Que corda eu compro?
Texto: Alê Silva
5 de agosto de 2013 - 9:21
 
 
 
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Que corda eu compro? Foto: Alê Silva

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- O artigo que segue abaixo é fruto de mais de 20 anos de experiência como montanhista, e busca contínua por informação; além de tempo e trabalho para escrever textos realmente interessantes para você. Portanto se você gostou da informação aqui contida, por favor não “roube” conteúdo! Peça a autorização! Obrigado.

Que corda eu compro?

Essa é a pergunta clássica que ouço todos os dias e de fato muito pertinente. O problema é que poucos sabem realmente respondê-la, muitas vezes optando pela mais barata.

Portanto vou explicar de forma bem simples porquê as cordas diferem em tipo, diâmetro e tamanho, entre outras características.

1 – Qual será o uso da corda, escalada guiada, top rope ou rapel?

- Se você vai guiar uma via de escalada, sua corda deverá ser dinâmica.

- Se você vai fazer somente top rope, sua corda preferencialmente deve ser a semi-estática, porém não há problema algum em usar uma dinâmica. Se você optar pela dinâmica, em top ropes muito longos, acima de 20 metros, deve-se prestar muita atenção logo nos primeiros metros da escalada, pois ao colocar o peso na corda, chega-se facilmente ao chão, dada sua elasticidade.

- Se você vai fazer rapel, canyoning, speleo, ou qualquer outra atividade vertical dessa natureza, sua corda deve ser a semi-estática, principalmente em cachoeiras e ambientes confinados como cavernas. Além de maior segurança, é consideravelmente maior a durabilidade, pois com menor elasticidade a corda “roça” menos em quinas e arestas.

2 – Que tipo de escalada vou fazer? (foto 2)

- Se você é um escalador exclusivamente esportivo, deve dar prioridade às cordas mais finas e leves. Desde as moderníssimas 8.9 até as de 9.2, 9.4mm.

A raciocínio é simples; quanto mais fina, mais leve é a corda, e consequentemente menor peso você terá para carregar quando estiver escalando aquele seu projeto dificílimo.

Vale lembrar também que quanto mais fina uma corda, menor sua durabilidade.

- Se você é um escalador do tipo “faz tudo”, entra em vias esportivas, vias tradicionais e está a procura de uma corda “All around”, as dinâmicas de 9.5 a 10.2mm são cordas que vão lhe proporcionar maior durabilidade sem comprometer muito no peso.

- Se você pretende escalar um BigWall ou vias em artificial, onde irá jumarear, puxará sacos de hallbag, ou seja, judiará mais da bichinha; opte por cordas mais grossas, como as de 10.2, 10.4, 10.5 ou até 11.0mm.

3 – Qual deve ser o comprimento da corda? (foto 3)

- Basicamente há no mercado cordas de 50, 60, 70 e 80 metros. Se você escala mais vias esportivas deve comprar uma corda que se adeque aos seus points preferidos, onde você possa terminar a via e descer em “baldinho” novamente ao solo. Com o passar dos anos é cada vez mais comum vias esportivas longas com 30, 40m de extensão, portanto acompanhando essa necessidade, foram aparecendo cordas cada vez maiores também, como as de 70 e 80 metros.

- Na escalada tradicional até a década de 90 era quase um padrão as cordas de 50m, porém gradativamente as cordas de 60m acabaram substituindo quase totalmente as de 50m, por duas razões: Uma que o tamanho das enfiadas começou a crescer para dar mais agilidade na escalada de grandes paredes. A outra que com uma corda de 60 os rapéis de 30m também agilizam bastante a volta.

Percebeu-se que, esses 10 metros a mais de corda, agiliza bastante a escalada, sem a necessidade de carregar duas cordas de 50m.

4 – E as cordas Duplas e Gêmeas?

- As cordas Duplas podem variar de 7.7 a 9mm aproximadamente e geralmente são utilizadas em vias clássicas, ou escalada em gelo, onde há um grande zig-zag entre as proteções. Desta forma você irá alternar costuras, clipando uma das cordas nas proteções da direita, e a outra nas proteções da esquerda. As cordas duplas também são ideais para vias alpinas longas onde necessariamente você precisará de duas cordas para rapéis longos. Tecnicamente qualquer uma das cordas está preparada para segurar uma queda e preferencialmente elas não devem ser passadas juntas num mesmo mosquetão de proteção.

As cordas Duplas são também uma excelente opção para cordadas em 3 pessoas, pois o guia pode puxar simultaneamente cada um dos participantes da enfiada, encordados cada um a uma das cordas.

- As cordas Gêmeas são as mais finas e leves da escalada, podem chegar a ter somente 7.0mm de espessura e devem obrigatoriamente ser passadas juntas em todas as proteções, pois não são preparadas para segurar sozinhas uma queda do guia. São a opção mais leve quando necessariamente você terá rapéis longos ao fim da escalada.

5 – Tratamento da Capa e meio da corda, quais as diferenças?

- Quanto ao tratamento da capa as cordas podem ser simples ou Dry, ou seja, recebem um tratamento repelente à água, o que evita que ela absorva água, ficando muito mais pesada e difícil de manusear em condições extremas.

Essas cordas geralmente são utilizadas em escaladas alpinas ou gelo, porém para a realidade brasileira o tratamento dry também protege a corda contra a empreguinação por poeira, aumentando sensivelmente sua durabilidade.

- As cordas ainda podem ter uma marca visual no meio de seu comprimento, o que com o tempo pode sumir totalmente. O mais legal são as cordas, onde o padrão visual da capa, muda totalmente de uma metade para a outra, chamadas de Bi-Patterns.

Em ambos os casos esta marca visual torna-se uma ferramenta importante para a segurança da dupla, principalmente na hora de montar o rapel.

6 – E o número de quedas U.I.A.A e Força de Impacto? (foto 4 e 5)

- Bom, compreender realmente esses dois conceitos dá matéria pra outro post de várias páginas, portanto vamos simplificar. Como o objetivo deste artigo é ensiná-lo a comprar a corda ideal, vamos partir do pressuposto que você está comprando uma corda de marca conceituada e com a devida homologação CE. e UIAA.

Portanto eu não acho que o “rating” de quantidade de quedas ou força de impacto sejam determinantes na escolha de sua corda. Resumidamente quanto maior o número de quedas UIAA, maior a durabilidade e quanto menor o Fator de Queda, de forma mais suave ela amortecerá a sua queda. Porém as variantes no “ambiente real” são tantas, que estes números são quase que irrelevantes na hora da compra.

Conclusão:

- Bom, a primeira conclusão a que chegaremos depois de ler isso tudo, é que se você é um escalador completo e pratica diversas modalidades, não existe uma corda que faz tudo, e sim uma corda ideal para cada situação.

Preço, porquê variam tanto?

:: Corda se compra por metro. Logo, quanto mais longa, mais cara.

:: Cordas mais finas possuem mais “tecnologia embarcada” portanto tendem a ser mais caras também. Principalmente as cordas “single ropes” de 8.9 a 9.1mm.

:: Dry, Bi-Pattern, Program e outras frescurinhas não estão lá de graça, quanto mais dessas características, mais cara é a corda. Cabe a você julgar se vale a pena pagar por cada uma dessas características.

Resumo (foto 6)

Corda muito finas “ESPORTIVAS” (8.9mm a 9.4mm):

- Super leves.

- Ideal para vias esportivas, mandar projetos.

- Tamanho ideal de acordo com o local onde você escala.

- Vida útil mais curta.

Cordas médias “CLÁSSICAS” (9.5mm a 10.2mm):

- São versáteis, fazem de tudo “all around”.

- Padrão atual mais usado, 60 metros.

- Mais duráveis sem ganhar muito peso.

Cordas grossas “TRABALHO” (10.4mm até 11.0mm):

- Cordas mais pesadas porém resistentes.

- Ideais para Big Walls, Artificiais, rochas extremamente abrasivas.

Cor (foto 7)
– O que deveria ser o último critério de escolha de uma corda, muitas vezes acaba sendo o primeiro. Portanto não compre uma corda porquê ela é bonita, mas sim escolha de acordo com as suas necessidades!




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- Confira modelos de "Cordas de Escaladas" aqui.
- Leiam também: www.outdoorgearlab.com
- Caso ainda tenham dúvidas, mandem email para: ale@casadepedra.com.br



Espero ter ajudado na sua escolha.,

Alê Silva