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Maximo Kausch e Pedro Hauck escalam todos os 6000 da Bolívia
 
Texto: Maximo Kausch
6 de setembro de 2014 - 00:05
 
 
  • Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
    Planejando a última etapa a 5200m. Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
  • Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
    Descendo da Cordillera Real." Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
  • Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
    Escalando parede quase vertical no Apolobamba." Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
  • Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
    Jogando parte das cinzas do Parofes no Uturunco, o último da lista." Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
  • Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
    Lago a 5000m na Cordillera Real." Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
  • Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
    Maximo contemplando o amanhecer no Chaupi Orko." Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
  • Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
    Maximo no cume do Chachacomani." Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
  • Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
    Maximo próximo ao cume do Chearoco." Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
  • Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
    Pedro no cume do Chachacomani." Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck
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Planejando a última etapa a 5200m Fotos: Maximo Kausch e Pedro Hauck

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“O alpinista deve ser 4x4” foi como Maximo descreveu o principal requisito para concluir o ambicioso projeto. Trata-se de uma complexa lista de 14 montanhas com mais de 6000 metros espalhadas pelo país andino.

A dupla a dupla que escala junta há 17 anos acabou de completar a ascensão ao Uturunco com 6008m, o mais baixo e fácil dos 14 cumes e que fica no sul da Bolívia.

Na penúltima etapa que durou 8 dias, os alpinistas escalaram 3 montanhas técnicas na Cordilheira Apolobamba e Cordilheira Real. Segundo eles a maior dificuldade foi a total falta de informação necessária para aproximar e escalar estes gigantes. No isolado Chaupi Orco com 6046 metros de altitude e que faz fronteira com o Peru, Maximo e Pedro investiram 3 dias inteiros para vencer a crista leste da montanha num ataque que durou 9 horas no último dia 16 de agosto. Segundo eles o excesso de neve que chegava até a coxa em algumas partes atrapalhou muito a ascensão.

Na Cordilheira Real não foi diferente. Baseados apenas no conhecimento em geografia e glaciologia, a dupla planejou a ascensão aos desconhecidos Chearoco e Chacacomani com 6040m e 6078m respectivamente. Maximo Kausch e Pedro Hauck se internaram no complexo montanhoso por um total de 6 dias onde ficaram totalmente autônomos percorrendo um total de 87km através de glaciares e passos montanhosos desconhecidos.

Segundo a dupla o único sinal humano que encontraram nesses 6 dias foi um saco plástico abandonado há muitos anos em uma geleira a 5400m. Nesta etapa a total falta de informação foi uma dificuldade. A escalada foi previamente planificada analisando imagens e dados topográficos satelitais. No Chachacomani eles enfrentaram neve até a coxa em um trecho de 4km numa altitude média de 5700m.

Maximo Kausch já conta com 67 cumes com mais de 6000m só nos Andes, mais que qualquer outra pessoa no mundo. Isso lhe deu o recorde mundial no ano de 2012. Já Pedro Hauck acaba de completar seu 27º cume andino superior a 6000m tornando-o um dos alpinistas de altitude mais experientes do Brasil.

Mesmo com tanta experiência, Maximo alega que “Para escalar os 14 maiores da Bolívia o alpinista deve ser 4x4. Neste país andino você encontra todo tipo de montanhas: desde vulcões completamente secos onde você chega aos 5500m de carro, até montanhas técnicas repletas de glaciares onde você começa escalar aos 2000m de altitude”

Como é de costume, Maximo e Pedro também mapearam todas estas montanhas e publicarão gratuitamente as rotas para GPS para quem quiser acessar estes incríveis locais. Maximo já publicou mais de 200 rotas de montanhas na tentativa de fomentar o alpinismo nacional.

Maximo e Pedro levaram as cinzas do amigo falecido Paulo Schmidt, o Parofes e espalharam uma pequena parte das cinzas em cada uma das montanhas. “Foi como se ele estivesse lá com a gente contando histórias” disse seu grande amigo, Pedro Hauck. O montanhista Parofes faleceu em maio deste ano com Leucemia.

Vale lembrar que a dupla é totalmente auto-suficiente e não contratou carregadores, guias ou cozinheiros para estas 14 montanhas.

Pedro Hauck trabalhou como instrutor de escalada em rocha por um ano para financiar o projeto. Ele acabou de voltar para casa para descobrir que seu ganha pão, suas vias de escalada em rocha no pequeno Anhangava-PR, foram destruídas por escaladores locais.

Maximo Kausch trabalha como guia de montanha e financia seu projeto guiando clientes pelo mundo. Maximo é atleta apoiado pelas marcas: Makalu, Deuter, La Sportiva, Julbo, Xtrax e Gente de Montanha.