Extremos
 
COLUNISTA GUILHERME CAVALLARI
 
Cape Wrath Trail - Guilherme Cavallari
GUILHERME CAVALLARI PERCORREU OS 420 KM DE UMA DAS MAIS CLÁSSICAS TRILHAS DA EUROPA
 
 
 
DOWNLOADS DOS PODCASTS: Cape Wrath Trail #1 - #2 - #3 - #4 - #5
 

13.11.2015 - 09:45

A cereja do bolo

  Guilherme Cavallari  

Terminada a Cape Wrath Trail, o roteiro de trekking de 420 km de extensão cruzando as Highlands escocesas que fiz em 22 dias, voltei ao ponto de partida, a Fort William, para recuperar equipamento deixado para trás. Uma vez aqui, decidi subir o Ben Nevis.

Com 1.344 metros de altitude, essa montanha é o ponto culminante de toda a Grã-Bretanha e um importante destino de turismo aventura. Seu nome original é Beinn Nibheis, que em galês da Escócia significa “montanha maliciosa”, ou “montanha venenosa”. E hoje entendi o porquê.

Acordei às 5h da manhã, faltando mais de duas horas para o nascer do sol nessa época do ano, e comecei a caminhar às 6h35 em direção à montanha. Da pousada onde estava hospedado até o início da trilha eram apenas 4 quilômetros.

Foi uma delícia caminhar sem mochila, para variar. Eu parecia flutuar. Levei comigo apenas um pouco de comida, meio litro d’água numa garrafinha PET, máquina fotográfica, aparelho de GPS e o rastreador SPOT que não me deixa passar incógnito. Tudo dentro de uma bolsa estanque pendurada de um ombro por uma fita simples.

 
Ben Nevis é a montanha mais alta da Grã-Bretanha com 1344 metros.
 

Ainda escuro, o começo da caminhada foi iluminado pelos postes de Fort William e pelos faróis dos eventuais carros. Quando o céu começou a clarear, o lusco-fusco matinal emprestou mistério aos arredores… Aquela enorme sombra adiante seria o Ben Nevis? O vulto que passou entre os arbustos era um cachorro? E esse negócio mole em que pisei agora era barro ou bosta?

Com a chegada da luz natural, vi que o piso da calçada estava forrado de folhas secas das árvores. Um macio carpete de cores outonais.

Entrei na trilha e percebi que a subida seria moleza, pelo menos no quesito navegação. O caminho era largo e bem pisado, ladeado por pedras enfileiras caídas da própria montanha. A subida era constante e não muito íngreme, acessível a praticamente qualquer um. Mas a altitude da base da montanha era de 39 metros acima do nível do mar, o que significava que eu subiria 1.300 metros até o topo.

Perto da metade do caminho, começou a ventar forte e frio. Nenhuma surpresa, topos de montanhas são assim mesmo. Passei rápido por duas pessoas subindo. A trilha ziguezagueava suavemente, ora a favor do vento, ora contra.

     
     

Perto do cume a cor das pedras ficou mais escura, quase negra e havia neve por todo lado. O branco realçando o preto das pedras. Grandes totens de pedras empilhadas ajudavam na navegação. Lá embaixo, alguns vales estavam incendiados pelos raios do sol, escondido atrás de nuvens para mim.

Vi uma minúscula porta, que parecia porta de frigorífico em morgue, numa espécie de casinha suspensa em pedras. Um abrigo de montanha para duas ou três pessoas, calculei. Fui investigar e era isso mesmo. Entrei para comer algo e sair do frio. Para entrar no cubículo tive que apoiar as mãos na neve do solo e minhas luvas inglesas – que deveriam ser impermeáveis – ficaram ensopadas e imediatamente geladas.

Nos dez minutos que passei no abrigo, comendo migalhas de pão preto alemão com queijo cheddar escocês, o tempo virou de vez. Uma grande e pesada nuvem de chuva cobriu o pico do Ben Nevis e a temperatura despencou muitos graus. O vento gelado e molhado parecia ter dentes.

Em segundos meus dedos estavam congelados e eu sentia dores agudas. Meu rosto parecia queimar. Bateu um pouco de desespero e antes mesmo de fazer uma “foto de cume” comecei a descer a montanha correndo como quem viu assombração.

 
Chegando ao topo da Ben Nevis, 1344m.
 

Na descida cruzei com cerca de dez pessoas espalhadas que subiam a encosta lentamente, a maioria com um sorriso no rosto. Nem parei para conversar. Eu queria sair dali o mais rápido possível. Para mim mesmo eu comentava: “Eles não têm ideia do que vão encontrar lá em cima…”

Já perto da base novamente, comecei a rir de mim mesmo. Tanto esforço para subir, só para querer descer correndo… “Será que eu não sabia o que encontraria lá em cima?”

E a resposta a gente só encontra depois e subir a montanha.

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11.11.2015 - 14:10

Toda aventura tem um fim

  Guilherme Cavallari  

Toda aventura tem um fim e ontem cheguei ao destino final dessa expedição. Cheguei ao ponto no extremo noroeste da Highlands escocesas, depois de caminhar sozinho, de forma autossuficiente, por 420 km. Caminhei evitando rodovias, estradas, cidades e vilas por toda a extensão das Highlands, a região de menor densidade demográfica de toda a Europa.

Olhando em retrocesso e tentando resumir a experiência, que ainda terei que digerir lentamente, algumas coisas me vêm à mente…

Glenfinnan, Strathcarron, Kinlochewe, Ullapool, Inchnadamph, Rhiconich… Nomes que antes diziam absolutamente nada para mim e que, agora, são próximos e queridos como velhos amigos…

     
     

Em Glenfinnan acampei ao lado de um velho e respeitado monumento, visitado por escoceses de todos os cantos do país, uma torre medieval com um cavaleiro de kilt e espada no topo. Quando acordei à noite para fazer xixi, a torre estava iluminada pelos quatro cantos, chovia fino e a grande estátua no topo parecia me observar. Voltei no tempo e me senti em séculos passados…

Em Ullapool provei Cullen Skirk, uma sopa de arenque defumado com batatas e molho de creme de leite com croûtons. Sopa marinheira, dessas que os marujos tomam depois de semanas no mar. Refeição com personalidade, substância e que alimenta também o espírito. Um dos pratos mais populares e queridos da Escócia e eu entendi o porquê…

Chegar a Inchnadamph e montar a barraca no lusco-fusco do fim do dia, depois de caminhar 33 km, um dia depois de ter caminhado outros 34 km, teve gosto de vitória. Dei tudo o que tinha, física e psicologicamente, torcendo todo o tempo para não precisar usar lanterna na caminhada e não usei. Uma vez erguida a barraca, não tinha força de vontade para ferver água e cozinhar o jantar. Comi pão, sardinhas, amendoim, chocolate. O banquete dos campeões…

 
Cape Wrath, fim da trilha, fim dos 420 km de trekking!
 

Mas Sandwood Bay e Cape Wrath, as últimas etapas e os últimos pernoites da viagem, ficarão para sempre comigo na memória. Sandwood é uma praia de ares tropicais, quase caribenha na aparência, mas com a força do Atlântico Norte, o mesmo oceano que afundou o Titanic. E Cape Wrath… Bem, Cape Wrath nem merece comentários, ou como disse Sir Walter Scott, em 1811: “Cape Wrath é um ponto impressionante… Não existe terra numa linha reta desse ponto até a América”. A proa rochosa de um imenso navio projetado para dentro do mar.

O vento que balançava meu corpo e fazia difícil caminhar ereto vinha direto do Canadá.

A Escócia é a terra natal de John Muir, o filósofo da natureza responsável pela criação de importantes parques nacionais nos Estados Unidos, como Yosemite e Yellowstone, além de fundador do Sierra Club. Pensei muito nele e em seu legado durante essa travessia pelas Highlands. Tenho certeza que ele aprovaria a proposta da Cape Wrath Trail que acabei de completar.

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03.11.2015 - 12:45

14 dias nas Highlands

  Guilherme Cavallari  

Quatorze dias de trekking cruzando as Highlands na Escócia e esse é o primeiro texto que escrevo tentando descrever o que já aconteceu até o momento.

Bom sinal. Sem tempo de escrever é resultado de muito trabalho na trilha.

Comecei minha caminhada da cidade de Fort William no dia 19 de outubro, uma segunda-feira. Gostaria de ter começado a jornada até Cape Wrath no dia anterior, mas a pequena lancha que transporta passageiros para o lado de lá do braço de mar em frente da cidade não funciona aos domingos.

Cape Wrath, meu destino final, é um promontório rochoso projetado para dentro do Mar do Norte e municiado com um farol e nada mais. Quando os vikings começaram a saquear a Grã-Bretanha, no começo do século VIII, eles usavam esse cabo como referência de navegação. Assim que avistavam a proa rochosa da grande ilha, eles gritaram: “Hvaf!”, que extinta língua Norse Antiga, que os vikings falavam, significa “mudar de direção”.

O roteiro que estou seguindo ganhou o título de “a travessia em trekking mais difícil da Grã-Bretanha”, mas essa não foi a razão que decidi fazê-la. O trajeto de aproximadamente 400 km cruza toda a extensão das Highlands, a maior região de natureza ainda selvagem da Grã-Bretanha e um importante destino de turismo de aventura no mundo.

De onde vim?

De Fort William até aqui já caminhei 263 km e subi um total acumulado de 9.964 metros e posso dizer que, agora, conheço um pouco da região e entendi o propósito desse roteiro.

As Highlands são chamadas assim, de “Terras Altas”, porque aqui estão concentradas a maior parte das montanhas escocesas, também chamadas de “Munros”. Esse apelido aconteceu porque, em 1891, Sir Hugh Munro, o 4º Barão de Lindertis e um dos fundadores do Clube Escocês de Montanhismo (Scottish Mountaineering Club), publicou uma lista com todas as montanhas de mais de 3.000 pés de altura, ou 914,4 metros acima do nível do mar. Abaixo dessa altitude a elevação não é considerada uma montanha.

“Subir Munros” é um esporte popular na Escócia.

A Cape Wrath Trail, ou “Trilha do Cabo Wrath” em português, na verdade é uma conexão de muitas trilhas, algumas tradicionais e outras novas, formando um desenho que possibilite ao caminhante chegar de uma extremidade a outra das Highlands evitando estradas de asfalto e conectando áreas selvagens. O caminho não é marcado, como acontece com a maioria das trilhas oficiais no país. É preciso navegar para encontrar o caminho.

O mais impressionante, no entanto, além da paisagem e do isolamento é claro, é que ainda é possível ir de um canto a outro da região evitando os efeitos civilização e vendo a terra como seus habitantes mais antigos a viram. Algo difícil de fazer na Europa.

Como vou?

Apesar de, em teoria, o roteiro possa ser feito sem acampamentos, dormindo em vilas e cidadezinhas ao longo do caminho ou nas várias cabanas de montanha – bothy no singular, bothies no plural, em inglês – espalhadas pelos vales, seria muita arriscado não ser autossuficiente.

Esses bothies são espetaculares. Velhas casas centenárias, abandonadas por décadas, restauradas por uma associação sem fins lucrativos, a Mountain Bothies Association (www.mountainbothies.org.uk) e atualmente abertas para uso público e gratuito. Fundada em 1965 por um grupo de entusiastas por caminhadas na natureza, a entidade detém hoje pouco mais de 100 casas sob controle. Todo trabalho administrativo e de manutenção dos edifícios é voluntário e todo o dinheiro vem de anuidades dos associados ou de doações. Apenas um dos edifícios é de propriedade da associação, os demais são cedidos pelos proprietários.

Agora, imagine caminhar 6 a 8 horas por dia debaixo de chuva e vento, pisando em charcos e pedras o tempo todo, chegar a um vale isolado e encontrar uma casa sólida com lareira, mesa, cadeiras e um tablado de madeira para esticar o saco de dormir? Como diria uma certa publicidade de cartão de crédito… “Isso não tem preço”. E neste caso é verdade.

Mas, por conta de estar filmando para fazer um filme-documentário dessa trilha e dessa experiência, carrego bem mais peso do que deveria. Minha mochila completa deve estar com cerca de 22 kg.

Para onde vou?

Cape Wrath, é claro! Mas isso é apenas parte do caminho. Primeiro, porque uma vez chegando a Cape Wrath preciso caminhar mais dois dias para sair de lá! O lugar é realmente remoto…

Mas ninguém encara uma caminhada solo de 400 km pelo interior das Highlands escocesas, carregando 22 kg nas costas, simplesmente para “tomar um pouco de ar”, não é mesmo? Dizer que faço isso por trabalho também seria simplismo.

Estou aqui porque, como disse John Muir (1838-1914), filósofo preservacionista e amante da natureza fundador do Sierra Club nos Estados Unidos: “In every walk with nature one receives far more than one seeks”. Em português: “Em toda caminha na natureza recebemos muito mais do que buscamos”. Ou ainda, citando Muir mais uma vez: “The clearest way into the Universe is through a forest wilderness”. Traduzindo: “O caminho mais claro para o universo é através de uma floresta na natureza”.

E depois?

Se tudo der certo, pretendo terminar essa longa caminhada em 22 dias. Vinte dias para chegar a Cape Wrath e mais dois dias para voltar à civilização. Depois disso, vou precisar de meses para digerir e entender tudo o que vi e vivi.

De imediato, deixo algumas imagens e cenas…

     
     

Faltava menos de uma hora para o por do sol e o vale profundo, alagado e sombrio onde eu caminhava parecia um túnel de vento. Eu não chegaria à próxima cabana de montanha antes do anoitecer e caminhar na escuridão, mesmo com lanterna, não estava nos meus planos. Decidi acampar. Do outro lado do rio que deveria atravessar enxerguei um pequeno campo pedregoso que parecia seco. Melhor dormir sobre pedras do que dentro do charco, disse para mim mesmo. Comecei a pular pedras para atravessar o rio e, no meio do caminho, três pequenas trutas que nadavam corrente acima para desovar saltaram da água por entre minhas pernas.

O dia estava nublado e a temperatura em torno dos 12ºC. Eu vinha pisando em poças mal-disfarçadas pela relva por horas. Em algumas eu apenas molhava a sola das botas, em outras afundava até os tornozelos. Vi um portão de madeira e calculei que além dele haveria algo semelhante a uma trilha. Na frente do portão a mesma relva alagada de aparência inofensiva. Piso com a perna direita e não encontro o fundo. Minha perna mergulha até a metade da coxa e, sem ter onde me segurar, piso com a outra perna dentro do fosso. Atolado no barro grudento penso que, se o buraco fosse mais fundo, poderia ter submergido completamente.

Três dias sem ver o sol. Chuva e vento por companhia. Não vi ninguém na trilha desde que comecei a caminhada, duas semanas atrás. Quando cheguei a um lago depois de uma longa subida, vi uma barraca vermelha de acampamento. Era domingo, dia de subir Munros e o dono da barraca devia estar em algum pico, calculei. Faminto, parei para almoçar pão, queijo, amendoins e chocolate – as iguarias de trilha. Usando a grande mochila como encosto e aparador de vento, dei as primeiras dentadas na comida e, de repente, o sol rasgou as nuvens e encheu o cenário de luz dourada e limpa. Luz realmente celestial. Montanhas cinzas ganharam todos os tons de verde, o lago escuro ficou azul, o vermelho da barraca distante virou uma flor incandescente. Minha alegria foi tanta que lágrimas salgaram meu sanduíche.

Guilherme Cavallari,
autor de 18 livros sobre esportes e turismo de aventura, entre eles o recém-lançado “Transpatagônia, Pumas Não Comem Ciclistas”, tenta levar uma vida simples nas montanhas da Mantiqueira. Também colabora como colunista do Extremos desde 2010.

 

25.10.2015 - 19:32

A primeira semana

  Elias Luiz  

Depois de 7 dias na Cape Wrath Trail, Guilherme Cavallari já percorreu 124 km em meio a muita chuva, vento, terrenos alagados e rios que a todo momento cortam a trilha, deixam seus pés sempre molhados e o percurso ainda mais díficil.

Ouça o segundo podcast e saiba os detalhes desta primeira semana, que além de outras coisas, durante uma ventania, Guilherme perdeu um de seus mapas.

     
     
 

19.10.2015 - 10:10

Fort William, Highlands, Escócia.

  Guilherme Cavallari  

Manhã de céu aberto e friozinho de 12ºC. Da janela do albergue onde estou hospedado o sol ilumina uma jovem árvore de caule cinza claro e folhas completamente vermelhas. Céu azul, nuvens brancas preguiçosas, bosques verdes e essa arvorezinha, vermelha como um grito. Não sei porque, essa imagem traz paz ao meu coração.

Hoje, segunda-feira, 19 de o outubro de 2015, começo um longo roteiro de trekking até um ponto chamado Cape Wrath, que traduzido para o português ficaria: “Cabo da Ira”. Um promontório rochoso de 281 metros de altura atirado para dentro do Mar do Norte. Essa ponta de pedra é o extremo noroeste da Grã-Bretanha, onde existe um farol e mais nada. E para lá que eu vou! Sozinho, a pé, por 370 km de terreno irregular, às vezes sem trilhas, cruzando áreas alagadas, subindo e descendo montanhas, na região mais desabitada da Escócia e de todo o Reino Unido.

Por que?

Bem... Acho que para os amantes de aventura não é preciso responder a essa pergunta. E quem não ama aventura, quem não se encontra e se descobre quando em contato com a natureza, a melhor resposta seria outra pergunta: Por que você está lendo o texto de um aventureiro?

Aos amigos, acho que devo explicações...

Nos últimos três anos só pensei na Patagônia. Depois que passei seis meses sozinho pedalando, explorando, fazendo trekking e mergulhado na história e na cultura local, depois de percorrer sozinho e com a força do meu próprio corpo 6.000 km por toda a Patagônia e Terra do Fogo, dediquei dois anos a escrever o livro TRANSPATAGÔNIA, PUMAS NÃO COMEM CICLISTAS. Mas agora esse livro não me pertence mais... Desde seu lançamento, quatro meses atrás, enviei livros para praticamente todos os estados do Brasil, um amigo levou uma cópia para cruzar a Rússia e a Mongólia de carro, um mochileiro levou outra cópia para o Uruguai, uma amiga está lendo em Portugal e outra amiga lê nos Estados Unidos. E para completar, meu amigo Elias Luiz, do site Extremos, mandou um exemplar para o Chile, para ser lido por cicloturistas brasileiros em trânsito por lá.

Lançado o livro, abriu-se um vazio dentro de mim, algo que só consigo comparar com parir uma criança. De repente esse vazio virou incômodo e precisei preenchê-lo com mais horizontes abertos e mais aventura.

E aqui estou.

Mas existe também razões históricas e até antropológicas para eu estar aqui... Na época em que o mundo tinha ainda inúmeros espaços inexplorados, quando mapas traziam vastas regiões do globo descritas como “Terra Incognita”, a Grã-Bretanha detinha o maior império em território que a humanidade já viu.

“O céu nunca se põe sobre o Império Britânico”, era uma frase comum no Século XIX. E essa época ficou conhecida como “A Era de Ouro da Exploração” e alguns de seus maiores ícones acabaram virando meus heróis na infância e na adolescência tardia que eu talvez viva até hoje: Sir Richard Francis Burton, Dr. David Livingstone, Sir Ernest Shackleton, Captain Robert Falcon Scott, Roald Amundsen e outros.

As Highlands, na Escócia, representam o canto mais selvagem do quintal desses grandes exploradores, o lugar onde espíritos eram domados e personalidades formadas. O equivalente brasileiro da floresta amazônica, a caatinga, os grandes rios e outros lugares que guardam uma parte importante do espírito humano – seja lá o que isso for.

Meu roteiro será: Fort William, Glenfinnan, Glen Dessarry, Barisdale, Morvich, Strathcarron, Kinlochewe, Strath na Sealga, Ullapool, Oykel Bridge, Inchnadamph, Glendhu, Rhiconich, Sandwood Bay e Cape Wrath. Uma vez em Cape Wrath terei que caminhar mais 30 quilômetros até Durness, onde fica o ponto de ônibus mais próximo, e onde devo completar 400 km de caminhada. Vou tentar acampar todas as noites do percurso e minha intenção é fazer tudo em 17 a 20 dias, se eu conseguir fazer tudo.

Quem quiser pode acompanhar, online e em tempo real, basta ficaqr ligado aqui nesta página da Cobertura Online do Extremos, teremos textos, fotos e principalmente Podcasts gravados durante a trilha. Sem contar é claro, com o rastreamento do Spot no mapa acima. Estou usando também roupas SOLO, www.solo.ind.br, e estou seguro que o frio, a chuva e o vento das Highlands não serão problema nessa aventura.

Agora é só partir para a trilha e iniciar a caminhada...

 
 

17.10.2015 - 01:25

Edimburgo

  Elias Luiz  

Guilherme Cavallari está em Edimburgo, capital da Escócia e neste domingo dará início a uma das mais clássicas trilhas da Europa, a Cape Wrath Trail, com aproximadamente 400 km, que ele pretende completar em aproximadamente 20 dias. Ouça abaixo o primeiro podcast desta expedição e deixe o seu recado.

Apoios: Spot, Solo e Extremos. Realização: Kalapalo

PODCAST CAPE WRATH TRAIL #1 - Faça o download do Podcast 84
 
 
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