No topo do Kala Patar
da redação: Elias Luiz
13 de outubro de 2010 - 19:11
 
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  • Foto: Elias Luiz
    No cume do Kala Patar, com o Everest ao fundo Foto: Elias Luiz
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    Kala Patar e Pumori fotografados de Gorak Shep" Foto: Elias Luiz
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    Jus Prado chegando no cume do Kala Patar" Foto: Elias Luiz
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    O topo do Everest" Foto: Elias Luiz
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    Chegando em Gorak Shep. Ao fundo o acampamento base do Everest." Foto: Elias Luiz
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No cume do Kala Patar, com o Everest ao fundo Foto: Elias Luiz

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13º DIA  

Gorak Shep / Nepal
Devido a tontura que a Dani teve ao chegar aos 4.940 metros de altitude de Lobuje e o Edi ter vomitado durante a noite, nosso grupo foi dividido. O guia da Grade 6, Carlos Santalena, ficou com a Dani e o Edi em Lobuje. Eu, Jus e Agnaldo seguimos para Gorak Shep com o guia nepalês Ran e seu aprendiz Rames.

Após 3h de trekking chegamos aos 5.220 metros de altitude, onde está localizado o simpático vilarejo de Gorak Shep, que é cercado por uma planície de areia, parecendo uma praia. Colocamos nossas mochilas marinheiras no lodge e almoçamos, descansamos alguns minutos e logo saímos para subir o tão esperado Kala Patar.

A ingrime subida, aliada a altitude de mais de 5.000 metros pesa em nossos ombros e na dificuldade de respirar. Tenho bronquite, mas até aqui ela não tem sido problema, pois no ritmo que caminhamos não fazemos tanto esforço. Caminhamos a passos lentos e aos poucos vamos ganhando altitude. É a primeira vez que experimento esta altitude e não é fácil.

Agnaldo dispara na frente junto com Ram, eu e a Jus ficamos para trás com o Rames e vamos ganhando altitude aos poucos. Após 1 hora de subida chegamos na metade do Kala Patar, onde tem um memorial, sento junto com a Jus. Para mim aqui já estava perfeito, já era possível ver o Everest e bastaria algumas fotos e depois poderia começar a descida.

- Bom, já que estamos aqui, vamos até o cume - disse a Jus já se levantando com a mochila nas costas.

Era o que eu não queria ouvir, mas ela está certa. Vamos pelo menos tentar.

A subida fica cada vez mais penosa, e além da altitude agora o vento sopra forte e preciso colocar o meu anorak. Ajusto o capuz para enxergar apenas um pouco da trilha a minha frente, e em um ritmo compassado vou caminhando sem olhar para mais nada, e mais duas horas se passam. Chego ao falso cume e olho para cima e ainda tem mais um bom lance, acho a trilha em meio as pedras e vou subindo, 15 minutos depois estou próximo do topo e vejo o Agnaldo.

- Fala cara, parabéns... estamos no topo - grita Agnaldo todo empolgado ao ver que também consegui chegar.

- Ahhh... valeu. - é o máximo que consigo responder e logo sento onde ele me indicou, pois ali era mais abrigado e não batia tanto vento.

Estou sem fôlego, olho ao redor e vejo um mastro que sustenta algumas bandeiras de orações e ao fundo está o glorioso Everest ao seu lado o Lhotse e o Nupse. Estou no topo do Kala Patar, a 5.545 metros de altitude e realmente aqui é a melhor vista que teremos do Everest e desta região do Himalaia. A maioria dos trekkers consideram este o ponto mais importante da viagem, até mesmo que o acampamento base. A Jus chega minutos depois e juntos comemoramos mais uma etapa desta grande aventura.