se tudo havia sido resolvido e ele não mais atendeu aos meus chamados, e nunca mais me procurou para dizer nada. Calou-se para sempre.
Dizendo isso, o sr. Minc foi se afastando como se eu fosse alguém que o tivesse importunando e a mulher que estava com ele disse: "Mas o rapaz estava fazendo o que gostava e está num lugar que ele gostava" . E saíram rápido de perto de mim.
O sr. Minc passou para outra sala e eu, então, vendo a indiferença dele, fui atrás. Eu o chamei e disse: O sr. não sabe quem sou. Sou irmã do Euro, o pai do Bernardo, e devo dizer que se ele estivesse vivo, isso não teria acontecido, a Dilma teria providenciado o socorro.
O sr. Minc olhou-me com aquele olhar de nada e foi embora. Ao descer, fui para a sala onde se vendiam os posters da exposição e lá fiquei esperando por minha filha.
Passados alguns minutos, entra pela sala a mulher do sr. Minc e, quando me vê, fica apavorada e sai rapidamente preocupada. No mesmo momento, entra o sr. Minc com o celular no ouvido e, ao me ver, fica de um lado para o outro, entrando e saindo, quando a mulher o vê e o empurra para fora.
Eu estava assentada e ali fiquei sem me mover e sem falar, mas só olhando para os dois que pareciam estar transtornados e, certamente, piores pela minha calma ao ter falado com eles e sempre em voz muito baixa, que ninguém ouviu naquela sala, mas com o olhar penetrante neles. Lavei a metade da minha alma, mas o Rio é uma província e encontrarei com ele outras vezes... Espero que ele perca algumas noites de sono pensando no que NÃO fez.
Obrigado pela leitura e compreensão. Cleusa.
Editoria de Arte/Folhapress
E continuei dizendo que esse é o único arrependimento que tenho na vida, e não falei para ninguém porque quando eu prometo eu cumpro.
Ao descer, fui para a sala onde se vendiam os posters da exposição e lá fiquei esperando por minha filha.
Eu estava assentada e ali fiquei sem me mover e sem falar, mas só olhando para os dois que pareciam estar transtornados e, certamente, piores pela minha calma ao ter falado com eles e sempre em voz muito baixa, que ninguém ouviu naquela sala, mas com o olhar penetrante neles.
Lavei a metade da minha alma, mas o Rio é uma província e encontrarei com ele outras vezes... Espero que ele perca algumas noites de sono pensando no que NÃO fez.
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