Resgate de 26 horas salva duas suecas na Supercanaleta do Fitz Roy
da redação: Elias Luiz - fonte: Desnivel
22 de janeiro de 2014 - 16:00
 
 
 
  • Foto: Sarah L. Hart
    O resgate das duas escaladoras suecas por voluntários. Foto: Sarah L. Hart
  • Foto: Sarah L. Hart
    O resgate durou 26 horas, descendo glaciar, morenas e atravessando rio. Foto: Sarah L. Hart
  • Foto: Jaime Vilaseca
    As escladoras foram salvas devido a ajuda voluntária de outros escaladores. Foto: Jaime Vilaseca
1 3

O resgate das duas escaladoras suecas por voluntários. Foto: Sarah L. Hart

todas as imagens
 

As alpinistas suecas Hanna-Kajsa Fernstrom e Hanna Restorp estavam escalando a Supercanaleta do Fitz Roy durante a madrugada do dia 18 de dezembro de 2013 quando sofreram um acidente. Foi uma longa queda de 250 metros, ocasionando graves ferimentos que necessitavam de evacuação imediata. Em qualquer outro lugar da Europa poderia ser acionado o resgate e uma evacuação por helicóptero especializado, só que não funciona desta forma na Patagônia, onde o resgate por helicóptero não é a ordem do dia.

Isso sim, um exemplo de solidariedade, 40 alpinistas pararam o que estavam fazendo para ajudar na evacuação por maca das duas vítimas até El Chalten. Foram 26 horas que salvaram duas vidas. A comissão de auxílio de El Chalten reuniram doze escaladores experientes que subiram ao local do acidente com macas, chegaram as 14h, onde estavam as suecas que aguardavam a chegada do helicóptero que nunca veio.

O Centro Andino de El Chalten, assim comentou em sua página do facebook naquele dia: “resgate na base do Fitz Roy, duas vítimas suecas”. Uma com fratura exposta na tíbia, fíbula e pulso, a outra com fratura no calcanhar, costelas e possivelmente com pneumotórax. Mais de 40 resgatistas voluntários trabalharam, e o helicóptero que todos os governantes prometem nunca chegou. El Chalten, necessita urgentemente de mais atenção dos governos e empresas privadas para a inclusão de um helicóptero de resgate para a região tão procurada por turistas.

26 horas de esforços
Entre os socorristas voluntários, de acordo com o diário “La Cachaña, tinha membros de Resgate de Alta Montanha da Guarda Nacional e também pessoas do Parque Nacional. Além disso, o pedido de resgate chegou aos ouvidos de alguns escaladores bem conhecidos, que não hesitaram em ajudar a evacuar as duas suecas. Alí estavam por exemplo a cordada formada por Sarah Hart (namorada de Colin Haley) e Doerte Pietron (namorada de Rolando Garibotti), e a francesa Liv Sansoz. Todos participaram do translado das macas das duas escaladoras suecas.

Liv Sansoz fez um comentário de sua experiência em seu blog:

“Naquele dia, enquanto nos divertíamos na Agulha Guillaumet, uma cordada de duas mulheres sofreu um acidente na Supercanaleta. Era por volta das 2h da madrugada quando caíram uns 200 metros. Imediatamente tiveram o apoio de outros escaladores que estavam na mesma via e depois de algumas horas o resgate foi organizado por uma equipe voluntária. O helicóptero não pode vir. As duas mulheres tinham fraturas graves e desde as 2h da madrugada (do dia 18) até as 4h da madrugada do dia seguinte (dia 19) tiveram que ser transportadas em duas macas sobre o glaciar, morena abaixo, cruzando o rio… Nós havíamos baixado de nossa escalada quando a primeira equipe de resgate chegou com a maca e nos informaram sobre o acidente. Todos os escaladores que estavam nos arredores do bivaque de Piedra Negra foram ajudar como uma equipe de resgate voluntária. Saímos com mais de 40 pessoas para ajudar. As duas garotas eram duronas. Estavam sofrendo muito, mas nunca se queixaram. Todo mundo fez um trabalho incrível e não houve ajuda pequena. Foi impressionante ver toda a energia entre todos para levar as duas escaladoras feridas até El Chalten de maneira mais rápida possível. Chegamos as 4 da madrugada em El Chalten, todo mundo estava exaustos, mas aliviados por terem resgatados as duas escaladoras com vida”.

Me deram uma segunda oportunidade de vida
Hanna-Kajsa Fernstrom e Hanna Restorp foram transferidas de lá por uma ambulância para o hospital de El Calafate - 250km de distância - onde receberam o tratamento adequado e foram submetidas as suas primeiras intervenções cirúrgicas. No dia 24 de dezembro, a primeira delas escreveu este agradecimento em seu perfil no facebook:


“Hoje fiz a minha última operação em El Calafate. Amanhã partiremos para a Suécia. Eu já esqueci a dor do nosso acidente, mas nunca vou esquecer da equipe de resgate incrível e eu não posso expressar em palavras como sou grata. Vocês me deram uma segunda chance de vida. Realmente, nós queremos agradecer por este incrível resgate! Por favor, diga a todos que estamos muito gratas por cada ajuda em nosso resgate. Temos alguns ossos quebrados, mas ficaremos bem. El Chalten ficará para sempre na minha mente e espero vê-los novamente. Eu amo todos vocês!
__ Hanna-Kajsa Fernstrom


Reflexão para todos os escaladores
Enquanto os escaladores locais de El Chalten continuam pedindo um helicóptero de resgate em um dos locais mais procurados por escaladores de todo mundo, o acidente das duas escaladoras suecas obriga a uma reflexão à aqueles que elegem a Patagônia como o seu destino de aventuras verticais. Sarah Hart expressou desta maneira em seu blog: “Foi um recado para todos nós de que a Patagônia é um lugar onde não devemos cometer erros. O auto-resgate é obrigatório”.

Liv Sansoz, por sua vez, disse que: “foi uma boa lembrança para todos: Mantenha a sua margem de segurança, lembre-se que está longe de tudo”.