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Everest
12 ANOS DE COBERTURA ONLINE DO EVEREST - TEMPORADA 2017
 
 
23.04.2017 - Masha Gordon vai escalar o Makalu (8.485m). OBS: O avatar colorido do alpinista mostra onde ele está no momento. Em Preto e Branco é o ponto mais alto ou longe que chegou.
 
 
CUMES MORTES
FACE SUL FACE NORTE FACE SUL FACE NORTE
ALPINISTAS SHERPAS ALPINISTAS SHERPAS ALPINISTAS SHERPAS ALPINISTAS SHERPAS
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destaque
 
EVEREST - FACE SUL EVEREST - FACE NORTE KANGCHENJUNGA MAKALU
ASCENT HIMALAYAS IMG HYBRID          
BRASIL BRASIL SUÍÇA BRASIL ESPANHA ITÁLIA RÚSSIA
• Island Peak 6189m
• BC
• Lobuche East 6090m
• BC - C1...
• BC • Em Gorak Shep
• A caminhdo do Cho Oyu • Campo Base
• BC
LEGENDA: • CA = CICLO DE ACLIMATAÇÃO • BC = BASE CAMP • FF = FOOTBALL FIELD (5.700m) • C1 = CAMPO 1 (5.900m) • C2 = CAMPO 2 (6.400m) • C3 = CAMPO 3 (7.200m) • C4 = CAMPO 4 (8.000m)
• 1C1 - PASSOU UMA NOITE NO CAMPO 1 • ... O CICLO EM ANDAMENTO • ABC = ACAMPAMENTO BASE AVANÇADO (6.500m - FACE NORTE) • LOBUCHE EAST (6.119m) • CC = CICLO DE CUME

 
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Elias Luiz        
Youtube #1 - Campo Base        
 
notícias
 

23.04.2017 - 06:40 Brasil | 10:40 Dublin | 15:25 Nepal (atualizado 1x)

Colo Sul estabelecido

  Elias Luiz  

Os Sherpas responsáveis pela fixação de cordas de segurança no Everest acabam de chegar ao Colo Sul, o Campo 4 (8.000m) do Everest. A partir de agora todas as etapas para os ciclos de aclimatação dos alpinistas já estão prontas.

Sete expedições diferentes foram designadas para formar a equipe de Sherpas que tem a incumbência de instalar as cordas de segurança do Campo 2 até o cume do Everest. Dois membros de cada uma destas expedições formam a equipe: IMG, Himex, Jagged Globe, Alpine Ascent, Adventure Consultant, Asian Trekking e Himalayan Trailblazer.

“A região do Everest, especialmente o acampamento base, está gradualmente se transformando em uma aldeia global, onde mais de 400 alpinistas e um pouco mais de 600 sherpas e pessoal de apoio farão do Campo Base a sua morada nos próximos dois meses.”

Tashi Sherpa da Himalayan Trailblazer, por telefone direto do Campo 2

     
Parede do Lhotse. Montanhistas a caminho do Campo 2. Parede do Lhotse, a caminho do Campo 3 e 4.

Kilian a caminho do Himalaia (12:47 - Brasil)

Kilian Jornet está embarcando hoje para o Hamalaia. Antes do Everest irá escalar o Cho Oyu junto com a sua namorada Emelie Forsberg, como processo de aclimatação para o Everest. Depois embarca para Lhasa, capital do Tibet, onde irá com o alpinista e cinegrafista Seb Montaz escalar a face norte do Everest.

O projeto de escalada de Kilian é sair do vilarejo habitado mais próximo do Everest, subir ao cume e voltar o mais rápido possível, e assim estabelecer o primeiro tempo desta rota.

Joel Kriger

Joel Kriger subiu hoje ao Campo 1. O primeiro brasileiro nesta temporada a passar pela temida Cascata de Gelo do Khumbu. Reparem que agora abaixo da foto em Destaque do Joel Kriger começarei a colocar as legendas, o que facilitará a compreensão do seu deslocamento. Para este trecho ficou assim:

• Lobuche East - (ele escalou essa montanha como processo de aclimatação)
• BC - C1... - (Saiu do Campo Base e chegou ao Campo 1. A “...” indica que este ciclo ainda está em andamento)

Adriano Freire

Adriano participou ontem da cerimônia Puja e deve subir em breve para o Campo 2.

Karina Oliani

Karina encontrou com o Joel Kriger em Gorak Shep. Hoje ela irá para Patle, vilarejo onde mora o Pemba Sherpa. Ela vai conhecer a escola que o projeto Dharma ajudou a construir. Muitos internautas do Extremos contribuíram com o projeto.

Marcelo Rabelo, Joel Kriger e Karina Oliani em Gorak Shep.
 
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20.04.2017 - 05:30 Brasil | 09:30 Dublin | 14:15 Nepal

O dia

  Elias Luiz  

Até o momento o governo do Nepal liberou 385 permits para o Everest e 100 permits para o Lhotse. Uma porcentagem dos permits do Lhotse pertence a mesma pessoa que irá escalar o Everest (farão uma escalada dupla). Esses permits são emitidos para os alpinistas estrangeiros e cada alpinista estrangeiro escala com pelo menos 1 Sherpa. Então até a Franja Amarela (Yellow Band), que fica acima do Campo 3, passarão aproximadamente 1.000 pessoas rumo ao cume do Everest e Lhotse (Explicarei isso detalhadamente no próximo vídeo).

Flashes

• Ueli Steck já está no Campo Base do Everest.
• Os Sherpas já estão instalando as cordas de segurança na parede do Lhotse (Campo 3).
• Já tem equipes no Campo 1 em seu 1º Ciclo de Aclimatação.
• 70 alpinistas estão utlizando o permit de foi estendido em 2015 , devido o terremoto.
• O Hospital do Campo Base (EverestER) já atendeu 50 pacientes com sintomas do mal da montanha, em sua maioria trekkers. nesta temporada.

Os brasileiros (atualizado)

• Adriano Freire fez cume no Island Peak, como processo de aclimatação para o Everest.
• Karina Oliani chegou com o seu grupo de trekkers ao Campo Base do Everest.
• Joel Kriger escalou até 6.090m do Lobuche East (6.119m) como processo de aclimatação.

   
Ueli Steck no Campo Base do Everest com os sherpas Nima-Gelu e Tenji. Adriano Freire no cume do Island Peak (6.812m).
 

17.04.2017 - 05:00 Brasil | 09:00 Dublin | 13:45 Nepal

Dia de Cerimônia Puja

  Elias Luiz  

Joel Kriger participou da Cerimônia Puja da equipe da IMG no Campo Base. Uma escalada no Nepal começa sempre com o Puja, a cerimônia de oferenda aos deuses das montanhas. Ninguém sobe a montanha antes de uma cerimônia Puja, principalmente os sherpas. No fim, todos recebem um punhado de tsampa, um tipo de farinha, que jogam uns nos outros... e ficam com os cabelos e rostos brancos, o que simboliza a chegada da idade... e desejam vida longa uns aos outros. Todos ficam emocionados e também felizes, pois a partir de agora podem começar a subida da montanha. Karina e Adriano também terão seus dias de Puja em breve.

“Hoje dia 17 de abril, é a cerimonia religiosa budista do Puja, onde os Sherpas pedem permissão para subir a montanha, marcando o início da temporada. Ontem foi um dia com duas atividades distintas, pela manhã, caminhamos (3,5km) subindo 200 metros com ventos fortíssimos, uma montanha pedregosa com várias canaletas para acostumarmos com esta situação, a tarde treinamento de escalada em gelo e revisão do equipamento que usaremos para subir o Everest.”

Joel Kriger

   
O acampamento base. Foto: IMG Joel Kriger em treinamento com cordas e grampons.

Karina Oliani

Karina Oliani chegou hoje a Lobuche (4.940m). Para os trekkers que estão sendo guiados pela Karina, Pedro e Maximo, este é um dos trechos mais difíceis do trekking, não pela trilha, pois esse trecho é relativamente fácil, mas sim por chegar na região do 5.000m. Cada corpo reage de forma diferente a altitude, e mesmo todos tendo feito um processo de aclimatação, com a lenta subida até aqui, com dois dias de aclimatação em Namche Bazaar e Dingboche, muitas vezes é a partir daqui que o corpo começa ser mais exigido.

Adriano Freire

Adriano tem em sua agenda a escalada do Island Peak como parte do processo de aclimatação.

“Elias, o high camp está perigoso para o sherpas chegarem, estamos aqui na espera (em Chukhung), mas é muito provável que dormiremos aqui hoje e provavelmente só amanhã, dia 17, partiremos para o acampamento base.”

Adriano Freire

Everest 2017 #1
 

14.04.2017 - 10:38 Brasil | 14:38 Dublin | 19:23 Nepal

Os brasileiros e Kilian

  Elias Luiz  

O acampamento base já está pronto a espera dos montanhistas que irão escalar o Everest. Semanas antes deles chegarem, os sherpas começam o trabalho de encontrar um bom lugar para montar a base de sua expedição, que é composta de barraca refeitório, cozinha, as barracas individuais dos montanhistas e banheiro. Cada agência tem a sua própria estrutura e isso é espalhado por todo Campo Base. Alguns montanhistas já estão no Campo Base, os brasileiros ainda estão na trilha.

Adriano Freire

Adriano está em Chukhung. Hoje fez treinamento com corda e amanhã deve escalar o Island Peak (6.189m).

Karina Oliani

Karina chegou hoje a Tengboche (3.864m). Lembrando que a Karina está apenas guiando um grupo de trekkers ao Campo Base, depois retorna para Katmandu e segue para o Tibet, na face norte do Everest.

Joel Kriger

Joel já está em Lobuche (4.940m).

Kilian Jornet

O espanhol está com sua namorada, Emelie Forsberg, treinando e curtindo as montanhas e os fiordes da Noruega. Hoje ele fez essa transmissão ao vivo. Em breve os dois embarcam para o Nepal e depois Tibet.

Kilian Jornet ainda está na Noruega
 

13.04.2017 - 07:01 Brasil | 11:00 Dublin | 15:45 Nepal

Party in the Everest

  Elias Luiz  

O Everest é um dos maiores palcos da Terra. Tudo na região é superlativo, das montanhas ao povo e aos desafios que proporciona aos montanhistas e trekkers. Tudo que é feito na região ganha grandes proporções e por isso também atrai muitos acontecimentos bizarros em busca de exposição.

O famoso DJ britânico Paul Oakenfol (Who?), que já trabalhou com Madonna e U2 e que promove grandes festas pelo mundo, então, para marcar o 30º aniversário da sua primeira viagem a Ibiza, que mudou para sempre a cultura do clube de dança, o DJ queria fazer algo monumental: fazer a maior festa de dança na face da terra.

Diz ele que não queria ganhar publicidade com isso e sim chamar atenção para as mudanças climáticas (What?). Por isso promoveu a mais alta festa no Campo Base do Everest, a 5.350 metros de altitude. Onde chegou após um trekking de 10 dias e foi embora de helicóptero.

Nem todos estavam ansiosos pela festa do DJ. “Infelizmente a reputação do Everest como a montanha dos alpinistas tem sofrido na última década porque as pessoas dizem que está se tornando um circo”, diz guia de montanha Mike Hammill, autor do livro 'Climbing the Seven Summits'. “Este acontecimento reforça ainda mais esse estereótipo. Alguns chamam Everest 'o maior palco na terra' e é isso que o DJ Paul Oakenfold busca. Eu acho que isso tira o foco do trabalho sério que acontece lá e, mais importante, os Sherpas podem achar que é um sacrilégio como a divindade da montanha.”

Outros gostaram da "festa". “A caminhada até o Campo Base não é uma caminhada técnica, para que ele não representa nenhum risco", diz alpinista Adrian Ballinger, da agencia Alpenglow Expeditions. “Acontecimentos parecidos com esse já faz parte da lenda da vida do Campo Base”.

A tal festa do DJ
 

11.04.2017 - 08:45 Brasil | 12:45 Dublin | 17:30 Nepal

O dia a dia dos Brasileiros e dados sobre as mulheres

  Elias Luiz  

Até hoje 435 mulheres escalaram o Everest, chegando ao cume 481 vezes e somente cinco não usaram oxigênio suplementar para chegar ao topo do mundo. Das 287 mortes no Everest, apenas seis eram mulheres. A primeira mulher a escalar o Everest foi a japonesa Junko Tabei no dia 16 de maio de 1975.

Apenas 15 mulheres escalaram as duas principais faces do Everest, a face Norte e Sul. Karina Oliani poderá ser a primeira mulher sul-americana a escalar as duas principais faces do Everest, em 2013 ela escalou a face sul. Mollie Hughes do Reino Unido também estará neste ano na face norte tentando realizar o mesmo feito.

Segue a lista completa das 15 mulheres que já escalaram as duas faces o Everest, algumas escalaram o Everest várias vezes:


Nome

Data

Horas

País

Idade

S/O2

Face

Cathy O'Dowd

25.05.1996

10:10

África do Sul

27

-

Nepal



29.05.1999

08:00


30

-

China

Lhakpa Sherpa

18.05.2000

06:30

Nepal

26

-

Nepal



23.05.2001

09:30


27

-

China



22.05.2003

13:00


29

-

China



20.05.2004

07:00


30

-

China



02.06.2005

06:30


31

-

China



11.05.2006

07:20


32

-

China



20.05.2016

05:00


42

-

China

Pemba Doma T Sherpa

19.05.2000

09:20

Nepal

29

-

China



16.05.2002

09:10


31

-

Nepal

Ellen Elizabeth Miller

23.05.2001

10:00

Estados Unidos

42

-

China



16.05.2002

09:56


43

-

Nepal

Alexia Zelda Cecile Zuberer

22.05.2003

06:55

Suíça

31

-

Nepal



18.05.2007

08:30


35

-

China

Maya Sherpa

24.05.2006

09:00

Nepal

28

-

Nepal



23.05.2007

06:45


29

-

China



20.05.2016

05:30


38

-

Nepal

Hsiu-Chen Chiang

12.05.1995

11:30

Taiwan

24

-

China



19.05.2009

10:15


38

-

Nepal

Laura Gonzalez Aranda

21.05.2009

05:00

México

42

-

Nepal



24.05.2010

06:14


43

-

China

Ngawang Bhutik Sherpa

22.05.2008

08:30

Nepal

31

-

Nepal



21.05.2011

05:30


34

-

China

10ª

Tamae Watanabe

16.05.2002

10:00

Japão

63

-

Nepal



19.05.2012

07:00


73

-

China

11ª

Leila Albogachieva

20.05.2012

08:30

Rússia

44

-

China



18.05.2012

08:00


45

-

Nepal

12ª

Jing Wei

20.05.2011

02:15

China

45

-

China


 

19.05.2013

-


47

-

Nepal

13ª

Malgorzata Jolanta Watroba

12.05.2011

08:00

Austrália

61

-

Nepal



22.05.2013

06:30


63

-

China

14ª

Lynne Hanna

21.05.2009

04:00

Reino Unido

47

-

Nepal



21.05.2016

06:45


54

-

China

15ª

Melissa Arnot

22.05.2008

08:20

Estados Unidos

24

-

Nepal



23.05.2009

06:30


25

-

Nepal



23.05.2010

10:15


26

-

Nepal



26.05.2012

09:30

 

28

-

Nepal



22.05.2013

06:55


29

-

Nepal



23.05.2016

12:30


32

Sim

China

Karina Oliani

O voo de Karina Oliani de Katmandu para Lukla teve que fazer um pouso em Rumjatar, devido as condições climáticas. Eles ficaram retidos por algumas horas até que o voo foi liberado novamente. Karina já está em Lukla onde guiará um grupo de trekkers brasileiros juntamente com Pedro Hauck e Maximo Kaush. Somente dia 29 de abril a ela seguirá para o Campo Base da face norte, no Tibet, onde de fato comecará a sua expedição rumo ao cume do Everest.

   
Karine Oliani com o grupo de trekkers brasileiros. Foto: Maximo Kaush Karina Oliani e Pemba Sherpa retidos em Rumjatar. Foto: Karina Olaini

Joel Kriger

Depois de uma rápida aclimatação em Namche Bazaar, Joel seguiu hoje para Tengboche, um dos mais charmosos vilarejos do Vale Khumbu, com um belo monastério e até um campinho de futebol onde os monges adoram bater uma bola com os estrangeiros.

   
Joel Kriger atravessando uma das pontes suspensas rumo a Namche Bazaar. Joel Kriger.

Adriano Freire

Adriano é o brasileiro que está mais adiantado na programação de aclimatação. Hoje ele chegou a Dingboche (4.530m) e amanhã parte para escalar o Island Peak (6.189m), como processo de aclimatação para o Everest.

“Ontém chegando no Monastério fiquei paralisado, veio um resgate espiritual que abraçou a minha Alma e me lembrou os tempos de garoto! Viver o presente sendo conduzido pela minha essência passo a passo e o amanhã deixo para o amanhã!
Elias, sou novato e a Ascent Himalayas que faz todo trabalho e eu só ando. Não ligo para nada, gosto de andar e tenho pulmão!”

Adriano Freire

   
Adriano Freire em Dingboche (4.530m). Foto: Adriano Freire Hoje ventou muito no cume do Everest. Foto: Adriano Freire
 

09.04.2017 - 07:00 Brasil | 11:00 Dublin | 15:45 Nepal

Os destaques da temporada

  Elias Luiz  

Desde 2005, quando realizamos a primeira cobertura online do Everest, focamos sempre em contar as histórias das escaladas dos brasileiros e dos principais montanhistas da atualidade. A cada temporada aumenta cada vez mais a procura para chegar ao topo do mundo e agora para 2017 é esperado aproximadamente 500 estrangeiros, e normalmente cada estrangeiro é acompanhado de um sherpa durante a escalada, então apenas na face sul poderemos ter 1.000 montanhistas tentando o cume. Um recorde preocupante, por mais que tenhamos bons dias de janela de ataque ao cume, todos esses dias estarão com a via congestionada de montanhistas. Mas se acontecer como me 2005 ou 2012 em que houve apenas quatro dias de cume pela face sul, aí tudo pode se complicar.

Por enquanto os destaques desta temporada são:

• ADRIANO FREIRE, 42 anos: fará a sua primeira tentativa de escalar o Everest.
• JOEL KRIGER, 63 anos: em 2013 chegou a 8.500m pela face sul.
• KARINA OLIANI, 34 anos: escalou a face ful em 2013. Vai escalar a Face Norte
• UELI STECK, 40 anos: A máquina suíça vai escalar a via em roxo no mapa, West Ridge, Hornbein Couloir, descer ao Colo Sul e escalar o Lhotse. Sem oxigênio suplementar.
• KILIAN JORNET, 29 anos: teve a sua licença negada para a escalada em agosto. Por isso resolveu fazer a sua escalada em velocidade do Everest pela face norte agora na Primavera.
• SIMONE MORO e TAMARA LUNGER vão escalar o Kengchenjunga (8.586m), a 3ª montanha mais alta do mundo, que fica entre o Nepal e a China, e que conseguimos identificar em nosso mapa da Cobertura Online, está a esquerda do Everest.

06.04.2017 - 10:50 Brasil | 14:50 Dublin | 19:35 Nepal

Infográfico: As 287 mortes no Everest

  Elias Luiz  

Desde 1922 até o ano de 2016 morreram 287 pessoas no Everest, entre estrangeiros (alpinistas) e sherpas. Mas exatamente onde aconteceram essas mortes? O infográfico acima criado pela equipe do Extremos ajuda a dimensionar essa tragédia e aponta o local onde ocorreram cada fatalidade:

• CÍRCULO PRETO: Alpinistas
• CÍRCULO VERMELHO: Sherpas

Acima dos 8.000m praticamente todos os corpos permanecem onde estão, são quase 140. Mas ainda existem muitos outros corpos abaixo desta altitude que nunca foram encontrados, devido a quedas em precipícios, quedas em gretas, soterrados por avalanches, etc.

Este infográfico ajuda a complementar um dos mais famosos artigos publicados no Extremos: “Morte nas nuvens. O problema com os mais de 200 corpos no Everest”.

04.04.2017 - 06:45 Brasil | 10:45 Dublin | 15:30 Nepal

Alguns números

  Elias Luiz  

Sempre que finaliza uma temporada em poucos dias nós entregamos aos internautas alguns números, o mais esperado é a totalidade de cumes no Everest, somando a Face Sul e Norte. Esses números são computados de várias formas e sempre o primeiro a ser divulgado é um número bem próximo do que será o real. Agora temos os números oficiais que são gerados pelo The Himalayan Database, capitaneado pela historiadora do Everest, Elizabeth Hawley, hoje com 93 anos de idade. Esses números quase sempre são divulgados 10 meses após a fim da temporada. Veja o gráfico abaixo.

Em 2016, pela Face Sul do Everest 442 alpinistas e Sherpas chegaram ao cume. Pela Face Norte foram 199 alpinistas e Sherpas no cume. Totalizando o número de 641 cumes, perdendo apenas para o ano de 2013, que teve 660 cumes.

Outro detalhe que os dados informaram é que pela Face Sul teve 11 dias de cume e pela Face Norte 6 dias. Isso ajuda a diminuir a fila de alpinistas rumo ao cume no mesmo dia. Mas ainda assim no dia 19 de maio de 2016, foram 197 alpinistas e Sherpas que chegaram ao cume do Everest, e entre eles estavam os brasileiros Carlos Santalena e Thaís Pegoraro, que nos informaram que tinha muita fila sim para chegar ao cume. Você pode confirir neste link todos as informações e podcasts da temporada 2016.

Em 2016 foram apenas 5 mortes, um número triste sim, mas baixo em relação a década de 90. Onde os números de mortes eram parecidos, mas o número de cumes era em torno de 100.

A temporada de 2017 já mostra que os números serão parecidos com o ano de 2016, se nada grave acontecer. Vamos torcer para uma boa temporada com a Karina Oliani pela Face Norte e o Joel Kriger pela Face Sul.

Incluímos neste gráfico os números oficiais da temporada de 2016. A temporada de 2017 já mostra que os números serão parecidos, mais de 500 alpinistas tentarão o cume do Everest.
 

03.04.2017 - 06:40 Brasil | 10:40 Dublin | 15:25 Nepal

Rota aberta ao C1

  Elias Luiz  

Chegou a primavera e principalmente chegou abril, época em que o mundo todo estará com a atenção total voltada para a montanha mais alta do mundo, o Everest, com seus magníficos 8.848 metros de altitude, período da principal temporada de escalada do ano, onde teremos mais de 500 montanhistas tentando chegar ao topo do mundo.

Se você já teve o prazer de caminhar pelo Vale do Khumbu e todos os dias ver ao fundo o pico mais alto do mundo em meio a outras imensas montanhas, sabe bem do que estou falando. Se você ainda não fez o trekking ao Campo Base do Everest, recomendo, é estonteante em todos os sentidos. Mas se você apenas gosta de acompanhar esses "loucos" montanhistas desafiando os seus limites, você está no lugar certo. Há 12 anos o Extremos tem o prazer de fazer a Cobertura Online do Everest, isso já é muito mais do que uma tradição, o Everest faz parte do DNA da nossa empresa.

Faremos a Cobertura Online do Everest diretamente de nossa redação em Dublin.

Neste momento montanhistas do mundo todo estão desembarcando em Katmandu, outros devem chegar no mais tardar até o final desta semana. E o ritual é sempre o mesmo, para a maioria dos montanhistas que irão escalar o Everest, este é o primeiro contato que eles tem com a cultura nepalesa. Começa com o trânsito caótico de Katmandu, onde todos buzinam no intervalo de 1 segundo. Carros e motos cruzam as vias, onde nem mesmo existe um cruzamento. As vacas, que são consideradas sagradas por aqui, circulam despretensiosamente entre os carros, causando uma bagunça ainda maior no trânsito. Mas não se preocupe, isso é apenas a agitação normal de mais um corriqueiro dia em Katmandu, dificilmente você verá uma briga no trânsito. A poluição e a falta de saneamento básico também é outro transtorno. Mas uma pena se você deixar de conhecer esse maravilhoso país por causa destes detalhes. Os nepaleses adoram receber os estrangeiros e fazem de tudo para nos agradar. É um povo muito tranquilo, da paz. A sua rica cultura, onde a maioria é hinduístas ou budistas, é o que encanta a maioria dos estrangeiros. Os templos e a Cidade Sagrada, mesmo tendo sofrido danos com o terremoto de 2015, continuam atraindo cada vez mais a atenção pela sua beleza e pela sua história. A natureza foi generosa com o Nepal, o Himalaia corta toda a parte norte do país, e onde estão 8 das 14 montanhas mais altas do mundo, todas acima de 8.000 metros. Após alguns dias em Katmandu comprando os últimos equipamentos que faltam para a expedição, visitando pontos turísticos e resolvendo as últimas burocracias, aí sim o montanhista, partirá para Lukla, para iniciará o trekking ao Campo Base do Everest, que será a sua moradia durante os próximos 40 dias. Mas isso é história para um próximo post, quando eles já estarão na trilha.

Via aberta até o C1

Os oito Doutores da Cascata de Gelo (Icefall Doctors) já abriram a rota do Campo Base até o Campo 1 (C1). Desta vez eles optaram pela via tradicional, a que era utilizada até 2014, antes do terremoto de 2015. Após o monitoramento da geleira e dos seracs, eles optaram por essa via mais a esquerda da temida Cascata de Gelo. Usaram apenas 21 escadas, contra 23 seções de escadas em 2016. Mais 80 escadas foram transportadas para o Campo 1. Nesta temporada a SPCC (Comitê de Controle de Poluição de Sagamartha) importou do Reino Unido 50 novas escadas.

A maioria das agências já enviaram os seus Sherpas para o Campo Base para construírem as suas bases. Até o momento, o Departamento de Turismo recebeu pedidos de 19 expedições para o monte Everest, que deve englobar um universo de aproximadamente 500 montanhistas que sonham em chegar ao cume do Everest. O valor do permit será o mesmo nesta temporada, US $ 11.000 para cada montanhista.

Karina Oliani e Joel Kriger

A brasileira Karina Oliani chegou hoje a Katmandu, onde vai guiar um trekking ao Campo Base do Everest, já valendo como um início de aclimatação. No dia 29 de abril ela embarcará para o Tibet, rumo a Face Norte, onde de fato começará a sua expedição ao Everest.

Joel Kriger, que em 2013 chegou até 8.500m de altitude em sua escalada ao Everest, este ano retorna para uma nova tentativa e pela mesma face, a Sul.

Recordes

Nesta temporada os brasileiros podem estabelecer novas marcas:

• Joel Kriger por se tornar o brasileiro mais velho a chegar ao cume do Everest, com 63 anos. Atualmente a marca pertence ao Manoel Morgado, que chegou ao cume do Everest com 53 anos.

• Karina Oliani pode se tornar a primeira mulher brasileira a escalar tanto a Face Sul (2013) como a Face Norte do Everest. Atualmente apenas o Waldemar Niclevicz escalou as duas faces.

25.03.2017 - 22:35 Londres | 04:20 Nepal

Ótima notícia... mas precisamos da ajuda de vocês!

  Elias Luiz  

Estamos anunciando aqui em primeira mão que a Karina Oliani pretende escalar o Everest este ano, e será pela Face Norte, no Tibet. Entre os brasileiros, apenas o Waldemar Niclevicz escalou o Everest pelas duas faces. A Karina Oliani poderá se tornar a primeira mulher brasileira a escalar as duas faces do Everest. Em 2013 ela escalou o Everest pela face sul, Nepal.

Uma marca famosa fez o convite a ela, e comprou uma cota de 30% do projeto. Ela já comprou o permit da escalada, mas ainda faltam 70% para ela completar o orçamento da expedição. Esses 70% estão divididos em duas cotas. Se você é dono de uma grande empresa, CEO, ou trabalha no departamento de marketing de uma grande empresa que queira associar a sua marca a expedição da Karina Oliani, entre em contato conosco: portalextremos@gmail.com

Karina Oliani vai escalar a face norte do Everest
 
 
TEMPORADA DE INVERNO
 

08.03.2017 - 07:55 Brasil | 16:40 Nepal - Atualizado

Alex desiste

  Elias Luiz  

Alex Txikon acaba de informar que sua expedição está encerrada. Durante esta última tentativa ele enfrentou ventos de mais de 100 km/h e temperatura de -40ºC.

“Teria sido um verdadeiro suicídio ir em frente. Como chefe da expedição não posso colocar em perigo a vida dos meus companheiros... e a minha também. Para mim é mais difícil dicidir descer ao Campo Base do que subir ao Campo 4. Haverá mais oportunidades. Eu voltarei.”

disse Alex Txikon via telefone satelital

Assim termina a temporada de escalada invernal do Everest. A partir do início de abril começa a temporada principal, que é a da Primavera, onde os alpinistas começam a fazer o trekking ao campo base do Everest nos primeiros dias de abril e durante todo o mês de abril e até a primeira semana de maio são realizados os Ciclos de Aclimatação. O ataque ao cume normalmente deve acontecer entre o dia 10 a 25 de maio.

Fiquem ligados aqui no EXTREMOS, pois nessa temporada teremos mais de 700 alpinistas tentando chegar ao cume do Everest e entre eles alguns dos principais alpinistas tentando fazer a escalada sem o uso de oxigênio suplementar.

08.03.2017 - 06:45 Brasil | 15:30 Nepal - Alex Txikon está de volta ao campo base e o inverno está acabando. Será que terá tempo para mais um Ciclo de Cume?
 

08.03.2017 - 06:45 Brasil | 15:30 Nepal

De volta ao Campo Base

  Elias Luiz  

O alpinista espanhol está de volta ao Campo Base. Ele ainda não se pronunciou, mas a partir de agora o tempo está contra Alex Txikon, o último dia do inverno é dia 20 de março. Ele gasta pelo menos 5 dias para chegar ao cume e mais uns 3 para descer. O tempo está se esgotando. Será que há uma boa janela de ataque ao cume para os próximos 3 ou 4 dias? É difícil, pois ele saberia e teria deixado essa tentativa para a melhor janela.

Lembrando que essa é uma expedição invernal. Ele tem que fazer tudo dentro da estação de inverno, que no hemisfério norte vai de 21 de dezembro a 20 de março. O alpinista que está tentando fazer uma escalada invernal, não pode chegar ao campo base antes de 21 de dezembro (Alex iniciou a sua expedição no dia 25 de dezembro), e tem que estar de volta do cume ao campo base até o dia 20 de março. Essas são as regras mais atuais.

07.03.2017 - 14:35 Brasil | 23:20 Nepal

Ciclo de Cume

Alex Txikon e sua equipe de sherpas, partiram ontem para o Ciclo de Cume. Eles estão agora no Campo 2 descansando.

06.03.2017 - 10:45 Brasil | 19:30 Nepal

Reinhold Messner

O lendário alpinista, Reinhold Messner, voou na manhã desta segunda-feira de Katmandu para o Campo Base do Everest a fim de conhecer e desejar boa sorte a escalada invernal de Alex Txikon.

“A vida sempre surpreende! Nesse momento de felicidade em que pensei que a maior experiência da minha vida não podia ser superada, Reinhold Messner meu maior ídolo e inspiração, vem ao Acampamento Base, para me apoiar no meu desafio de tentar escalar o Everest no inverno e sem oxigênio engarrafado.
'O deus das montanhas' foi o primeiro alpinista com Peter Habeler a chegar ao topo do mundo sem oxigênio engarrafado, e depois coroou sozinho. O apoio que ele nos deu é indescritível. Obrigado Messner, seus passos são o nosso caminho!”

disse o alpinista espanhol, Alex Txikon, após o encontro com Messner no acampamento base. “

Nuri Sherpa, Reinhold Messner e Alex Txikon no acampamento base do Everest, na manhã desta segunda-feira, 6 de marrco de 2017.
 

14.02.2017 - 13:30 Brasil | 21:15 Nepal

Motivo

Foi um dia difícil, lutamos muito contra o vento para chegarmos ao Campo 4 (7.950m). Quando chegamos lá, fizemos de tudo para armar as barracas, mas o vento foi implacável e não coseguimos. A temperatura estava por volta dos -40ºC, por isso resolvemos descer para o Campo 3 - disse Alex Txikon

Essa foi a mensagem que ele enviou ontem. Então a mudança do clima foi a causa para ele ter abandonado esse ataque ao cume. Como retornou direto para o Campo Base, significa que não teria uma janela próxima para o ataque ao cume. Vamos aguardar o pronunciamento dele para saber ser fará uma nova tentativa, pois ainda tem tempo para isso, o inverno só termina no dia 19 de março.

Lembrando que Alex Txikon está tentando escalar o Everest sem o uso de oxigênio suplementar em pleno inverno, o que dificulta ainda mais. Apenas o alpinista nepalês Ang Rita Sherpa chegou ao topo do Monte Everest, em 1987, utilizando a rota normal, sem oxigênio suplementar na estação do inverno.

14.02.2017 - 07:45 Brasil | 15:30 Nepal

Descendo para o Campo Base

Alex Txicon está neste momento passando pela Cascata de Gelo rumo ao Campo Base. Ele estava no Campo 3 e por algum motivo que ainda não informou desistiu deste ataque ao cume. Entre tantas possibilidades, há três que são as mais comuns: pode ser porque a janela de bom tempo não se confirmou ou que ele tenha se sentido mal ou ainda que não foram fixadas as cordas de segurança acima do C4.

Atualização - 10:00 Brasil: Alex Txikon já chegou ao Campo Base.

10.02.2017 - 08:15 Brasil | 16:00 Nepal

Ciclo de Cume

Chegou o momento! Estamos saindo rumo ao Campo 2. Esperemos que o vento não tenha causado muitos estragos em nossos equipamentos, como aconteceu semana passada. Há previsão de um janela de bom tempo entre os dias 14 a 18 de fevereiro, em breve informareei a data que iremos escolher para fazer o tão esperado ataque ao cume. Agora mais que nunca, preciso de vocês aqui comigo.

08.02.2017 - 14:50 Brasil | 22:35 Nepal

3º Ciclo de Aclimatação

Partimos do acampamento base na quinta-feira, 2 de fevereiro para mais um ciclo de aclimatação e montagem de de novo acampamento. A subida direta ao Campo 2, a 6.350 metros de altitude, tornou-se uma mera formalidade, embora sempre muito perigosa.

Entramos na Cascata de Gelo do Khumbu, que jorra água por todos os lados devido ao derretimento da geleira, e muitos trechos estão cada vez mais perigosos. Eu pensei que seria mais seguro no inverno (na verdade boa parte da comunidade de alpinistas imaginam isso), mas cada vez que subo a Cascata de Gelo ela está mais difícil, mais cara e mais exigente.

Estamos no limite, não temos mais material e só temos os recursos necessários. Este Everest será muito exigente desde o início até o fim. Depois de oito horas chegamos ao C2 inexistente (6350m). Havíamos deixado o acampamento montado e com provisões, mas tudo voou. Toca procurar todo o material que foi esparramado na moraina.

Mudamos o plano. Decidimos descansar na sexta-feira 3, e sábado, dia 4, uma subida rápida ao Campo 4 , a 7.896 metros de altitude.

Na sexta-feira, 3, tudo estava silencioso. Normalmente, nós rimos, nós brincamos, mas hoje ninguém tinha ânimo para isso. É normal, porque o que está à frente será muito difícil. São 18h00 e nos deitamos para descansar em nossos sacos de dormir e novamente o silencio; e o silêncio só é quebrado pelo o belo canto dos pardais. No Campo 2 estamos rodeados de pardais e corvos, assustador.

São 23:30, agora é o momento da verdade, e na grande tenda se reúnem Norbu, Nuri, Furba, Chepal, Pemba e eu. Nota-se o nervosismo, prensado a frio. Eu não sei, mas deve estar em torno de 30-35 graus abaixo de zero. Nos equipamos para partir. Estou um pouco nervoso; esta de noite no inverno e o inverno é duro. Preciso completar esse ciclo, para estar pronto para o próximo ciclo, que será o de cume.

Partimos para o Campo 4 (7.950m). Ninguém fala nada. A noite é muito escura, mas as estrelas brilham.

Eu como sempre, não troquei as pilhas da minha lanterna frontal e não vejo nada! Estou entre os que dão o máximo. Contamos com poucos recursos! Vamos em um bom ritmo. Bastante rápido. Vou subindo e pensando em muitas coisas. Entramos nas seções das gretas, mas não são perigosas, mas por descuido caí em uma, e só não fui ao fundo porque fiquei enroscado na boca da greta pela minha mochila. Sorte, pois ao olhar para baixo não avistei o fundo. Meu corpo se contrai, o nervosismo que estava a espreita toma de assalto a situação, meu coração acelera e parece que vou me afogar. É o que sinto. Pemba que vinha logo atrás jogou uma manta e conseguiu me puxar, no exato momento em que a aresta se quebra e vejo uma rachadura enorme que poderia ter me levado ao fundo. Respiro e trato de me concentrar e continuamos a subir.

03:00 - O frio aumenta muito e o vento começa a soprar. Aos poucos vamos subindo e eu estou quase congelando. Olho para cima e vejo em meio ao céu estrelado uma estrela mais forte, cintilante, diferente de todas. Escalar a noite é difícil, as referências somem, então você tem que procurar uma forma de matar o tempo, motivar, sentir o que você está fazendo.

A noite estrelada de Alex Txikon.

No início das cordas fixas tento subir rapidamente. O frio atinge os meus dedos e olho para a estrela que, por alguma razão que eu não sei ainda me protege, em uma noite como esta, você está tão perto do céu parece que pode tocá-lo!

São 05:00 horas da manhã, estamos no em Campo 3 (7250m). Eu apenas sinto os dedos dos pés e não sou o único. Aceleramos o ritmo o máximo que conseguimos para não congelarmos. Depois de uma hora, o céu já não está mais escuro e não consigo mais ver a estrela, a mais bonita entre todas.

Olho o vale abaixo e fico perplexo com o amanhecer, provavelmente é o mais belo nascer do sol que meus olhos já viram. O majestoso amanhecer do Chomolungma (Everest), as belas vistas, mas isso nos castiga… o vento agora sopra de todas as direções e o frio ganha intensidade.

   
O sol nascendo. Na parede do Lhotse, acima do Campo 3.
   

Cerro os dentes e de joelhos olho de vez em quando para o Vale do Silêncio e desfruto do amanhecer e de suas vistas. Consigo reunir forças e determinação para continuar. Apesar do risco envolvido, passamos pela Franja Amarela.

Aproveitamos uns 200 metros de cordas velhas, divididas em seis trechos em um trecho muito vertical. Olho para baixo e vejo que o sol ainda não alcançou o Campo 2. É o momento mais difícil e o vento castiga.

Finalmente o sol chega no Campo 2, por volta das 09:10 da manhã e estou a quase 7.800 metros de altitude, a nossa direita passamos pelo Campo 4 do Lhotse, que ainda está na sombra. Já são oito horas na escuridão e na sombra que o Lhotse nos trás.

Tenho que fazer um recurso que não falha nunca. É muito doloroso, mas vale a pena. Fico de joelhos no chão e corto a circulação do sangue por alguns minutos, até que de repente começo a sentir dolorosos choques elétricos, esse é o sinal. Então eu sento e o sangue começa a fluir novamente e volto a sentir a sola dos meus pés.

Somente às 11 horas da manhã o sol aparece para nós, e começa a nos aquecer e finalmente após atravessar uma franja de neve chegamos ao Colo Sul, a 7.950 metros de altitude.

Deixo os 15 kg que carreguei até aqui, entre barraca, gás e corda e arranco para baixo com Chhepal. A concentração na descida tem que ser 200%, rapel e mais rapel e pedras começam a rolar. Não vejo direito o que faço, mas vou descendo aos poucos e me preocupo apenas em olhar para cima para ver se nenhum pedra vai me atingir. Último rapel e chego ao fim deste trecho. Olho para cima e vejo Nurbu, Nuri e Furba. Chhepal e eu cruzamos o glaciar.

Estou esgotado, quando fecho os olhos eles doem, durante toda a noite escalei sem óculos. Mas se fechar os olhos agora para aliviar um pouco a dor, eu durmo, mesmo de pé.

Chegamos ao Campo 2 e digo para Chhepal que é melhor descermos direto ao Campo Base hoje, por mais cansado que eu esteja, com o tempo aprendi medir as minhas forças e sei que consigo chegar pelo menos até o final da Cascata de Gelo. A previsão amanhã é de ventos fortes por aqui, então é mais seguro descer hoje.

Chhepal não concorda comigo, pois está vendo que meu estado não é dos melhores, mas após descansarmos 15 minutos, às 14:45 tocamos para baixo. Eu sempre estabeleço pequenas metas e vou recordando cada trecho que passei na rota. E finalmente no cair da noite saímos do Cascata de Gelo e chegamos ao início do Campo Base, onde Aitor me espera com uma Coca-Cola e com o nosso cão Gatz.

Após caminhar pela moraina, chego a minha barraca e descubro que ela é o melhor lugar do mundo. Meus pés doem, as pontas dos dedos estão rachadas pelo frio intenso, os olhos também doem, os lábios também… depois de longas 18 horas de trabalho, estou de volta e feliz.

Um bom jantar e um bolo maravilhoso em comemoração do aniversário de Pablo, faz parecer que estamos em cada. Hoje estou escrevendo mais um trecho do meu diário da minha escalda invernal no Everest. Não me sinto tão cansado e em breve estarei pronto para o próximo ciclo, o Ciclo de Cume. Em breve você terá mais notícias e será sobre o ataque ao cume.

O majestoso Everest.
 

02.02.2017 - 14:50 Brasil | 22:35 Nepal

Campo 1

Alex Txikon e sua equipe de sherpas estão subindo para mais um ciclo de aclimatação, neste momento estão no Campo 1.

Essa semana apareceu no Campo Base do Everest uma cadela: "A vida é cheia de surpresas! Há três dias atrás esta linda amiga apareceu no campo base do Everest. Ela é chamada de Gatz (em basco) e tornou-se parte da equipe. Vamos cuidar dela, e ela vive e dorme conosco. Incrível!" – disse Alex.

   
Alex Txikon com a cadela que apareceu no Campo Base do Everest. A cadela a 5.350 metros de altitude (Campo base).
   

23.01.2017 - 09:00 Brasil | 16:45 Nepal

Carlos Rubio abandona expedição

  Elias Luiz  

Quando os dois alpinistas espanhóis estavam no Campo 3, nesta sexta-feira, Carlos Rubio, 28 anos, não estava se sentindo bem, estava com sintomas do mal da montanha, e para não agravar um provável edema pulmonar, eles desceram para o Campo 2 onde um helicóptero fez o resgate de Rubio, levando-o para um centro de saúde acima de Namche Bazaar, onde foi administrado soro e antibióticos para estabilizar o seu processo inflamatório pulmonar. Ao meio-dia de sábado ele foi transladado para Katmandu, onde foi hospitalizado e agora passa bem e deve retornar para Espanha o mais breve possível.

Alex Txikon continua

Alex Txikon, que era o lider da expedição, continuará junto com os sherpas a sua tentativa de escalar o Everest no inverno. Neste domingo ele fez um tiro rápido até o Campo 4 e depois desceu para o Campo 3, onde permanece até o momento.

Kilian Jornet

O trail runner Kilian Jornet anunciou que vontará a face norte do Everest, Tibet, no próximo verão, em agosto, para a sua tentativa de quebra de recorde de escalada em velocidade na montanha mais alta do mundo.

Mensagem de Carlos Rubio direto do Hospital em Katmandu
 

21.01.2017 - 14:40 Brasil | 22:25 Nepal

Cascata de Gelo

A equipe de Alex Txikon liberou o vídeo da Cascata de Gelo. Confira as belas imagens.

Vídeo publicado no dia 15 de janeiro de 2017, mostra a equipe escalando a Cascata de Gelo do Khumbu.
 

20.01.2017 - 08:50 Brasil | 04:35 Nepal

Campo 3

Os alpinistas espanhóis, Álex Txikon e Carlos Rubio, neste 2º ciclo de aclimatação chegaram no Campo 3, a 7.000m de altitude.

18.01.2017 - 01:15 Brasil | 09:00 Nepal

Everest Invernal

  Elias Luiz  

Álex Txikon e Carlos Rubio estão tentando escalar o Everest no inverno. Os alpinistas espanhóis estão acompanhados de 8 sherpas. Eles instalaram o acampamento base no dia 5 de janeiro, e no dia seguinte realizaram a tradicional cerimônia Puja. Em seguida iniciaram uma das tarefas mais difíceis da escalada do Everest, que é a definição da melhor via na Cascata de Gelo do Khumbu e a fixação das cordas e escadas. No dia 14 de janeiro montaram o Campo 1 (C1).

Agora ambos apinistas estão de volta campo base após o término do 1 ciclo de aclimatação.

Morte

Um oficial de ligação que foi designado para acompanhar a expedição invernal passou mal quando estava em Lobuche (4.940m) ao sofrer os efeitos do mal de altitude. Estava sendo levado para Thukla onde seria resgatado de helicóptero, mas acabou falecendo no local. O corpo foi levado para Kathmandu.

Álex Txikon e Carlos Rubio durante a escalada da Cascata de Gelo do Khumbu. Foto: Divulgação

 

Os 16 brasileiros que já estiveram no topo do Everest

       

Cume: 14.05.1995
Face Norte (Tibet)
Idade no cume: 29 anos
2º Cume: Face Sul (Nepal), em 02.06.2005 - único brasileiro a escalar com sucesso as duas faces do Everest
Nascimento: 12.03.1966
Foz do Iguaçu / PR

Cume: 14.05.1995
Face Norte (Tibet)
Idade no cume: 32 anos
Faleceu em uma avalanche na face sul do Aconcágua no dia 03.02.1998
Nascimento: 14.06.1962
Teresópolis / RJ


Cume: 02.06.2005
Face Sul (Nepal)
Idade no cume: 33 anos
Nascimento: 12.06.1971
Curitiba / PR




Cume: 02.06.2005
Face Norte (Tibet)
Idade no cume: 37 anos
2º Cume: Face Norte, sem o uso de oxigênio suplementar. Morreu de HAPE ou HACE, no Campo 3 (8.300m), em 19.05.2006
Nascimento: 13.12.1967
Belo Horizonte / MG
       

Cume: 19.05.2006
Face Sul (Nepal)
Idade no cume: 40 anos
Nascimento: 11.01.1966
Igarapava / SP




Cume: 27.05.2008
Face Sul (Nepal)
Idade no cume: 39 anos
2º Cume: Face Sul - 20.05.2011
3º Cume: Face Sul - 21.05.2013
Nascimento: 09.05.1969
Ibitinga / SP


Cume: 27.05.2008
Face Sul (Nepal)
Idade no cume: 38 anos
Nascimento: 02.07.1969
Campinas / SP




Cume: 17.05.2010
Face Sul (Nepal)
Idade no cume: 53 anos
Nascimento: 20.08.1956
Farroupilha / RS



       

Cume: 17.05.2010
Face Sul (Nepal)
Idade no cume: 46 anos
Nascimento: 04.01.1964
Manaus / AM


10º
Cume: 07.05.2011
Face Sul (Nepal)
Idade no cume: 24 anos
2º Cume: Face Sul - 19.05.2016
Nascimento: 10.05.1986
Campinas / SP

11º
Cume: 07.05.2011
Face Sul (Nepal)
Idade no cume: 38 anos
Nascimento: 27.04.1973
São José dos Campos / SP


12º
Cume: 17.05.2013
Face Sul (Nepal)
Idade no cume: 31 anos
Nascimento: 14.05.1982
São Paulo / SP


       
13º
Cume: 23.05.2013
Face Sul (Nepal)
Idade no cume: 43 anos
Nascimento: 28.02.1970
São Paulo / SP


14º
Cume: 19.05.2016
Face Sul (Nepal)
Idade no cume: 37 anos
Nascimento: 26.11.1978
Bauru / SP


15º
Cume: 21.05.2016 - 6h00
Face Norte (Tibet)
Idade no cume: 47 anos
Nascimento: 26.11.1968
Monsenhor Tabosa / CE


16º
Cume: 21.05.2016 - 7h00
Face Sul (Nepal)
Idade no cume: 38 anos
Nascimento: 15.03.1978
Pelotas / RS


 

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