Perseguindo um sonho: Aurora Boreal
da redação, Texto e Fotos de: Karina Oliani e Marcelo Rabelo
18 de abril de 2012 - 15:20
 
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  • Karina Oliani e Marcelo Rabelo realizaram o sonho de ver a Aurora Boreal
    Karina Oliani e Marcelo Rabelo realizaram o sonho de ver a Aurora Boreal Foto: Striberny
  • Parece que a Aurora dança. Ela é viva, não permanece igual nem sequer por 1 minuto! - Karina Oliani
    "Parece que a Aurora dança. Ela é viva, não permanece igual nem sequer por 1 minuto!" Karina Oliani " Foto: X. Ancin
  • Karina Oliani e as Luzes do Norte, nome mais comum entre os escandinavos
    Karina Oliani e as "Luzes do Norte", nome mais comum entre os escandinavos Foto: Striberny
  • O nosso grupo perseguindo a Aurora Boreal
    O nosso grupo perseguindo a Aurora Boreal Foto: Striberny
  • O nosso grupo perseguindo a Aurora Boreal
    Em latitudes do hemisfério norte o nome é Aurora Boreal, e no hemisfério sul é Aurora Austral Foto: Striberny
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Karina Oliani e Marcelo Rabelo realizaram o sonho de ver a Aurora Boreal Foto: Striberny

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Quando a gente já tinha perdido todas as esperanças, uma luz no fim do túnel, ou melhor, um raio de luz no céu próximo ao círculo polar!

Dando sequência a história, foi numa noite fria, com temperaturas médias de -15ºC que fizemos nossa 1ª tentativa de ver um dos maiores show da natureza: The amazing Northern Lights! Rodamos cerca de 400 km por estradinhas estreitas, sinuosas e cobertas de gelo, além da tempestade de neve que caía e, cerca de 6h depois vimos que não era o clima certo e nem a noite onde realizaríamos nosso sonho.

Encontrar a aurora é como os velejadores atrás do vento ou os surfistas atrás das ondas... É quase uma ciência ou uma arte: requer tempo, paciência e conhecimento. E é fato que em noites de céu fechado nossas chances de presenciar as luzes do norte era quase zero!

Causado por explosões solares um fenômeno óptico composto de um brilho observado nos céus noturnos nas regiões polares, em decorrência do impacto de partículas de vento solar e a poeira espacial encontrada na via láctea com a alta atmosfera da Terra, canalizadas pelo campo magnético terrestre.

Um fato curioso e muito interessante: Em latitudes do hemisfério norte o nome “Aurora Boreal” foi batizado por Galileu Galilei em 1619, em referência à deusa romana do amanhecer Aurora e ao seu filho Bóreas, representante dos ventos nortes), ou luzes do Norte (nome mais comum entre os escandinavos).

Mas em latitudes do hemisfério sul é conhecida como “Aurora Austral”, nome batizado por James Cook, uma referência direta ao fato de estar ao Sul.

Essa maravilha não é exclusiva da Terra já que pode ser observada em outros planetas do sistema solar como Júpiter, Saturno, Marte e Vênus. Da mesma maneira, o fenômeno não é exclusivo da natureza, sendo também reproduzível artificialmente através de explosões nucleares em laboratórios.
Dependendo da junção de diversos fatores, as linhas aurorais, como são chamadas podem tomar diversas tonalidades de cor. As mais comuns de longe são os tons verdes, seguido dos azuis e mais raramente os vermelhos.

Mas agora vamos deixar a ciência de lado e voltar pro que interessa! Sinceramente eu já tinha perdido todas as esperanças... Há 3 dias que o tempo estava completamente fechado e caindo muita neve na cidade de Tromso na Noruega e a previsão do tempo dizia que pelos próximos 3 dias isso não ia mudar...

Nós estávamos com o tempo contado e realmente só tínhamos mais uma noite e talvez nem 1% de chance de ver a Aurora Boreal. Mas como um amigo meu costuma dizer: “Deus é meu sócio” e tenho que convir que nessa viagem ele foi nosso também.

Depois de mais de 3h de estrada em outra noite de tempestade nós pudemos avistar ao longe uma estrela meio escondida em meio às nuvens mas que já indicava que havia sim uma janela no céu. Seguindo mais alguns minutos naquela direção chegamos na fronteira da Noruega com a Finlândia e descemos para olhar pra cima na expectativa de avistar algum traço de aurora. O vento forte daquela noite e o frio intenso certamente nos ajudaram e após alguns minutos o que parecia mais uma nuvenzinha no céu foi confirmado pela máquina fotográfica da nossa guia: era o início de um dos fenômenos mais emocionantes que nós já vimos!

Parece que a Aurora dança. Ela é viva, não permanece igual nem sequer por 1 minuto! E conforme o relógio corria ela só intensificava, de modo que no meio da madrugada, nossa guia que mora na Noruega e faz isso da vida disse: Essa certamente foi a Aurora mais inesperada que já vi na minha vida...

Nem ela acreditava que com aquela previsão e numa noite tão nublada nós fomos guiados até esse local para presenciar por algumas horas esse show! E isso deu um gostinho a mais a algo que, por si só, já será inesquecível...

Agradeço os recados,
Karina Oliani