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Bruno Dias - Fernando Andreis - Fernando Cruz - Ricardo Contel - Rodolfo Guedes, no cume do Aconcágua.
Foto: Divulgação |
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Início da trilha.
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Acampamento avançado.
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Equipes rumo ao cume do Aconcágua.
Foto: Divulgação |
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Bruno Dias e a bandeira de Baependi no cume
Foto: Divulgação |
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Nasci em Baependi, cidadezinha típica do interior de Minas. Localizada no Sul do Estado.
Iniciei as atividades de montanha com 14 anos, explorando os mais belos picos, cachoeiras e cânions da Serra do Papagaio, um dos braços, da vertente oeste da Serra da Mantiqueira, meu berço no montanhismo.
Realizei inúmeras expedições e travessias de montanha pelo Brasil. Entre elas destaco a “Conquista do Cânion do Cavalo Baio”, maior cânion em desnível do Brasil, com 1.050 metros.
Esse meu convívio com as montanhas mineiras, com as Terras Altas da Mantiqueira, foi sem dúvida, a base, para que hoje, com uma formação bem consistente, eu pudesse alcançar objetivos, como o cume do Cerro Aconcágua, maior montanha da América do Sul, com 6.962 metros de altitude.
O Aconcágua pra mim foi o inicio de tudo, o inicio da minha relação alta montanha, o contato diferente com o montanhismo, povos e costumes. As dificuldades são visíveis e inevitáveis, a montanha se revela a cada fração de segundo, cada dia um desafio e uma tarefa a se cumprir. Minha função de fotografar e filmar exigia esforços às vezes sobre-humanos. Passar frio, falta de ar e dormir mal, são coisas de alta montanha e que estamos sujeitos se quisermos êxito. Naquele lugar inóspito, no ar rarefeito, nos abismos de rocha, nas trilhas íngremes. Minha função falava mais alto, me arriscava e me desgastava, com o objetivo de registrar as mais belas imagens dos Andes Centrais.
Acordar às 5h da manha, com temperaturas de até -16Cº, e por ali ficar, até que os primeiros raios de sol iluminassem as cristas das montanhas e por fim, registrar o amanhecer nas montanhas Andinas. Foram momentos únicos de emoção e contemplação. Sair da Mantiqueira, nossa maior cordilheira de montanhas do Brasil e para lá, na maior cordilheira do mundo, foi abrir horizontes e mostrar, que as montanhas foram feitas pra ser escaladas e apreciadas com respeito e consciência.
Minha maior experiência foi aprender que com as pessoas certas e com o objetivo focado, podemos chegar além do imaginado!
Eu fui convidado para essa Expedição da Aventura e Ação, através de um e-mail, enviado pelo Ricardo Contel “editor chefe da revista Aventura e Ação” dois dias antes da partida. Realizar uma Expedição pro Aconcágua, ficar 30 dias fora de casa e ter que organizar e providenciar todo equipamento áudio visual em dois dias, foi sem duvida, um dos maiores desafios da viajem.
Com a ajuda dos amigos, dos companheiros de montanha, foi possível viabilizar tudo e por fim, me juntar ao grupo.
Quando eu recebi o e-mail, fiquei por alguns minutos sem acreditar no que estava escrito ali, mas fazer uma alta montanha, sempre foi meu sonho e naquele momento isso acabava de se tornar real, uma oportunidade única talvez. Oportunidades como essa, não aparece por engano e o melhor caminho é abraçá-la.
Foram distintas as expectativas, desde toda preparação até o sucesso da expedição.
Eu conhecia apenas o Rodolfo Guedes e Ricardo Contel, estava me jogando em uma balada de montanha com pessoas que pouco me conhecia, mas que no passar dos dias se tornaram grandes companheiros. Lá na montanha a cada dia é sem duvida uma grande expectativa, expectativa de sabermos como será o dia, frio, quente, com vento, sem vento, nossa aclimatação, bem estar, a preocupação com o outro e vários fatores que nos fazem pensar e refletir a todo o momento.
Mas, com toda certeza, a maior de todas as expectativas é a do dia do cume. Uma noite mal dormida, ansiedade demais, esses são fatores que desgastam muito, mas fundamentais para nos dar coragem de enfrentar nosso objetivo. Todas as expectativas foram vividas e administradas com sucesso de descontração.
Os meus dois maiores desafios foram a partir dos 5 mil metros. Prender a respiração ofegante para registrar com firmeza e qualidade as melhores imagens da montanha mais alta da América. Prender a respiração numa situação onde pouco se tem ar é muito difícil, mas é fundamental na qualidade do material.
Carregar todo o equipamento de fotografia e filmagem, muitas vezes pendurados pelo corpo, expostos ao frio e ao vento, nos coloca em uma situação delicada, onde qualquer vacilo, os danos podem ser irreparáveis.
A Expedição Aventura e Ação!
Desde a minha saída de Baependi, no dia 22 de Dezembro até a chegada em Mendonza dia 26 de Dezembro, foram exatamente 4 dias e 3.641 km rodados. Passando por diversas cidades e diferentes formações geográficas. Desde o inicio todas as imagens eram registradas e documentadas, nada fugia do olhar das câmeras, ou melhor, dos meus olhares!!!
Após um período de 4 dias, aclimatando nosso corpo a altitude, na região de Vallecitos, Cordon Del Plata, finalmente partimos para Penitentes, ponto inicial da caminhada a partir de Punta de Vacas. Daí pra frente eu tive que adaptar todo meu equipamento para situação e configuração do local. Eu carregava meu peso pessoal, mais os equipamentos de imagem, que ficavam pendurados nas alças da mochila facilitando meu acesso.
Caminhar naquele deserto de altitude com temperaturas entorno dos 40Cº positivos, não foi nada fácil. A cada dia que se passava, eu me sentia aliviado, mas ao mesmo tempo prejudicado. Pois o calor melhorava, mas a dificuldade de prender a respiração para produzir as imagens, aumentava.
Durante as caminhadas e acampamentos, encontrávamos pessoas de todo o mundo e diferentes costumes de montanha. Foi muito legal, essa proximidade com as pessoas de montanha, proximidade que eu só teria, produzindo uma matéria como essa. Os andinistas, os arrieiros, os médicos, os guarda-parques, as cozinheiras de acampamento base, toda aquela gente de montanha, simples, humilde, expressa no rosto e nos olhos o brilho do amor pelo que fazem. Isso nos da força e coragem pra enfrentar os bons e mal tempos da montanha.
Quando eu cheguei próximo dos 5 mil metros, além daquela falta de ar básica, sentia também dores de cabeça devido a altitude e por estar o tempo todo forçando a vista para registrar as imagens. Situação que só se resolvia com muito remédio, hidratação e repouso.
Mas para registrar tudo o que foi registrado, foi preciso ser forte e seguir com muita disciplina todos os ensinamentos dos sábios. Foi uma vivencia única e uma experiência profissional inesquecível e a certeza de que, bons amigos foram feitos e o sucesso de cume foi fruto de tudo isso.
Aconcágua 14 de Janeiro de 2007! Expedição aventura e Ação no Cume!!!
Agradecimentos Especiais aos Montanhistas:
* Ricardo Contel
* Fernando Andreis
* Fernando Cruz
* Rodolfo Guedes.
Estar no cume é o sonho de todos, mas vivido por poucos. Nessa expedição todos passaram por essa maravilhosa vivencia. É um momento clássico, não sentimos frio, sede, dores, a emoção toma conta de todos. Estar no cume das Américas, no topo do Aconcágua é ter por alguns minutos a certeza, de que, somos fortes e muito capazes de superar os desafios impostos pela montanha. O visual lá de cima compensa cada esforço passado lá em baixo.
A satisfação de colocar lá em cima a bandeira da minha cidade me deu forças pra não desistir em alguns momentos e a convicção, de que me tornaria um Baependiano no cume das Américas.
Agradeço a todos os integrantes da Expedição Aventura e Ação pelos momentos vividos naquela montanha. Valeu muito galera!!! |