Extremos
 
COLUNISTA RAFAEL DUARTE
 
Expedição Ilha de Trindade
UMA JORNADA MARÍTIMA AO BRASIL EXTREMO COM A EQUIPE MIRAMUNDOS
 
 
 
Foto: Rafael Duarte
 
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12.07.2017 - 16:30

No topo da montanha do mar

  Roberta Abdanur  

Uma das características mais marcantes da Expedição Miramundos Ilha da Trindade foi que nós teríamos apenas 48h em terra firme. Isso pautou toda nossa atitude energética em campo para conseguirmos produzir o máximo possível. Ou seja, dos 10 dias totais da missão, o esforço se concentraria naqueles dois dias. A primeira tarde e noite foram mágicas, mas o melhor ainda estaria por vir. Na manhã do segundo dia acordaríamos bem cedo, por volta das 4h30, para começar o principal desafio da expedição: subir o Pico Desejado, ponto mais alto da Trindade que está a 620m do nível do mar.

Além de possibilitar uma visão de 360º de toda a ilha, sabíamos que logo ao lado dele, já para a face oposta do cume da grande montanha vulcânica, havia a emblemática Fazendinha, que é o nome dado à floresta de samambaias gigantes (Cyathea copelandii). Aquelas que foram as únicas árvores remanescentes na ilha após a devastação das cabras que comeram todo o verde dali. Elas teriam sido introduzidas pelo astrônomo Edmund Halley para ser a fonte de proteína para sua equipe e outros navegantes que por ali passassem. Imaginamos que ele não teria noção na época do estrago deste impacto. Foi assim que sobreviveu esta espécie de planta endêmica (ou seja, só existe lá), que tem um caule que chega a 7m, que afastaram as folhas verdes dos caprinos – que já foram retirados nos anos 1970.

     

Começamos a subida às 5h30 num dia que amanheceu lindo, trazendo um enorme alívio aos miramundos. Havíamos sido prevenidos pela Marinha do Brasil que caso chovesse muito na véspera da nossa subida, não poderíamos fazer a ascensão do Desejado por motivos de segurança. É que com a erosão e o terreno molhado, há riscos de pequemos deslizamentos. Por isso, inclusive, nos trechos mais críticos, foram instaladas cordas para ajudar nesta questão. Tecnicamente não tivemos nenhuma dificuldade. Mas respeitamos muito a montanha, especialmente por sabermos que estávamos a 4 dias do hospital mais próximo.

E os marinheiros também lembraram que deveríamos levar abrigo para nós e os equipamentos. O motivo seria o tal do “pirajá”. Trata-se de uma chuvinha pequena e localizada, que ocorre quase o ano inteiro em alto mar, em especial durante o verão. São tão frequentes e pontuais, que do alto foi possível ver dezenas de pequenos focos de chuva no oceano. Em determinado momento, enquanto subíamos, olhamos para trás e contamos apenas naqueles 180o 25 “pirajás”. E claro, eles nos alcançaram algumas vezes. Fazendo o tempo abrir e fechar em questão de minutos. Elas passam rápido, durante apenas cerca de 5 minutos. Mas é o suficiente para encharcar qualquer desprevenido.

“Essas chuvas são de extrema importância tanto para a fauna como para a flora terrestres da ilha, bem como para a guarnição da Marinha do Brasil e os pesquisadores que ali residem periodicamente, pois abastecem o lençol freático e, consequentemente, diversas fontes de água potável que brotam por toda a ilha. A principal fonte, situada na Enseada dos Portugueses, possui uma vazão estimada de 230 mil litros por dia – fato impressionante para uma ilha oceânica de tais proporções”, explica relatório da Marinha.

Nossa subida ao Desejado foi guiada pelos oficiais Rodrigues e Nai, juntamente com uma equipe de pesquisadoras que subiram ao cume para desvendar os segredos da flora do Desejado e tentar entender as ocorrências de flora no cume, que apesar de isolado e diferente do resto da ilha, também abriga centenas de caranguejos amarelos, para nossa surpresa. Curiosos, eles se aproximam de nós e dos nossos equipamentos quando não veem sinal de movimento e começam a pinçar tudo que acham interessante.

Já do meio do caminho, virávamos para trás a todo tempo para curtir a vista do Pão de Açúcar que se afastava ao fundo, em meio a uma paleta de cores dos distintos terrenos que se diferenciam a cada quilômetro. Do amarelo ao verde, do vermelho ao marrom. Uma beleza árida sem igual. “Acho que este é o lugar mais bonito que eu já vi na minha vida”, comentou o Jaime. Enquanto ele, Ítalo – nosso cinegrafista - e eu escalávamos o Pico do Desejado, já nos metros finais, vimos lá de cima o helicóptero levantar voo com o fotógrafo da Miramundos Flavio Forner. É que a Marinha convidou a equipe para uma missão bate-e-volta ao arquipélago de Martin Vaz, que fica a 40km de Trindade e é o ponto mais extremo ao leste do Brasil. E lá foi ele documentar este lugar tão isolado, onde poucos, até os dias de hoje, tiveram a chance de pisar.

São várias as trilhas na Ilha da Trindade que cortam seus paredões, colinas e escarpas. Cada uma leva a picos deslumbrantes e praias paradisíacas. Nossa vontade era explorar a ilha durante um mês inteiro. Mas como estávamos correndo contra o tempo, aquele seria nosso ponto alto e despedida. Tudo ao mesmo tempo. Ainda pela manhã alcançamos o Pico Desejado, naquele que foi certeza um dos momentos mais especiais de nossas vidas. Não só pela dificuldade e complexidade de se chegar até ali, mas por saber que éramos privilegiados por ter esta chance de estar no topo de uma montanha que se ergue no meio do Oceano Atlântico no extremo do território Brasileiro.

Passada a euforia do cume e registros feitos, seguimos um pouco mais rumo à floresta de samambaias gigantes. A sensação foi estar num ambiente pré-histórico, onde uma espécie de planta é capaz de formar toda a floresta em uma das encostas da ilha. Cenicamente, um lugar lindo que nos deixa nos faz sentir como insetos num jardim.

Na próxima e última reportagem da série, vamos revelar o que foi mais especial para os integrantes da nossa equipe. A “Expedição Miramundos – Ilha da Trindade 2017” foi realizada a convite da Marinha do Brasil para a filmagem do documentário que tem patrocínio da AllStar Brasil Seguros, SPOT Brasil e Sobrebarba e apoio da GoPro, Mormaii e BT Bodytech.

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05.07.2017 - 07:44

A extrema ilha do Brasil

  Roberta Abdanur  

Quando as hélices do helicóptero da Marinha começaram a girar para nos levarem para terra firme com nossos equipamentos depois de quatro dias navegando pelo Atlântico à bordo do navio Almirante Sabóia, o G-25, ainda não sabíamos que estávamos prestes a ser surpreendidos por um dos momentos mais especiais da expedição. O comandante Nelson Leite e a sua equipe aérea da Marinha do Brasil prepararam as boas-vindas da Miramundos na ilha com um 360o completo na ilha que teria sido vista pela primeira vez por volta de 1500, e que até hoje se guarda como um dos pontos pais desconhecidos do Brasil.

Aterrissamos no POIT (Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade) com ânimos à flor da pele e corações a mil. O giro aéreo foi de tirar o fôlego. Durante os quase cinco minutos no ar observamos de ângulos privilegiados cada um dos mais variados terrenos da ilha, que despertaram a curiosidade dos geólogos e geógrafos que estavam na equipe de pesquisadores do Pró-Trindade na mesma missão que a gente. Os mais sortudos (com projetos de longo-prazo), viveriam na ilha durante dois meses, até o próximo navio aparecer para reabastecer os marinheiros de mantimentos e trocar novamente parte do efetivo. Os primeiros seres que tivemos contato foram os caranguejos amarelos, que apesar de estarem na lista de animais com risco de extinção, a população deles é incrivelmente abundante por todo o perímetro, cobrindo o terreno rochoso de pontos aparelhos para onde se olha.

     

Imagine uma montanha de cerca de 6 mil metros de altitude submersa, uma espécie Monte Aconcágua 95% submerso, com apenas os 600m do seu cume para fora d’água. Assim é a Ilha da Trindade. Um formação vulcânica nascida no Cretáceo (há cerca de 117 milhões de anos) e que foi crescendo ao longo dos diferentes períodos, até finalmente aflorar há cerca de 3 milhões de anos. Segundo o geólogo Delzio Machado Júnior, que viajou com a gente, a última evidência de vulcanismo em Trindade ocorreu há pouco tempo, cerca de 6 mil anos. “Em tempo geológico, 6 mil anos não é nada. A última erupção aqui foi no Vulcão do Paredão, onde percebemos que parte da cratera erodiu. Aliás, estima-se que esta ilha já tenha alcançado 9 mil metros de tamanho total (cerca de 3 mil metros aflorados), mas hoje tem este tamanho por estar passando por um longo processo de erosão”, explicou o especialista, ressaltando que os picos da ilha são necks – chaminés – dos vulcões. Além da erosão natural da ação do mar, dos ventos, da chuva e do sol, como observamos claramente no ponto conhecido como “Túnel”, pequenos terremotos ainda ocorrem na ilha.

Por onde caminhamos em Trindade, é incrível a variedade de cores e tipos de rochas por todas as partes. Fruto de diferentes explosões com distintos tipos de magma ao longo dos anos. E o curioso é que a ilha que já foi coberta por uma floresta, hoje é praticamente toda devastada e erodida. Fruto do grande impacto ambiental da introdução de cabras que se instalaram e se proliferaram na ilha comendo toda a vegetação que puderam, até a Marinha retirar os caprinos do local.  A única planta que as cabras não conseguiram comer foram as samambaias gigantes (Cyathea copelandii), que tem um caule de até 7m de altura. Atribuem ao astrônomo Edmund Haley, aquele que conhecemos pelo cometa que levou seu nome, a introdução dos 600 primeiros animais que comeram (quase) tudo. Apesar deste fato, foram documentadas 120 espécies de plantas na ilha.

 
Foto: Flavio Forner
 

Por uma regra de segurança da Marinha, em precaução pela “onda camelo” - uma espécie de tsunami imprevisível com poder de arrastar tudo que estiver pela praia -, nós não tivemos autorização para mergulhar. Mas para matar a vontade de entrar em contato com a vida marinha naquelas águas límpidas cuja visibilidade pode alcançar até 60 metros, pudemos entrar em dois parcéis, que são espécies de piscinas naturais, que são protegidas. Na Ilha da Trindade, a visibilidade da água pode chegar aos 60 metros, oferecendo condições extremamente favoráveis para os investigadores que utilizam técnicas de observação subaquáticas nas suas pesquisas.

Por toda a parte, inclusive no cume da ilha, os caranguejos (Gecarcinus lagostoma) dominam o ambiente. Estes animais possuem hábitos terrestres, coloração amarelada e são considerados os “reis da ilha”, por causa da sua abundância. Também encontramos o aratú (Grapsus grapsus), camundongos e aranhas. Nos ares, espécies de aves marinha cruzam o azul do céu. As principais delas são as noivinhas e a viuvinhas, os fantasminhas (Gygis alba), as fragatas (Fregata ariel e F. minor), o atobá (Sula dactylatra), o benedito (Anous stolitus), a andorinha-do-mar (Sterna fuscata) e o famoso Petrel-de-Trindade (Pterodroma arminjoniana). Todas estas espécies se reproduzem por lá.

Outro animal muito importante para a fauna marinha da Ilha da Trindade, são as tartaruga-verdes (Chelonia mydas). Na alta temporada de desova, em apenas uma das cinco maiores praias da ilha, é possível encontrar 70 fêmeas cavando os seus ninhos e colocando os seus ovos em uma só noite. Desde 1982, o Projeto TAMAR (Projeto Tartaruga Marinha) faz o monitoramento das desovas que acontecem em todas as praias arenosas da ilha, sendo que 65% das ocorrências estão concentradas nas praias dos Andradas e Tartarugas. Tivemos a sorte de acompanhar o trabalho da equipe do TAMAR justamente na última semana da temporada de desova, que ocorre entre os meses de janeiro a março.

Nesta temporada 2016/2017, segundo a coordenação do projeto, foram realizadas quase 2077 abordagens a fêmeas em processo reprodutivo que botaram em média cerca de 120 ovos por ninho. Calcula-se uma média de aproximadamente 300 mil filhotes da tartaruga-verde, que está ameaçada de extinção e em fase de recuperação populacional, por temporada na Ilha da Trindade. Se a cada 1.000 apenas duas chegam à vida adulta, podemos estimar que cerca de 600 tartarugas que chegam à vida adulta desta espécie por ano são filhas da Trindade. Observamos, em cenas marcantes, que que fazem parte de um processo natural, que os caranguejos amarelos fazem emboscadas aos filhotes recém-nascidos que são capturados por suas garras assim que conseguem aflorar dos ninhos. Tornando um pouco mais difícil sua missão inicial de vencer a faixa de areia até o mar.

Na próxima e penúltima reportagem da série, vamos falar da nossa jornada ao Pico Desejado, ponto mais alto da ilha. A “Expedição Miramundos – Ilha da Trindade 2017” foi realizada a convite da Marinha do Brasil para a filmagem do documentário que tem patrocínio da AllStar Brasil Seguros, SPOT Brasil e Sobrebarba e apoio da GoPro, Mormaii e BT Bodytech.

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12.06.2017 - 12:00

A saga de navio pela Amazônia Azul

  Roberta Abdanur  

Ainda atravessávamos a Ponte Rio-Niterói em direção à base da Marinha na Ilha de Mocanguê, em Niterói, quando o sol revelava a silhueta no horizonte dos barcos aos quais iríamos nos juntar na Baía de Guanabara minutos depois. Só quando subimos as escadas com nossos equipamentos e colocamos os dois pés a bordo do navio NDCC Almirante Saboia (G-25) que a ficha caiu. A Miramundos estava indo para a Ilha da Trindade. O frio na barriga trouxe aquela sensação de criança ansiosa que teria que cumprir a penitência da espera por quatro dias - o período da viagem de ida - até finalmente alcançarmos o último território brasileiro ao leste.

Aquilo que pensávamos que seria apenas uma etapa a se cumprir, a dos trajetos de ida e volta, como quem pega um avião, se desvendou a primeira e incrível surpresa da expedição. Para civis que éramos ali, tudo era uma descoberta. A começar pelo fato de morar por oito dias (4 de ida e 4 de volta) em um navio de guerra de 137,5m de comprimento e 18,em de boca, junto com uma tripulação de 300 marinheiros em missão ou em treinamento. O Almirante Saboia, também conhecido como Hippo entre os militares, é um navio da Marinha do Brasil de desembarque de carros de combate (NDCC).

 
Foto: Flavio Forner
 

Para se chegar em Trindade, só mesmo com a autorização deles, que não só nos convidaram para acompanhar a missão dos pesquisadores, mas também nos guiaram nos dias que se sucederiam. Liderado pelo comandante Nelson Leite, com quem tivemos a oportunidade de muito conversar e aprender nos dias da viagem, o anfíbio da frota brasileira acumula uma história incrível, já tendo sido incorporada à Royal Navy da Inglaterra em 1967 e participado participando das Guerra das Malvinas e do Golfo.

Logo nas primeiras horas, descobrimos a razão de estarmos num navio de guerra para substituir o contingente da ilha que levava pesquisadores. Além da missão principal deeles, demos a sorte de embarcarmos com centenas de marinheiros que estavam ali também para trinar, aprender e se desenvolverem em ofícios que fazem parte da formação militar desta força armada que é responsável por proteger um importante patrimônio nacional, a chamada “Amazônia Azul”. Com a Ilha da Trindade e o arquipélago de Martins Vaz como territórios brasileiros, o Brasil ampliou consideravelmente seu território marinho. E esta área toda é triangulada com a ilha ganhou este nome que remete ao maior patrimônio natural brasileiro em terra. Ou seja, a Amazônia Azul é uma Zona Econômica Exclusiva brasileira de 3,6km2 que corresponde a aproximadamente metade do território nacional terrestre. Atualmente o Brasil reivindica junto à Organização das Nações Unidas (ONU), 900mil km² esta área que considera ser de extrema importância estratégica, além berço de riquezas naturais e biodiversidade de valore inestimáveis, merecidas de proteção.

E foi neste contexto que aquilo que poderia ser uma mera viagem de barco, se desdobrou em uma aventura incrível que nos surpreendeu a milha navegada. A bordo nos adaptamos à rotina de refeições (podem ser servidas até 1.800 por dia), normas, condutas, adestramentos e treinamentos físicos dos militares. Em horários variados, eles aproveitavam a viagem para desenvolver uma série de simulações e treinamentos de emergência que iam desde testes de equipamentos, adestramentos de abandono de navio e incêndios. Um dos exercícios mais importantes foi o de decolagem e pouso do helicóptero que se juntou à embarcação em movimento. Tivemos a oportunidade de registrar e ver de perto cada momento deste e conversar com os marinheiros sobre esta experiência a bordo, que para muitos também estava sendo uma grande aventura.

Na expectativa da chegada na ilha, sabendo que teríamos pouquíssimo tempo para explorar os destinos principais da ilha, tínhamos noção que seríamos muito exigidos fisicamente naqueles dois dias. E logo sentimos a necessidade de movimentar o corpo, já que temíamos ficar quatro dias sem fazer nenhuma atividade física. Para nossa surpresa, fomos convidados pelo próprio comandante Nelson para integrar os treinamentos físicos funcionais dos militares, que eram realizados no convoo ao pôr-do-sol. Uma oportunidade inesquecível de treinar junto com tantos feras numa plataforma flutuante em movimento, numa cena que nem nos nossos devaneios mais criativos poderíamos ter imaginado que aconteceria. Rapidamente fizemos amizades com os oficiais e ganhamos sinal verde do comando para poder acessar também o tanque-deque, que é a parte interna do navio destinada a abrigar carros e tanques, área também usada para treinamentos físicos ou técnicos. E lá frequentamos diariamente enquanto estávamos no Almirante Saboia.

Quatro dias depois, nosso despertador tocava antes do sol nascer, pois pelos cálculos quando o primeiro raio de sol raiasse nós já poderíamos avistar a Ilha da Trindade no horizonte, a 1.167 km da costa. Pegamos nossos equipamentos no escuro, avançamos pelos corredores balançantes do G-25 e subimos para nos juntar aos militares que nos acompanharam ao passadiço. Ao alto enxergamos o paraíso ao longe entre o preto do mar e o laranja do céu. Fizemos as primeiras imagens da montanha que se ergue no meio do oceano.

Deixamos as mochilas de roupas para seguir de bote e subimos com nossos equipamentos no helicóptero, dois de cada vez. Do alto demos um sobrevoo de 360o na ilha em minutos que não lembramos de termos respirado ou piscado.

A nossa saga em terra continua na próxima reportagem da série. A “Expedição Miramundos – Ilha da Trindade 2017” foi realizada a convite da Marinha do Brasil para a filmagem do documentário que tem patrocínio da AllStar Brasil Seguros, SPOT Brasil e Sobrebarba e apoio da GoPro, Mormaii e BT Bodytech.

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17.05.2017 - 17:45

Uma jornada marítima ao Brasil extremo

  Roberta Abdanur  

Ainda quase desconhecida pela maior parte dos brasileiros, a Ilha da Trindade reina no meio do Oceano Atlântico, a cerca de um terço do caminho para a África, na direção de Vitória-ES. Junto com o arquipélago de Martin Vaz, estes cumes de montanhas submarinas marcam o ponto mais extremo ao leste do território nacional. A razão de quase ninguém conhecer não se deve apenas ao fato de ser longe, mas por não ser um destino turístico, e sim uma base militar da Marinha do Brasil. E foi o enigma do exótico e inóspito que nos despertou o desejo de visitar e desbravar a ilha, o que finalmente foi possível no mês de abril, ao lado da Marinha, que convidou a equipe Miramundos para esta expedição histórica para a filmagem do nosso próximo documentário.

Dois profissionais acompanharam eu (Rafael Duarte) e o Jaime Vilaseca nesta expedição: o fotojornalista Flavio Forner, que já integrou outras duas expedições nossas, e o cinegrafista e diretor Ítalo Yure, que se aventurou com a gente pela primeira vez. Nós embarcamos com centenas de marinheiros e dezenas de pesquisadores no NDCC Almirante Saboia (G-25), um navio de desembarque de carros de combate (NDCC), com quem convivemos navegamos juntos ao longo dos 1.167 km que separam a ilha do continente.

O navio NDCC Almirante Saboia (G-25) rumo a Ilha de Trindade. Foto: Flávio Forner
Trekking na ilha. Foto: Flávio Forner Apoio do Extremos. Foto: Rafael Duarte Rumo ao pico mais alto da ilha. Foto: Flávio Forner
     

Foram quatro dias de navegação para ir, quatro para voltar, e apenas 48h em terra firme na ilha vulcânica que é com certeza um dos lugares mais incríveis que conhecemos em nossas vidas. Isso mesmo: 80% da expedição no percurso de navio para apenas 20% do tempo no nosso destino paradisíaco. Durante o tempo lá, foi uma corrida contratempo. Caminhamos muito e dormimos pouco nas duas noites em Trindade para aproveitar ao máximo o tempo que tínhamos para documentar o que precisávamos. Foram apenas seis horas de sono contra 42 de trabalho em Trindade. Esforço recompensado pelos momentos incríveis que geraram as imagens memoráveis que vão ilustrar nosso filme e nossas reportagens. Vamos contar um pouco deste destino improvável que tivemos a oportunidade única de visitar numa série de reportagens. Para o Jaime, apesar de curta, esta expedição foi especial.

“Eu acho que foi o lugar mais bonito que eu estive na minha vida. Era um sonho ir a Trindade. E só pude sentir a magnitude da ilha quando de fato desembarquei lá”, revelou Jaime Vilaseca. No segundo dia na ilha, o comandante do G-25 Nelson Leite convidou a Miramundos para fazer um voo de helicópotero a Martin Vaz. E elegemos o Flavio Forner para nos representar na empreitada, pois o trio precisava dedicar-se à ascensão do Pico do Desejado, uma das montanhas mais altas da ilha, a cerca de 600m do nível do mar. “Foi uma oportunidade incrível pisar naquele terreno lunar. Foi marcante me sentir no extremo do Brasil e saber que provavelmente jamais voltarei lá. Foi uma chance única.”

Flavio Forner

À deriva. Foto: Flávio Forner A equipe. Foto: Rafael Duarte Explorando a Ilha de Trindade. Foto: Flávio Forner
     

De todas as ilhas do arquipélago, separadas por 48km, somando uma área total de 10,4 km², só Trindade é habitada. Nela a Marinha mantém uma guarnição militar, o Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade (POIT), que é o local habitado mais remoto do Brasil. No nosso país, é lá que o sol nasce e se põe primeiro. A outra porção de terra mais próxima da Ilha da Trindade é a Ilha de Santa Bárbara, que faz parte do arquipélago dos Abrolhos, onde estivemos na nossa última expedição, a 1.025km de distância de lá. Além de manter o POIT, a Marinha também apoia diversas pesquisas científicas em diversas áreas pelo projeto Pró-Trindade. A cada dois meses, no navio que realiza a troca das guarnições, a Marinha também faz o transporte de pesquisadores que realizam projetos na ilha. E foi nesta missão que embarcamos juntos.

 
Chegando na Ilha de Trindade. Foto: Rafael Duarte
 

A expedição foi realizada a convite da Marinha do Brasil para a fillagem do documentário que tem patrocínio da Allstar Brasil, SPOT Brasil e Sobrebarba e apoio da GoPro, Mormaii e BT Bodytech. Esta série de reportagens continuará durante as próximas semanas com tudo sobre nossa experiência na viagem de navio, a chegada na ilha, as aventuras nas montanhas e o que vimos por lá. Acompanhem.

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