Extremos
 
COLUNISTA RAFAEL DUARTE
 
Expedição Ilha de Trindade
UMA JORNADA MARÍTIMA AO BRASIL EXTREMO COM A EQUIPE MIRAMUNDOS
 
 
 
Chegando na Ilha de Trindade. Foto: Rafael Duarte
 
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17.05.2017 - 17:45

Uma jornada marítima ao Brasil extremo

  Roberta Abdanur  

Ainda quase desconhecida pela maior parte dos brasileiros, a Ilha da Trindade reina no meio do Oceano Atlântico, a cerca de um terço do caminho para a África, na direção de Vitória-ES. Junto com o arquipélago de Martin Vaz, estes cumes de montanhas submarinas marcam o ponto mais extremo ao leste do território nacional. A razão de quase ninguém conhecer não se deve apenas ao fato de ser longe, mas por não ser um destino turístico, e sim uma base militar da Marinha do Brasil. E foi o enigma do exótico e inóspito que nos despertou o desejo de visitar e desbravar a ilha, o que finalmente foi possível no mês de abril, ao lado da Marinha, que convidou a equipe Miramundos para esta expedição histórica para a filmagem do nosso próximo documentário.

Dois profissionais acompanharam eu (Rafael Duarte) e o Jaime Vilaseca nesta expedição: o fotojornalista Flavio Forner, que já integrou outras duas expedições nossas, e o cinegrafista e diretor Ítalo Yure, que se aventurou com a gente pela primeira vez. Nós embarcamos com centenas de marinheiros e dezenas de pesquisadores no NDCC Almirante Saboia (G-25), um navio de desembarque de carros de combate (NDCC), com quem convivemos navegamos juntos ao longo dos 1.167 km que separam a ilha do continente.

O navio NDCC Almirante Saboia (G-25) rumo a Ilha de Trindade. Foto: Flávio Forner
Trekking na ilha. Foto: Flávio Forner Apoio do Extremos. Foto: Rafael Duarte Rumo ao pico mais alto da ilha. Foto: Flávio Forner
     

Foram quatro dias de navegação para ir, quatro para voltar, e apenas 48h em terra firme na ilha vulcânica que é com certeza um dos lugares mais incríveis que conhecemos em nossas vidas. Isso mesmo: 80% da expedição no percurso de navio para apenas 20% do tempo no nosso destino paradisíaco. Durante o tempo lá, foi uma corrida contratempo. Caminhamos muito e dormimos pouco nas duas noites em Trindade para aproveitar ao máximo o tempo que tínhamos para documentar o que precisávamos. Foram apenas seis horas de sono contra 42 de trabalho em Trindade. Esforço recompensado pelos momentos incríveis que geraram as imagens memoráveis que vão ilustrar nosso filme e nossas reportagens. Vamos contar um pouco deste destino improvável que tivemos a oportunidade única de visitar numa série de reportagens. Para o Jaime, apesar de curta, esta expedição foi especial.

“Eu acho que foi o lugar mais bonito que eu estive na minha vida. Era um sonho ir a Trindade. E só pude sentir a magnitude da ilha quando de fato desembarquei lá”, revelou Jaime Vilaseca. No segundo dia na ilha, o comandante do G-25 Nelson Leite convidou a Miramundos para fazer um voo de helicópotero a Martin Vaz. E elegemos o Flavio Forner para nos representar na empreitada, pois o trio precisava dedicar-se à ascensão do Pico do Desejado, uma das montanhas mais altas da ilha, a cerca de 600m do nível do mar. “Foi uma oportunidade incrível pisar naquele terreno lunar. Foi marcante me sentir no extremo do Brasil e saber que provavelmente jamais voltarei lá. Foi uma chance única.”

Flavio Forner

À deriva. Foto: Flávio Forner A equipe. Foto: Rafael Duarte Explorando a Ilha de Trindade. Foto: Flávio Forner
     

De todas as ilhas do arquipélago, separadas por 48km, somando uma área total de 10,4 km², só Trindade é habitada. Nela a Marinha mantém uma guarnição militar, o Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade (POIT), que é o local habitado mais remoto do Brasil. No nosso país, é lá que o sol nasce e se põe primeiro. A outra porção de terra mais próxima da Ilha da Trindade é a Ilha de Santa Bárbara, que faz parte do arquipélago dos Abrolhos, onde estivemos na nossa última expedição, a 1.025km de distância de lá. Além de manter o POIT, a Marinha também apoia diversas pesquisas científicas em diversas áreas pelo projeto Pró-Trindade. A cada dois meses, no navio que realiza a troca das guarnições, a Marinha também faz o transporte de pesquisadores que realizam projetos na ilha. E foi nesta missão que embarcamos juntos.

A expedição foi realizada a convite da Marinha do Brasil para a fillagem do documentário que tem patrocínio da Allstar Brasil, SPOT Brasil e Sobrebarba e apoio da GoPro, Mormaii e BT Bodytech. Esta série de reportagens continuará durante as próximas semanas com tudo sobre nossa experiência na viagem de navio, a chegada na ilha, as aventuras nas montanhas e o que vimos por lá. Acompanhem.

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