Maurice lendo o seu livro, Annapurna. Foto: AFP
Maurice Herzog recebendo atendimento mdico aps a escalada do Annapurna em 1950 " Foto: AFP
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O francês Maurice Herzog, primeiro homem a escalar uma montanha de mais de 8.000 metros, o Annapurna em 1950, morreu aos 93 anos, anunciou nesta sexta-feira (14) a Federação Francesa de Montanhismo e Escalada.
"Confirmo a morte de Maurice Herzog" , declarou por telefone à AFP um funcionário da federação, que recebeu a informação da prefeitura de Chamonix, cidade da qual Herzog foi prefeito entre 1968 e 1977.
Em 3 de junho de 1950, Herzog, acompanhado por Louis Lachenal, alcançou o topo do Annapurna (8.091 m, a 9ª montanha mais alta do mundo), no Himalaia, a primeira das 14 montanhas a ser conquistada como mais de 8.000m de altitude.
Herzog também foi membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) entre 1970 e 1995. Ele também foi secretário de Estado de Juventude e Esporte (com grau ministerial) sob a presidência de Charles de Gaulle.
Seu livro, Annapurna , lançado em 1951 é considerado um dos maiores clássicos da literatura de aventura. Impossibilitado de escrever, ele ditou-o da cama do hospital onde se recuperava dos danos físicos sofridos durante a escalada.
Fica aqui nossas condolências aos familiares e nosso agradecimento por tudo que ele fez ao montanhismo mundial.
UM TRECHO DO LIVRO: Abruptamente Lachenal me agarra: - Se eu voltar, o que você vai fazer? Em um lampejo, desfila em minha cabeça um mundo de imagens: os dias de marcha sob o calor tórrido, as escadas rudes, os esforços excepcionais feitos por todos para assediar a montanha, o heroísmo diário de meus companheiros para instalar e preparar os acampamentos... Agora, estamos perto do objetivo! Dentro de uma hora, duas talvez... a parada estará ganha! E teríamos de desistir? É impossível. Todo meu ser se recusa. Estou decidido, claramente decidido! Hoje nós consagramos um ideal. Nada é suficientemente grande. A voz soa clara: - Continuarei sozinho! Irei sozinho. Se ele quer descer, não pretendo retê-lo. Ele tem de escolher em plena liberdade. Meu companheiro precisava afirmar essa vontade. Não está nem um pouco desanimado, só prudência, a presença do risco ditaram essas palavras. Sem hesitar, ele escolhe: - Então, vou com você! A sorte está lançada. A angústia se dissipa. Assumi minhas responsabilidades. Nada nos impedirá mais de ir até o topo. Essas poucas palavras trocadas com Lachenal modificam o clima psicológico. Agora, somos irmãos. Sinto-me atirado em algo novo, insólito. Tenho impressões muito vivas, estranhas, que nunca senti antes na montanha. Há algo de irreal na percepção que tenho de meu companheiro e do que me cerca... Interiormente, sorrio da desgraça de nossos esforços. Contemplo-me de fora fazendo esses mesmos movimentos. Mas o esforço é abolido, como se já não houvesse gravidade. Essa paisagem diáfama, essa oferenda de pureza não é a minha montanha. É a dos meus sonhos. ...
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