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Estudo revela a “Psicose isolada de alta altitude”
 
texto: Elias Luiz
Fontes: MontagnaTV e GoOutside
14 de dezembro de 2017 - 13:20
 
Carlos Santalena no cume do Everest, no dia 7 de maio de 2011
 

Um estudo realizado pelos psiquiatras da Universidade Médica de Innsbruck e a medicina de emergência nas montanhas da Eurac Research em Bolzano destacou a probabilidade de surgirem problemas psiquiátricos relacionados à alta altitude. A análise científica sistemática levou à definição de uma nova síndrome chamada "psicose isolada de alta altitude" (Isolated psychosis during exposure to very high and extreme altitude). Entre os sintomas: o sentimento de ser perseguido, dizendo frases sem sentido ou mudança de caminhos sem motivo.

Os resultados foram publicados na revista "Medicina psicológica", o estudo selecionou e analisou, pela primeira vez, 80 episódios de psicose encontrados na literatura de montanha.

Um exemplo famoso pode ser o de Hermann Buhl, que teve uma espécie de alucinações visuais e auditivas, enquanto ele estava descendo sozinho de Nanga Parbat em 1953. Aqui apresentamos uma passagem de E 'escuro na geleira onde o próprio Buhl conta sua experiência:

“Nessas horas de tensão extrema, uma sensação estranha me apreende. Eu não estou mais sozinho! Há um companheiro que me protege, me observa, me da segurança. Eu sei, é absurdo, mas o sentimento permanece. [...] Volto, quero colocar as minhas luvas novamente. Eles desapareceram. Curvando as costas, peço ao enigmático companheiro. [...] Um fantasma se diverte comigo? No entanto, entendi a voz familiar muito claramente.”

 

Aconteceu com brasileiros

Durante a escalada do Everest, no dia 6 de maio de 2011, Carlos Santalena e Carlos Canellas chegaram ao Campo 4 (8000m) exaustos e via rádio pediram a permissão para usar a barraca de um montanhista inglês para que pudessem se abrigar e esquentar algo para comer e beber. Quando foram ascender o fogareiro, o fósforo não funcionou e olharam para fora da barraca e viram um Sherpa. Estranharam, pois sabiam que não tinha ninguém no acampamento além deles. Santalena foi até o sherpa e pediu fósforo e este fez sinal negativo com a cabeça. Carlos voltou para a barraca, tentou acender novamente com os fósforos que tinha, mas não teve sucesso. Quando abriu novamente a porta da barraca, viu o Sherpa que estava sentado em uma pilha de cilindros de oxigênio se levantar e caminhar em direção a um abismo, sumindo em meio a névoa e o gelo. Os dois Carlos presenciaram a cena e preocupados conversaram via rádio com a equipe no Campo Base que confirmaram que naquele acampamento estavam sozinhos, não havia nenhum Sherpa naquela altitude.

No dia seguinte, quando voltavam do cume, Canellas usou uma corda velha para rapelar. Santalena seguiu atrás. Quando terminaram o rapel, Santalena perguntou porque ele tinha escolhido a corda velha se tinha uma corda nova ao lado? Canellas disse que escolheu a velha porque viu alguém rapelando pela nova. Quando retornaram ao acampamento, novamente confirmaram via rádio que naquele trecho não havia ninguém, além dos dois.

 
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